ESG
4 min de leitura

Felicidade no Trabalho – Isso existe?!

Continuando nosso especial sobre o dia 20 de março como Dia Internacional da Felicidade, para trazer maior conscientização, desta vez vamos falar sobre a relação entre esta temática e sua relação no trabalho
É formada em Administração de Empresas pela PUC-RIO, pós graduada em Gestão de Pessoas, Especialista na Ciência da Felicidade e do Bem-estar por Tal Ben-Shahar, professor de Psicologia Positiva em Harvard, e Instrutora de Mindfulness, pelo instituto Mindfulness Now - UK College of Mindfulness Meditation.

Compartilhar:

Resiliência, Calma felicidade

Muito se pode questionar sobre a relação do trabalho e o impacto do mesmo em nossa felicidade. Não à toa, renomados pesquisadores divulgam frequentemente artigos e novas descobertas sobre o tema.

Ao entrar na faculdade de administração, aos 18 anos, me deparei com um novo mundo, o mundo dos negócios. Logo percebi que o mundo corporativo me encantava e, por isso, resolvi adentrá-lo, independentemente da área que fosse e da empresa escolhida, afinal de contas, estágio é necessário para nossa formação na faculdade e para ingressar no “mundo do trabalho”.

A partir daquele momento, as frustrações começaram a surgir. Trabalhei em algumas empresas, nacionais e multinacionais, até chegar aonde estou hoje. Faz parte da jornada da experimentação e da vida de um ser humano. Percebi ao longo dos anos que eu estava no ambiente em que gostava, porém sem fazer o que me realizava e discordando totalmente dos valores de algumas empresas em que trabalhara. Passei por lideranças muito inspiradoras, mas também por lideranças muito tóxicas, o que complicava bastante a coesão do time, os resultados e, principalmente, a minha vontade de continuar ali.

Fui vivenciando diferentes setores, até me deparar com o Desenvolvimento Pessoal dentro da própria Administração de Empresas. Neste momento, entendi que trabalhar com pessoas, ajudando-as a serem felizes dentro do seu trabalho, fazia muito sentido para mim (guardem essa palavra, pois, mais à frente, falarei sobre ela). Afinal de contas, havia passado por muitos momentos de estresse e ansiedade nas minhas escolhas profissionais. Hoje eu ajudo pessoas e empresas no tema de felicidade e trabalho e é isso o que me realiza por inteiro.

Porém, para realizar o meu trabalho, era preciso unificar tudo o que eu havia visto na prática com as pesquisas mais recentes do mundo. Por isso, fui entender profundamente no que consiste a felicidade do ser humano de forma integral com o professor de Harvard, Tal Ben-Shahar, para depois entender a relação da mesma com o trabalho.

Assim, hoje, quero trazer para você leitor, fatores que envolvem a felicidade no trabalho e como a organização pode trabalhar isso com seus colaboradores.

Meu intuito aqui é focar no lado das empresas e no papel e poder que elas têm de impactar a vida de cada colaborador positivamente. É evidente que o colaborador também tem um papel importante nesta jornada, mas muitas vezes, com tantos afazeres, pressão e responsabilidades, as ações que podem tomar em busca da felicidade no trabalho ficam limitadas.

De todo modo, vale destacar que nós, como indivíduos, devemos ter a responsabilidade com o nosso próprio bem-estar, integralmente. Numa ótica profissional, minha sugestão é que cada pessoa trabalhe o seu autoconhecimento. Conhecer seus valores pessoais, o que busca com o seu trabalho, saber seus interesses e o que importa para si, é um grande passo para realização dentro do que você faz profissionalmente, pois é possível alinhar o que você é com o que você faz. Isso proporciona senso de propósito, envolve sentido.
Veja bem: não é preciso sair do trabalho em que você está, até porque, muitas vezes, isso não é possível. Existem formas de colocar as suas “potências em ação” no trabalho que você já faz.

Segundo Tal Bel-Shahar e Sonja Lyubomirsky, o sentido é um fator importantíssimo para sermos felizes, e este, pode vir através de um trabalho.

Então agora, vamos entender como a organização pode ajudar os seus colaboradores a se sentirem bem, pois de acordo com dados validados por Tal Ben-Shahar:

• Colaboradores felizes são 13% mais produtivos (Oxford)
• Organizações com colaboradores engajados experimentam um aumento de 22% na sua rentabilidade e uma taxa de absenteísmo 37% menor (Gallup)
• Colaboradores engajados tem 87% menos chances de deixar as suas organizações do que os não engajados (St. Claude State University)
• Para cada dólar investido em programas de bem-estar, constatou-se uma redução de US$ 3,27 dólares nos custos de saúde da organização. (Harvard Business Review on the ROI of well-being programs).

No ano de 2023 participei de dois grandes encontros da Happiness Studies Academy, empresa de Ben-Shahar, com pessoas de diferentes países para discutirmos o tema da felicidade. Ainda, compareci ao World Happiness Summit (WOHASU), na Itália. Em todos esses eventos e encontros, o tema de Felicidade Corporativa apareceu inúmeras vezes em palestras e rodas de discussão.

A partir daí e da minha prática, pontuo os fatores que apareceram como mais importantes para incrementar o bem-estar do seu colaborador: pertencimento, propósito, engajamento e conexão social. Vale ressaltar que não citarei em ordem de relevância, porque todos os itens estão interconectados.

Para começar, vamos falar de pertencimento, uma vez que o senso deste, está totalmente atrelado aos outros. Segundo Jan Emmanuel De Neve, professor em Oxford e palestrante do WOHASU 2023, sentir-se pertencente envolve sentir-se cuidado, ter amigos no trabalho e reconhecer o seu impacto na organização.

Agora, vamos falar do propósito. Este significa saber que seu trabalho é importante para você, para sua organização e para o mundo. Propósito é ver significado e viver alinhado com seus valores. Desta forma, como a empresa pode auxiliar o seu colaborador a ver mais sentido naquilo ele já faz atualmente?

Seria interessante a organização oferecer oficinas de job crafting. Poderíamos traduzir este termo como algo próximo a “desenhar” o seu trabalho. Esta intervenção consiste em orientar os colaboradores a mapearem quem são e moldarem as suas atividades atuais de acordo consigo. É uma atividade que tem como intuito conectar forças pessoais com atividades demandadas. Segundo Sandro Formica, pesquisador no tema de organizações positivas, a partir dessa remodelagem a produtividade aumenta, melhorando a performance da organização.

Depois, vamos falar de engajamento no trabalho.

Mihaly Csikszentmihalyi, nos ensina o conteceito de Flow, o que também pode ser entendido como estar engajado em algo. Flow é quando a noção de tempo é perdida devido à imersão e ao foco em uma determinada atividade, onde existe a combinação perfeita entre desafio e habilidade/força pessoal.

Assim, é imprescindível que as empresas entendam os talentos e habilidades dos seus colaboradores para que possam oferecer desafios condizentes com o que eles têm a oferecer e, assim, atingirem um melhor desempenho.

Ainda, para engajar o time é interessante conciliar os objetivos pessoais de cada um com os objetivos da equipe e da organização, pois objetivos compartilhados geram mais pertencimento e engajamento.

Não poderia escrever sobre “felicidade e trabalho” e não falar de conexões. Não é de hoje que já sabemos que o maior fator para alcançar a felicidade humana, segundo Harvard, são os relacionamentos de qualidade. As conexões sociais geram vínculo, elemento que faz parte da natureza da nossa espécie. Dessa forma, aquela ideia retrógrada de que “trabalho não é para fazer amizades” cai totalmente por terra. Inclusive, Harvard complementa que “trabalhos infelizes são aqueles com baixa interação humana e baixas relações de confiança”.

Segundo o instituto Gallup, “as pessoas desejam instintivamente relacionamentos próximos e de confiança – no trabalho e na vida. Fazer amigos no trabalho contribui para a experiência próspera do colaborador, para a comunicação, para o comprometimento e outros resultados”.

Ou seja, a empresa deve ter em mente o objetivo de proporcionar momentos de fortalecimento dos vínculos, incluindo workshops que trabalhem o relacionamento interpessoal e momentos de descontração, onde todos se mostrem “pessoas como pessoas” e não somente momentos exercendo seu papel dentro do ambiente do trabalho.

É importante frisar que são muitos os fatores que envolvem o bem-estar daqueles que trabalham, não somente os citados acima.

Como professora de Mindfulness, não poderia deixar de sugerir que as organizações ofereçam programas para ensinar a ferramenta. Diferentemente do que muitos pensam, não é preciso um ambiente ideal e uma postura sentada para praticar a Atenção Plena. É possível se beneficiar também da prática informal e não somente do treino formal (aqueles que estamos acostumados a ver).

O neurocientista Richard Davidson traz uma excelente relação do mindfulness com a felicidade. Demonstra que a prática nos ajuda a desenvolver habilidades que incrementam nosso bem-estar, as chamadas “wellbeing skills”. São elas: conexão (relacionamentos, vínculos), atenção plena (flow, foco), propósito (sentido) e insight (autoconhecimento, autoinvestigação e autotranscendência).

Conseguem perceber a relação com tudo o que foi mencionado acima?

É relevante dizer que o Mindfulness cuida não somente dos sintomas de estresse e ansiedade que existem hoje no ambiente corporativo, mas também da nossa felicidade de forma estrutural. Estamos ligados a estressores diariamente e, se não fizermos pausas ao longo do dia para nos recuperarmos, seremos prejudicados. Atualmente já se sabe que o estresse em si não é o problema e sim, a falta de recuperação do mesmo. A empresa pode trabalhar, também, a percepção dos seus colaboradores em relação ao estresse. Estudos recentes descobriram que pessoas que entendem que o estresse faz parte da vida, que é importante para o crescimento pessoal, que é algo que dura pouco tempo e um incentivador às nossas ações, são mais saudáveis e mais felizes.

A falta de clareza de objetivos entre líderes e liderados, a comunicação violenta ou não assertiva, a falta de reconhecimento e apreciação por parte dos gestores, o baixo aprendizado, uma cultura tóxica, entre outros vários, são alguns dos fatores que podemos chamar de “estressores”. Dessa forma, sugiro que a empresa tome atitudes para cuidar dos sintomas de estresse e ansiedade causados por eles.

Porém, é extremamente necessário tratar do bem-estar como algo estrutural, fazendo parte da sua estratégia. As ações precisam ser recorrentes e patrocinadas pela liderança, que deve compartilhar pessoalmente deste valor com a empresa.

Acredito que seja papel da organização capacitar sua liderança para que esta, tenha habilidades socioemocionais e as “happiness skills” desenvolvidas. Assim, o líder poderá servir ao outro e cuidar dos aspectos sociais, ambientais e de governança corporativa, fazendo com que a organização seja sustentável a longo prazo.

O meu objetivo é auxiliar as empresas a fazerem com que o trabalho seja uma fonte de bem-estar para seu colaborador e não um fardo. É preciso gerar segurança psicológica no ambiente de trabalho, ou seja, criar espaço para o colaborador apresentar suas ideias confortavelmente, poder errar (sem ser julgado, por exemplo), cultivar vínculos de confiança, crescer pessoal e profissionalmente, e receber o tão desejado reconhecimento. Isto é a base para a felicidade corporativa.

Felicidade no trabalho é complexo, mas muito animador. Atualmente, muitos trabalhadores talentosos estão migrando para locais de trabalho que se alinhem com seu sistema de crenças pessoais e demonstrem uma preocupação autêntica com o bem-estar individual dos colaboradores (Gallup, 2021).

Está mais do que na hora das organizações olharem verdadeiramente para o seu principal ativo: as pessoas que as compõem. Afinal de contas, sem elas, não existe negócio.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo