Marketing & growth
4 minutos min de leitura

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.
Líder de conteúdo da DEA Design. Formada em Publicidade e Propaganda, com foco em Criação Publicitária e especialista em Neurociências e Comportamento. Tem mais de 15 anos de experiência em comunicação e branding. Com atuação no Nordeste e no Sudeste do Brasil, traz uma bagagem variada de agências, segmentos e marcas atendidas. Em quase 10 anos FutureBrand, desenvolveu projetos para marcas como Farol Santander, BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Ypióca, Banco do Brasil, Senna e Shell e, ao longo do tempo, somou expertises estratégicas ao seu olhar pelas palavras. Liderou equipes multidisciplinares, atuou diretamente na liderança criativa e especialista de projetos com foco em conteúdo e creators. Hoje, na DEA, é responsável pela criação e condução de

Compartilhar:

Já tem um tempo que podemos notar muitas marcas usando a mesma trend, o mesmo áudio, os mesmos memes, disputando quem parece mais “nativo” de cada plataforma. À primeira vista, parece só evolução natural. Como nós mesmos dizemos para o mercado: as redes mudam, os formatos evoluem – as marcas acompanham. Mas se prestarmos mais atenção, podemos até desconfiar que a questão é mais profunda.

Estamos vendo o nascimento de uma nova lógica de construção de marca. Uma em que a decisão criativa deixou de nascer da estratégia e passou a responder, antes de qualquer coisa, às regras do algoritmo. Não me entendam mal, não é que o algoritmo seja um vilão. Mas, sem que ninguém decidisse isso conscientemente, ele deixou de ser ferramenta de distribuição e passou a ocupar um lugar que não era seu: o da estratégia.

Vivemos na economia da atenção, onde as plataformas premiam retenção, frequência, velocidade e capacidade de gerar reação. Isso mudou o jeito como as marcas produzem: tudo precisa ser mais rápido, mais emocional, mais compartilhável, mais “viralizável”. Entretanto nem sempre mais memorável. Aí mora um dos paradoxos mais interessantes da comunicação atual.

Nunca produzimos tanto! Nunca tivemos tantos formatos, canais, oportunidades de conversa. Ainda assim, é difícil lembrar quais marcas disseram algo relevante nos últimos meses. Isso não é por acaso: memória e atenção são sistemas diferentes no nosso cérebro. Uma coisa é capturar o olhar por três segundos; outra, bem mais rara, é deixar um traço que sobrevive depois que o vídeo já passou. Estamos otimizando cada vez melhor para conquistar a primeira e, ao mesmo tempo, perdendo espaço na segunda. O problema é quando as duas se confundem. Esse, talvez, seja um dos erros mais caros do branding hoje.

Para ilustrar, o relatório Hootsuite Social Media Trends 2026 mostra que 60% das organizações acreditam que o principal objetivo do conteúdo nas redes é entreter, educar ou informar. Notem: não vender diretamente. Para ¼ das empresas, entre 80% e 100% do que é publicado já é orientado ao entretenimento puro. E, apesar de entretenimento ser uma porta de entrada legítima para relacionamento, isso se torna um problema quando ele deixa de ser meio e vira fim em si mesmo. Se a maior parte da comunicação está sendo desenhada para agradar ao algoritmo, quanto espaço sobra para construir identidade?

Produzir conteúdo relevante deixou de ser diferencial para virar requisito. As marcas aprenderam a contar histórias, disputar espaço com creators e veículos de mídia. Mas existe uma pergunta que nem sempre é feita: quando o conteúdo é tão bom que as pessoas lembram da história e esquecem quem contou, será que ainda é branding?

É possível alcançar milhões de views sem fortalecer posicionamento nenhum. Dá para viralizar sem aumentar reconhecimento. Dá para gerar engajamento sem construir significado. Isso não é problema de comunicação, mas de estratégia.

Também chegou a hora de trazer IA para o jogo. Nunca foi tão fácil produzir. Textos, imagens, vídeos, campanhas inteiras em minutos. Elas até democratizaram a execução, mas vêm acompanhadas de um efeito silencioso: quando todo mundo usa as mesmas plataformas, os mesmos recursos, muitas vezes os mesmos repertórios de prompt, a comunicação começa a homogeneizar. Assim, quando a execução se torna commodity, o que passa a valer é exatamente o que nenhuma máquina entrega sozinha: repertório, leitura cultural, visão estratégica, identidade.

Durante anos falamos em economia da atenção. Hoje, acredito que o recurso escasso é outro: identidade. Ser lembrado por alguma coisa continua raro. E esse, sempre foi, o verdadeiro trabalho do branding.

O algoritmo premia novidades, velocidade, adaptação constante. O branding depende do oposto: memória, consistência, repetição, reconhecimento. Enquanto a plataforma pergunta “o que funciona hoje?”, o branding pergunta “como quero ser lembrada daqui a cinco anos?”. Talvez esse seja o maior desafio da comunicação contemporânea: equilibrar performance com permanência – a linguagem da plataforma sem abrir mão da linguagem da marca. No fim das contas, o algoritmo não deveria decidir quem uma marca é. Deveria só ajudá-la a chegar mais longe.

O algoritmo define o formato. O branding continua responsável pelo significado.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Acordo Mercosul e União Europeia representa um novo ciclo de crescimento para o franchising brasileiro

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

As edtechs brasileiras aprenderam a crescer sem investimento. Mas até onde isso pode levá-las?

Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Eleitor 70+: o valor do repertório em uma sociedade que envelhece

À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

A publicidade não disputa mais audiência. Disputa atenção.

O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo