Inovação
Oferecido por:

Ativando a serendipidade no WebSummit

Em sua primeira edição fora da Europa, o WS aconteceu no Rio de Janeiro na primeira semana de maio. Devido aos números impressionantes de participação, de startups e de investidores, foi preciso ativar um plano B - lição do intraempreendedorismo - para viver a experiência
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

Compartilhar:

Caso você não tenha sido impactado (acho difícil) pelas centenas (ou milhares) de posts no LinkedIn ou Instagram por alguém que esteve no WebSummit, vou dedicar a coluna desse mês para falar sobre minha experiência pessoal nesse evento de proporções, acredito, nunca vistas no Brasil.

O WS (como é apelidado o WebSummit) é um festival sobre tecnologia, criado em 2009 por Paddy Cosgrave, David Kelly e Daire Hickley, que teve sua 1ª edição nesse mesmo ano em Dublin e, em 2015, mudou-se para Lisboa, onde atraiu um público de mais de 70.000 pessoas em sua edição de 2022.

Entre os dias 1º e 4 de maio deste ano, o WS teve sua 1ª edição fora da Europa, ocupando quatro pavilhões no complexo de eventos do Riocentro, na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, com alguns números impressionantes:

– 21.367 participantes, que esgotaram os ingressos, algumas semanas antes do evento, gerando um verdadeiro “mercado informal” de revenda e repasses de ingressos;
– 506 investidores de todas as naturezas, incluindo Anjos, Venture Capital, Corporate Venture Capital, Corporate Venture Builders, Venture Builders, Aceleradoras, entre outros – para saber mais sobre as diferenças entre cada um deles, [assista](https://www.youtube.com/@oladoi) o último episódio do podcast *O lado i*, em que converso com Rômulo Perini, sócio fundador de uma corporate venture builder;
– 743 pessoas credenciadas como mídia, tanto do Brasil e outros países;
– e, acredite se quiser, 974 startups divididas em 2 categorias – alpha e beta (abaixo explicarei a diferença).

O evento teve sua abertura no dia 1º de maio, com a presença de quase 10.000 pessoas, que testaram a capacidade de organização e de um auditório principal, com capacidade máxima para 6.000 pessoas.

Resultado: filas quilométricas, muita, mas muita gente reclamando e portões fechados, deixando muitos de fora, sem poder assistir as primeiras palestras – vou falar mais sobre isso no final também.

Atuando há 4 anos no ecossistema startup, já me acostumei com o incerto e até mesmo com o improvável. Desenvolvi, nesse período, uma certa facilidade em sofrer menos com frustrações e imprevistos, afinal trabalhar numa startup é uma constante busca de conforto, num eterno desconforto.

A experiência inicial já me levou a repensar minha abordagem para o evento e ativei um plano B, que se transformou na forma como “consumi” o evento em seus três dias – serendipidade.

Se você não está familiarizado(a) com esse termo, explico: é o encontro fortuito ou ao acaso, sem planejamento prévio ou se preferir, o famoso “deixa rolar para ver no que vai dar”. Confesso, que, durante muitos anos, ir a um evento sem planejamento e agenda pré-definidos sobre palestras, reuniões e encontros a fazer seria impensável para mim.

Já havia vivido uma experiência parcial de serendipidade ou desse “deixa rolar” em outro evento – o South by Southwest, em Austin – mas nesse WS levei esse modelo ao pé da letra, vagando pelo evento, encontrando e conhecendo pessoas, que iam me levando a temas e outros encontros não planejados. E foi espetacular!

Mas, caso você prefira um modelo mais organizado de conteúdo, o WS oferece palestras e debates em vários palcos, em diversas durações – dos tradicionais 45 ou 60 minutos de painéis expositivos ou debates, até um palco, onde, acredite se quiser, as apresentações duravam quatro minutos – sim, você leu certo – quatro minutos.

O evento se apresentou, portanto, interessante para vários tipos de experiências. Aqueles que foram com o objetivo de se atualizar e consumir conteúdo foram bem atendidos. O tema do momento, que permeou a maioria dos painéis foi o crescimento e utilização da inteligência artificial, mas se alguém veio em busca de respostas definitivas, se frustrou e saiu com ainda mais perguntas, afinal estamos ainda distantes de um modelo que concilie tecnologia com regulação.

Para os que, como eu, vieram sem uma agenda definida, para conhecer e interagir com algumas das 974 startups, divididas em duas categorias – alpha que eram aquelas ainda em fase bootstrap, ou seja, em estágios iniciais, com bom potencial de crescimento, mas em busca de seu primeiro cheque de investimento, enquanto as denominadas beta, já mais tracionadas, estrutural e financeiramente, tinham como principal objetivo no evento interagir com atuais e potenciais clientes.

As 974 startups participantes, estavam espalhadas por dois pavilhões, com pequenos stands de pouco mais de 1 metro, que contavam apenas com um cartaz explicando sua natureza (HRTech, AgroTech, EduTech, FinTech, etc) e o produto/serviço oferecido.

A organização não permitia nenhuma ativação, que não fosse digital, ou seja, zero papel, logo, cada startup tinha sua camiseta – as mais criativas usavam QR Codes para provocar o público a testar suas soluções – notebooks ou monitores e sua equipe para explicar e encantar o público que visitava pelos stands.

E, a cada dia, havia um revezamento com 320 startups diferentes ocupando esses mesmos stands, ou seja, uma leva nova de startups a cada dia. Se alguém conseguiu visitar e conversar com 320 novos negócios por dia, merece entrar para o Guinness World Records. Visitar e conversar com startups era um evento em si.

Reparou como também era possível exercer a serendipidade sem assistir a nenhuma palestra ou conteúdo? Foi essa a minha escolha e conheci muitas, mas muitas startups e founders incríveis, só que isso será tema para um outro artigo.
Nessa coluna quero exaltar a diferença entre visitar grandes empresas em stands bem-produzidos e ativados, com esses minúsculos stands, sem nenhuma produção, citando um desses encontros casuais que tive pelo evento.

Conheci a Andressa Tairine, caminhando pelo pavilhão três. Ela é a fundadora de uma EdTech de Salvador – startup da categoria alpha – chamada [Sarsa Educacional](http://www.sarsaedu.com), que tem como missão transformar vidas por meio da educação. O brilho e a energia com a qual ela conta seu percurso e o que tem pela frente é de uma inspiração que contagia. Algo que vi e presenciei na grande maioria das startups, especialmente, naquelas onde tive a oportunidade de conversar com algum(a) fundador(a).

Em contraponto, nos stands das empresas estabelecidas, a conversa era sempre mais formal e sem o mesmo entusiasmo. Se nas startups posso citar vários exemplos de conversas inspiradoras, sai pensando se as empresas estabelecidas levaram ao evento seus intraempreendedores, ou optaram por convidar os colaboradores por cargos e fazer uma gestão política de quem iria. Deixo a reflexão!

Para terminar, achei a parte da organização bastante crítica, especialmente som, alimentação e transporte. Diferente de qualquer outro evento que já fui, nesse, as startups participantes começaram a se juntar para montar grupos de discussão e resolução dos problemas encontrados, ou seja, a comunidade startup que participou identificou os desafios e, no lugar de ecoar as reclamações, está se autorregulando para propor e implementar soluções para a 2ª edição, já confirmada para 2024.

Compartilhar:

Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

Artigos relacionados

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução