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E a mudança climática chegou ao cafezinho

A Knowledge@Wharton evidencia uma ameaça à produtividade do agronegócio que interessa ao Brasil

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Uma boa xícara de café pode ser algo raro no futuro. O aquecimento global, o desmatamento e algumas pragas agrícolas representam riscos reais à produção dos grãos. Além das consequências ambientais, está em jogo um setor de atividade que movimenta cerca de US$ 70 bilhões e envolve pequenos agricultores da América Latina e da África. 

Em entrevista à Knowledge@Wharton, os especialistas Michael Hoffmann, professor da Cornell University, e Elizabeth Shapiro-Garza, da Duke University, especialistas no setor cafeeiro, alertaram para a gravidade da ameaça. “Precisamos começar a buscar soluções”, afirma Shapiro-Garza.

Eles explicam que, embora sejam duas as variedades de grãos mais utilizadas pela indústria – arábica e robusta –, as espécies “selvagens” são importantes para melhorar a qualidade delas. Funcionam como uma “biblioteca genética”, possibilitando cruzamentos que aumentam a resistência das mudas de café. Porém, existe um fungo que adora as novas condições climáticas, mais quentes e úmidas, e essa é uma praga muito perigosa para as espécies selvagens, como destaca 

Hoffmann, acrescentando que a doença faz parte de um conjunto relevante de desafios que o café enfrenta cada vez mais, em todo o planeta. 

A professora Shapiro-Garza lembra que o clima está mudando de formas diferentes em cada região do planeta. “O impacto sobre o café ocorre em todos os lugares, mas não do mesmo modo, o que dificulta prever a evolução dos problemas.” 

**O que está sendo feito**

Em áreas em que a elevação da temperatura é evidente, alguns agricultores estão plantando árvores para fazer sombra para as mudas de café. Na América Latina, de acordo com os especialistas, governos cujas economias são mais dependentes do café estão investindo em pesquisas para tornar as plantas mais resilientes.

Algumas empresas que comercializam café também se mexem. A Starbucks, por exemplo, trabalha em parceria com agricultores para gerar sementes, monitorar a produção e desenvolver novas estratégias. Além disso, coleta informações sobre técnicas agrícolas adaptativas com diversos agricultores ao redor do mundo e as compartilha. 

Os especialistas ressaltam a importância do esforço que está sendo feito. “São muitas as iniciativas em apoio aos agricultores que querem mudar suas práticas para se adaptar ao que vem acontecendo com o clima, o que inclui o apoio ao uso de novas terras e de estratégias alternativas”, diz Shapiro-Garza. Mas ela complementa que continua preocupada com a sobrevivência de longo prazo das áreas de cultivo de café.

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