Inovação
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Como superar o desafio da inovação com ambientes ainda informais?

Em um mercado onde donos centralizam decisões de P&D sem métricas críveis e diretores ignoram o design como ferramenta estratégica, Leme revela o paradoxo que trava nosso potencial: executivos querem inovar, mas faltam-lhes os frameworks mínimos para transformar criatividade em riqueza. Sua fala é um alerta para quem acredita que prêmios de design são conquistas isoladas – na verdade, eles são sintomas de ecossistemas maduros de inovação, nos quais o Brasil ainda patina.
Pesquisador e operador em Organizational Theory, com trajetória internacional marcada por decisões fora do roteiro tradicional. Atuou por mais de uma década na Ásia e também nas Américas e Europa, lidando com operações complexas, ambientes regulatórios adversos e contextos nos quais não há manual disponível. Autodidata e avesso a soluções de prateleira, atua na interseção entre economia, contratos sociais, tecnologia - com foco em processos, modelos descritivos e formulações matemáticas - e organização do trabalho. É membro do Comitê Global de Inovação da Fast Company e colaborador da HSM. Atualmente, lidera a RMagnago, apoiando acionistas e executivos em decisões estratégicas de alto risco e elevada ambiguidade.

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Enquanto o Brasil ocupa a 66ª posição no Índice Global de Inovação, um diagnóstico urgente emerge dos estúdios de design: a criatividade nacional é brilhante, mas esbarra em modelos organizacionais arcaicos. Rodrigo Leme, arquiteto e designer gaúcho com mais de 50 premiações internacionais (incluindo 3 iF Awards e 1 RedDot), expõe a raiz do problema: empresas brasileiras – das PMEs às grandes corporações – ainda tratam inovação aepnas com a intuição.

Além de arquiteto e designer, Rodrigo é proprietário do Grupo Criativo no Rio Grande do Sul, e vencedor de três premiações iF Awards, um RedDot, entre 50 premiações ao total. Tem em seu portfólio trabalhos para empresas como IFood, BRMania, Ambev, Fleury, RodOil, Termolar, Flexform, SLC Agrícola, entre muitos outros.

O que Rodrigo trouxe para esse artigo, em nossas discussões para a formação deste editorial, é a dificuldade em trabalhar com empresas que têm ambientes informais de inovação, o que, na sua opinião, compõe a grande maioria.

Segundo ele, a maior parte das empresas têm, no papel central de inovador, seus donos. Fenômeno em parte explicado por seu papel de poder em modelos organizacionais simplistas, esses empresários carecem de dados econométricos críveis, observação empírica cuidadosa de seus mercados e, já no que tange ao desenvolvimento de produtos propriamente dito, a completa ausência de metodologias já pacificadas para a multidisciplinariedade que os trabalhos requerem.

Cita também que existem as grandes empresas com modelos ultrapassados, onde o design não consegue atingir os diretores e presidentes, e não compõe a matriz estratégica da organização.

Rodrigo acrescenta que não espera que empresas médias tenham estruturas sofisticadas como as grandes multinacionais, que contam com comitês de diferentes naturezas observando cada etapa do processo, com pesquisas quantitativas e qualitativas de elevado custo, ou mesmo com profissionais com vasta experiência em novos produtos e serviços, mas que modelos mais simples e muito efetivos poderiam ser implantados nessas empresas, o que, em sua visão, certamente geraria valor e riqueza.

“É desgastante e caro para mim. Eu tenho que convencer esses empresários e executivos a compreenderem e decidirem, e muitas vezes ensinar procedimentos em nível básico. A maioria das empresas Brasileiras não têm o design implícito em seus modelos de negócios, basta olharmos para nosso histórico em patentes industriais no mundo.

A grande maioria dos empresários querem que suas empresas avancem em sua capacidade de criar novos produtos e serviços, assim como melhorar os existentes, mas ainda contam muito com a intuição, o que costuma falhar e não trazer melhorias para a capacidade da empresa. Querem, sabem que precisam, mas não têm as capacidades instaladas em seus modelos de negócios.

Muitas vezes, e digo que isso é bem recorrente, empresas grandes se parecem com as pequenas, sem qualquer modelo organizacional que possibilite o desenvolvimento de riqueza nova. Eu já deveria ter me acostumado com esse fato nos últimos 20 anos de atuação, mas sigo me impressionado e lutando para que esse cenário mude.”

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Pesquisador e operador em Organizational Theory, com trajetória internacional marcada por decisões fora do roteiro tradicional. Atuou por mais de uma década na Ásia e também nas Américas e Europa, lidando com operações complexas, ambientes regulatórios adversos e contextos nos quais não há manual disponível. Autodidata e avesso a soluções de prateleira, atua na interseção entre economia, contratos sociais, tecnologia - com foco em processos, modelos descritivos e formulações matemáticas - e organização do trabalho. É membro do Comitê Global de Inovação da Fast Company e colaborador da HSM. Atualmente, lidera a RMagnago, apoiando acionistas e executivos em decisões estratégicas de alto risco e elevada ambiguidade.

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