Inovação

Covid-19: sua empresa se reinventou ou apenas sobreviveu?

De maneira sútil, e ao mesmo tempo crucial, algumas empresas se reinventaram em 2020 e conseguiram crescer em meio à pandemia
Diretor de marketing digital e mídia da General Motors da América do Sul. Formado em publicidade e propaganda pela UFRJ e com um MBA em marketing pelo IAG-PUC-RJ, iniciou sua carreira na Infoglobo, foi trainee na C&A e teve sólidas passagens por empresas como Nike e ABInBev. Bruno é mestre em administração de empresas pela EAESP-FGV (MPA) e tem um canal no Youtube, o @MarketingFC, para falar de marketing, mídia e um pouco de futebol.

Compartilhar:

Nas próximas colunas vou escrever sobre segmentos e empresas que se reinventaram, não apenas sobreviveram à Covid-19. Em primeiro lugar, não sou negacionista nem acho que o coronavírus acabou, mas definitivamente quem tinha que reagir, do ponto de vista de estratégia empresarial, já o fez; quem dormiu no ponto, só pode esperar a vacina. Dito isso, gostaria de começar esta série com um segmento super dinâmico, o de bebidas.

Muitos setores sofreram com as quarentenas e lockdowns em 2020 e, olhando superficialmente, o setor de bebidas deveria ter sido altamente afetado: estamos falando de um fechamento quase total do on-trade (bares e restaurantes) por meses. No entanto, o que poderia ter sido um desastre completo acabou sendo uma alavanca de [disrupção, inovação e reinvenção do modelo de negócios](https://www.revistahsm.com.br/post/transformacao-ou-disrupcao-digital) para algumas empresas.

Como exemplo, destaco o mercado de vinho. Segundo a Euromonitor, a maioria dos rótulos consumidos no Brasil é importada, garrafas que sofreram brutalmente com a variação de cotação do dólar e euro.

Se o brasileiro já não era um consumidor ávido por vinhos – 2,13 litros por pessoa em 2019 –, o cenário desenhava o pior para 2020. Porém, o ano encerrou com o consumo em alta – 2,68 litros por pessoa –, assim como o desenvolvimento dos principais players. Mas como isso aconteceu?

A Evino é representação bem-sucedida de [reinvenção na pandemia](https://www.revistahsm.com.br/post/a-nova-era-do-empreendedorismo). No meio da crise, a varejista intensificou negociações para trazer rótulos exclusivos da França e Itália e compensar o câmbio. Também abriu loja em parceria com o Rappi para a entrega de vinhos em casa em 1h, além de acelerar a melhora do seu site e do portfólio de produtos.

## Oportunidades para inovar

“Em 2020, a [Evino atingiu crescimento de 62% em comparação com 2019](https://veja.abril.com.br/blog/radar/evino-registra-crescimento-de-62-no-faturamento-em-2020/#:~:text=Em%20um%20ano%20desafiador%20como,maior%20do%20que%20em%202019.), assumindo a liderança do mercado de vinhos online na América Latina. Isso só foi possível porque fomos uma empresa ágil na reorganização dos processos. Isso garantiu cuidado com as pessoas, permitiu capturar a oportunidade de estarmos posicionados como player com DNA digital e conseguimos atender os clientes que intensificaram a relação com o vinho no auge da pandemia: mais almoços e jantares em casa, happy hour virtual, uma taça para relaxar ao final de tarde, entre outros momentos”, disse Eduardo Souza, Co-CEO B2C da Evino.

A gigante de bebidas AmBev não ficou muito para trás. A empresa que dependia avidamente de bares e restaurantes perdeu os principais eventos do ano e caminhava para um ano terrível, tanto do ponto de vista de vendas, quanto de relevância para suas marcas.

No entanto, o que se viu foi o oposto. Primeiro a AmBev abraçou o movimento de lives artísticas com intuito de ajudar instituições de caridade. A companhia ainda liderou movimentos de produção de álcool gel e atuou de maneira forte e consistente como entidade socialmente responsável durante a crise sanitária.

Em paralelo, fez altos investimentos no seu aplicativo de entrega de bebidas geladas em até 1h, o Zé Delivery, apostando e fomentando a criação do hábito de festejar as lives musicais em casa com a marca levando bebidas ao consumidor final.

O [aplicativo cresceu e expandiu fortemente na pandemia](https://veja.abril.com.br/blog/radar-economico/ambev-colhe-os-frutos-do-crescimento-do-ze-delivery/). Claro, não estamos afirmando que o serviço ajudou a mitigar a perda do volume de todos os bares e restaurantes, contudo, com certeza, foi responsável por estancar parte do sangramento do setor.

## Pragmatismo para reinventar

Ainda há muitas incertezas rondando 2021. Segundo pesquisa da Bain Company, publicada em parceria com o Google, a crise de 2020 teve claramente vencedores e perdedores. Sobre o estudo que contou com 3.900 empresas de todo o mundo, a consultoria descobriu que “(…) os vencedores divergiam dos perdedores durante a recessão passada, aumentando a diferença de lucro e de valor de mercado durante a expansão subsequente.” Em outras palavras, quem fez ações de reinvenção durante o ano passado entrou muito mais forte no último trimestre de 2020 e em 2021.

Quando o mercado voltar “ao normal”, nem Evino ou Zé Delivery, citados aqui, vão perder o que conquistaram, uma vez que boa parte dos clientes adquiridos não voltarão aos canais tradicionais. Para além de sobreviver – primeira reação do ser humano diante de crises ou períodos de escassez –, o mercado já entende que é preciso fazer (muito) mais para seguir perene até que a situação se encaixe novamente. Importante também repensar, aprender, deixar seu negócio pronto para um novo consumidor, segmento ou qualquer imprevisto.

[A velocidade de inovação nem sempre é mensurada ](https://www.revistahsm.com.br/post/aprendizado-constante-a-habilidade-mais-importante-de-um-profissional)pela live maravilhosa que você fez ou por um app que lançou em poucos dias, mas em como esta inovação será aplicada na sua estratégia. Isso significa, como essas pequenas ferramentas voltadas à inovação mudam a maneira de fazer negócio e/ou atender seu consumidor no longo prazo. O mercado de bebidas conseguiu fazer essa leitura e essa movimentação, com algumas corporações mais bem-sucedidos que outras.
No próximo mês, estarei de volta para falar do mercado automotivo e hoteleiro. Nos encontramos em breve, fiquem ligados!

Compartilhar:

Artigos relacionados

Tudo que aprendi sobre a gestão da nova hotelaria nos últimos cinco anos

Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

O SaaSpocalypse chegou? Talvez a pergunta esteja errada.

A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

O cérebro é um velcro para críticas e um teflon para elogios

Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

O líder como jardineiro: a vantagem competitiva que cresce como um jardim

Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

O prêmio do julgamento na era da inteligência abundante

Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução