Liderança
2 minutos min de leitura

Autoridade não é o que você tem: é o que você faz com o que é seu.

Diretamente do SXSW 2026, uma reflexão sobre como “autoridade” deixa de ser hierarquia para se tornar autoria - e por que liderar, hoje, exige mais inteireza, intenção e responsabilidade do que cargo, palco ou visibilidade.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Fui atraída pelo título da palestra: Authority That Drives Change. E, logo de cara, uma das palestrantes disse que ficou intrigada com o tema, pois sempre teve uma relação estranha com a palavra “autoridade”. Especialmente como mulher. Especialmente como criativa.

Eu entendi bem o que ela quis dizer, afinal palavras carregam peso, hierarquia, controle. Constroem um mundo inteiro. Mas o que aconteceu nos cinquenta minutos seguintes foi uma desconstrução cuidadosa dessa ideia.

Marieke van der Poel, uma das palestrantes, lembrou que a palavra “autoridade” vem do latim auctor: aquele que cria, que origina, que tem responsabilidade sobre algo. Portanto não tem a ver “com quem manda”.

Se autoridade é criação e responsabilidade – e não posição -, então todos nós a temos. O que nos afasta dela não é falta de título. É falta de integração com quem nos tornamos.

Tony Martignetti, outro palestrante, tem um nome para isso: “identity dysmorphia”. O estado em que outras pessoas já te enxergam como referência, mas você ainda não habita essa identidade. É um gap real entre quem você era e quem você está se tornando. E fechar esse gap exige reconciliação, não performance.

Robert, que construiu uma empresa com uma centena de pessoas sem gestores hierárquicos, disse algo também digno de nota. Qualquer coisa na sua vida – trabalho, comunidade, clube – que diminua sua inteireza, você deveria abandonar. Que a obrigação sagrada de uma organização não é extrair resultado. É que as pessoas cheguem e, principalmente, saiam inteiras.

Inteiras. (faça uma pausa dramática para juntar os caquinhos, se precisar).

E em seguida ele nomeou algo que raramente se diz em voz alta: “leadership malpractice”. Liderança mal praticada. Não é exatamente uma liderança má… tem mais a ver com uma liderança não-intencional. Aparecer sem estar presente. Ocupar espaço sem responsabilidade sobre o que esse espaço faz com as pessoas.

Penso que de alguma maneira todos nós fazemos isso. A questão é se estamos dispostos a perceber que nem sempre lembramos do propósito, da intenção.

O que ficou para mim foi simples e incômodo ao mesmo tempo: autoridade não se constrói acumulando visibilidade. Se constrói distribuindo – oportunidades, espaço, voz, crédito. A mudança de longo prazo não acontece através de você. Acontece por causa das pessoas para as quais você decidiu agir (o tal ‘cliente no centro’ que falamos faz pelo menos 20 anos).

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Inovação & estratégia
23 de janeiro de 2026
Se seus vínculos não te emocionam, talvez você esteja fazendo networking errado. Relações que movem mercados começam com conexões que movem pessoas - sem cálculo, sem protocolo, só intenção genuína.

Laís Macedo - Presidente do Future Is Now

3 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de janeiro de 2026
Se a IA sabe mais do que você, qual é o seu papel como líder? A resposta não está em competir com algoritmos, mas em redefinir o que significa liderar em um mundo onde informação não é poder - decisão é.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de janeiro de 2026
Como o mercado está revendo métricas para entregar resultados no presente e valor no futuro?

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Inovação
20 de janeiro 2026
O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados. Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89 empresas

5 minutos min de leitura
Liderança
19 de janeiro de 2026
A COP 30 expôs um paradoxo gritante: temos dados e tecnologia em abundância, mas carecemos da consciência para usá-los. Se a agenda climática deixou de ser ambiental para se tornar existencial, por que ainda tratamos espiritualidade corporativa como tabu?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura
Liderança, ESG
16 de janeiro de 2026
No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...