Liderança

Entre a alegria e a culpa de ser produtiva na pandemia

Tenho visto muita gente aproveitando essa “parada técnica” para se aperfeiçoar, mas há também quem esteja passando por perrengues. Comunicação, afeto e uma boa leitura do ambiente fazem toda a diferença
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Continuamos aqui. Sei lá que dia de quarentena é hoje, o que verdadeiramente não importa mais. Já falei sobre [adaptação](https://www.revistahsm.com.br/post/lideranca-em-tempos-de-covid-19-comoseadaptar) em tempos de Covid-19, como lidar com pessoas que se tornam mais [controladoras](https://www.revistahsm.com.br/post/efeitos-negativos-de-uma-lideranca-controladora-o-que-fazer) quando não têm controle sobre as coisas, sobre os aprendizados para uma [vida mais sustentável](https://www.revistahsm.com.br/post/mes-do-meio-ambiente-a-pandemia-nao-impede-que-voce-faca-algo) e agora queria bater um papo sobre a alegria e a culpa por ser produtiva quando tem um bocado de gente passando perrengue por aí.

Se a gente faz tudo que lê em jornais, revistas ou nas redes sociais (se organiza, busca foco, faz ginástica, mantém a mente positiva, evita procrastinar etc) as coisas dão certo sim. Estou vendo gente se aprofundar nos estudos participando de lives e cursos online, descobrindo como separar o joio do trigo nessa avalanche de conteúdo disponível, mais e mais gente assinando a Revista HSM (#vemgente!), gente perdendo peso, aprendendo a cozinhar, aprendendo a se olhar, a se conhecer melhor. Que coisa maravilhosa é essa, não é mesmo?

Se em algum momento a gente se perdeu na correria, agora tem um pouco mais de tempo para o autoconhecimento, para ouvir a voz do silêncio, para refletir de verdade. Então, evidentemente isso traz alegria porque a gente percebe que de alguma forma aprendeu alguma coisa, cresceu, tem mais clareza do que fazer amanhã, depois de amanhã e ano que vem (sim, estou falando no sentido figurado porque amanhã a gente vai colocar a máscara, lavar a mão dez vezes, e ficar trancado em casa a maior parte do tempo).

E como toda luz tem uma sombra, tem horas que expressar nossa alegria machuca ou maltrata outras pessoas que não tiveram a mesma possibilidade. O que fazer então? Vai com calma e com alma. Clichê, eu sei, mas funciona.

Se dá para espalhar um pouco de afeto, dá certo. Talvez possamos ajudar alguém a estar melhor. Mas se é para ir com arrogância, com um “arzinho” de superioridade, melhor deixar para lá.

Ler o ambiente e entender como melhorá-lo é o que divide as pessoas que a gente quer por perto daquelas que a gente quer dar tchau de longe, com um sorrisinho disfarçado.

Tem muita gente com uma carga pesada sobre os ombros. Não precisamos aumentar esse peso.

Ser boas cidadãs ou cidadãos corporativos passa por ter essa leitura fina do ambiente e contribuir com as pessoas que estão lá. Se as suas palavras ou os seus méritos podem colocar alguém para baixo, se poupe e fique na sua.

E, claro, se você já está numa posição de liderança, redobre a atenção com os seus. A quarentena pode criar uma quantidade enorme de pessoas solitárias, ansiosas e até mesmo deprimidas. Identificar isso quando não estamos juntos fisicamente todos os dias é bem mais difícil. Ouça, pergunte, se coloque à disposição, incentive. Crie um clima positivo para o time todo estar mais forte quando sairmos dessa fase tão dura. É um bom momento para fazermos a diferença.

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