Liderança
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Autoridade não é o que você tem: é o que você faz com o que é seu.

Diretamente do SXSW 2026, uma reflexão sobre como “autoridade” deixa de ser hierarquia para se tornar autoria - e por que liderar, hoje, exige mais inteireza, intenção e responsabilidade do que cargo, palco ou visibilidade.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Fui atraída pelo título da palestra: Authority That Drives Change. E, logo de cara, uma das palestrantes disse que ficou intrigada com o tema, pois sempre teve uma relação estranha com a palavra “autoridade”. Especialmente como mulher. Especialmente como criativa.

Eu entendi bem o que ela quis dizer, afinal palavras carregam peso, hierarquia, controle. Constroem um mundo inteiro. Mas o que aconteceu nos cinquenta minutos seguintes foi uma desconstrução cuidadosa dessa ideia.

Marieke van der Poel, uma das palestrantes, lembrou que a palavra “autoridade” vem do latim auctor: aquele que cria, que origina, que tem responsabilidade sobre algo. Portanto não tem a ver “com quem manda”.

Se autoridade é criação e responsabilidade – e não posição -, então todos nós a temos. O que nos afasta dela não é falta de título. É falta de integração com quem nos tornamos.

Tony Martignetti, outro palestrante, tem um nome para isso: “identity dysmorphia”. O estado em que outras pessoas já te enxergam como referência, mas você ainda não habita essa identidade. É um gap real entre quem você era e quem você está se tornando. E fechar esse gap exige reconciliação, não performance.

Robert Rasmussen, que construiu uma empresa com uma centena de pessoas sem gestores hierárquicos, disse algo também digno de nota. Qualquer coisa na sua vida – trabalho, comunidade, clube – que diminua sua inteireza, você deveria abandonar. Que a obrigação sagrada de uma organização não é extrair resultado. É que as pessoas cheguem e, principalmente, saiam inteiras.

Inteiras. (faça uma pausa dramática para juntar os caquinhos, se precisar).

E em seguida ele nomeou algo que raramente se diz em voz alta: “leadership malpractice”. Liderança mal praticada. Não é exatamente uma liderança má… tem mais a ver com uma liderança não-intencional. Aparecer sem estar presente. Ocupar espaço sem responsabilidade sobre o que esse espaço faz com as pessoas.

Penso que de alguma maneira todos nós fazemos isso. A questão é se estamos dispostos a perceber que nem sempre lembramos do propósito, da intenção.

O que ficou para mim foi simples e incômodo ao mesmo tempo: autoridade não se constrói acumulando visibilidade. Se constrói distribuindo – oportunidades, espaço, voz, crédito. A mudança de longo prazo não acontece através de você. Acontece por causa das pessoas para as quais você decidiu agir (o tal ‘cliente no centro’ que falamos faz pelo menos 20 anos).

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É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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