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Conselhos e empresas: como alinhar expectativas para uma governança estratégica em 2025 

Em um mundo de incertezas, os conselhos de administração precisam ser estratégicos, transparentes e ágeis, atuando em parceria com CEOs para enfrentar desafios como ESG, governança de dados e dilemas éticos da IA
Sergio Simões é sócio e líder da prática de boards da EXEC, doutorando pela Poli-USP e atua como conselheiro de administração e consultivo em empresas do setor de saúde, educação, mídia e serviços. É investidor-anjo e senior advisor em startups e scaleups. Em 2020, foi eleito o Executivo do Ano em Transformação Digital e Cultural pela IT Midia/Korn Ferry.

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O contexto global vive um momento delicado, marcado por questões como riscos digitais, tensões políticas, polarização, mudanças climáticas e incertezas econômicas. Tudo isso se reflete no dia a dia de empresas do mundo todo, inclusive no Brasil, que precisam encontrar nos conselhos um aliado forte para encarar os obstáculos de forma mais fácil. 

É importante, porém, que os membros do colegiado se lembrem de qual é seu papel junto à organização. Não é incomum que muitos empresários acreditem, erroneamente, que o board existe apenas para chancelar as ideias dos sócios e demais lideranças do negócio.

O conselho traz para a mesa a visão dos stakeholders e do mercado, orientando planos e ações para beneficiar não somente a empresa e seus acionistas, mas a sociedade. Sua função não é agradar a diretoria.

Outro tema polêmico que deve estar na pauta dos colegiados em 2025 são as iniciativas de DE&I (Diversidade, Equidade e Inclusão), muito porque tem ocorrido um movimento de afastamento de políticas nesse sentido por parte de diversas companhias. O ESG, de forma geral, vem sofrendo reveses, mas a preocupação com o planeta e com a sustentabilidade continua sendo obrigatória para a valorização do negócio – em especial, no longo prazo – assim como o cuidado com as pessoas.

Destaco ainda os dilemas éticos decorrentes dos avanços tecnológicos, especialmente quanto à Inteligência Artificial Generativa (IAGen). É um tema que exige o fortalecimento da governança de dados, outro ponto importante para os conselhos, que irão monitorar o cumprimento de normas e leis cabíveis quanto à coleta e uso de dados, além da privacidade dos usuários.

Evolução a passos lentos

O fato de os conselhos de administração estarem galgando novos passos, tornando-se mais estratégicos, ajuda os colegiados a lidarem com os desafios do mundo atual. Ressalto, no entanto, que no Brasil a mudança de foco dos boards vem ocorrendo de forma muito lenta.

A maioria dos conselhos ainda tem um olhar muito voltado para trás, no ‘retrovisor’, mirando os resultados e priorizando o lado financeiro. Essa mentalidade não cabe mais em uma realidade pautada pela tecnologia, inovação e transformação digital.

Hoje, cabe ao conselho ter uma mentalidade empreendedora, trazendo para si não somente a os direcionadores para a elaboração da estratégia, mas sua implementação, manutenção e modificação, tomando decisões baseadas em dados e levando em conta os novos comportamentos dos consumidores e demais stakeholders, cada vez mais empoderados e conscientes. 

Comunicação e transparência

Num cenário permeado por incertezas, a transparência e a comunicação clara e objetiva entre os membros do conselho e as lideranças empresariais precisam estar mais afiadas do que nunca. 

A falta de transparência e a má comunicação entre conselho e gestão podem ser catastróficas, pois dificultam a governança. A comunicação clara é essencial, pois ao evitar desentendimentos, atritos e erros, aumenta a eficiência, impulsiona a inovação e promove um ambiente mais colaborativo e positivo. É importante que o conselho aponte à gestão não o que as lideranças querem ouvir, mas o que, de fato, precisa ser feito na organização para que ela melhore e lide com os desafios. Comunicar isso de modo claro, firme e transparente é primordial.

Além disso, atuar em parceria com o CEO é crucial para o sucesso do trabalho dos colegiados. Como os boards são cada vez mais estratégicos, complexos e diversos, é necessário criar um contexto poderoso que oriente o negócio para frente e para cima. Assim, tal parceria, que antes poderia parecer impossível, torna-se fundamental, sendo que a responsabilidade de aplicar, manter e reportar os princípios deve ser compartilhada por conselho e CEO. Transformar a teoria em prática, contudo, não é simples. 

CEOs experientes fazem questão de promover empatia e facilitar conversas com seus conselhos, que podem atuar como verificadores da realidade, incluindo o momento atual e o futuro e questionando se a direção que a organização está tomando está correta, bem como se as ações são tomadas na mesma medida.

Lembro também que advisors e lideranças são figuras que se complementam em prol da perenidade e sucesso da organização: é mandatório, então, atuar em conjunto e em sinergia. 

É uma relação que será guiada pela honestidade e franqueza, pois é essencial que o conselheiro se sinta à vontade para, eventualmente, questionar as decisões dos gestores. O que já estamos vendo, em alguns casos, são conselhos com uma postura mais proativa e ágil, exercendo um papel indispensável no fortalecimento da cultura da organização.

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