Durante décadas, a criatividade foi tratada como uma competência da comunicação. Cabia a ela diferenciar marcas, construir campanhas memoráveis e gerar impacto. Essa lógica já não responde aos desafios do ambiente atual.
O que o Cannes Lions evidenciou em sua última edição, foi uma mudança mais profunda: a criatividade deixa de ocupar a ponta do processo e passa a influenciar o próprio modelo de crescimento das organizações.
A diferença é estratégica.
Quando é vista apenas como expressão de marca, seu impacto é episódico. Está associado ao lançamento de uma campanha ou a uma ação específica. Quando passa a ser tratada como um sistema, torna-se uma capacidade organizacional que conecta estratégia, dados, inteligência artificial, tecnologia, cultura e experiência para gerar valor de forma contínua.
Essa transformação acompanha uma mudança maior nos negócios. Em um ambiente marcado por inovação acelerada, consumidores imprevisíveis e decisões orientadas por dados, obter vantagem competitiva já não depende apenas da qualidade das ideias. Depende da capacidade de transformá-las em um processo permanente de evolução.
É nesse ponto que muitas empresas ainda operam com uma lógica do passado. Investem em criatividade como recurso pontual, quando o desafio exige estruturas capazes de produzir relevância continuamente.
A inteligência artificial acelera a execução. Os dados ampliam a capacidade analítica. A tecnologia conecta jornadas. Mas nenhum desses ativos cria vantagem competitiva isoladamente. O diferencial está na capacidade de integrá-los em torno de uma visão comum.
Por isso, mais do que disputar espaço com eficiência, ela passa a orientá-la. E, ainda, ela deixa de ser responsabilidade exclusiva do marketing para influenciar decisões sobre produtos, experiência, cultura, inovação e estratégia.
Talvez essa seja a principal provocação para os líderes: o futuro não pertence às empresas que produzirão mais campanhas, mas às que construirão sistemas capazes de aprender, adaptar-se e gerar valor continuamente.
No fim, criatividade deixa de ser um atributo da comunicação. Torna-se uma competência estratégica da organização – e, cada vez mais, um dos principais motores de crescimento sustentável.




