Inovação
5 minutos min de leitura

Fomento para inovação: Alavanca estratégica de crescimento para as empresas

O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados.  Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.
Formada em administração, especialista em gerenciamento de projetos, gestão de pessoas, captação de recursos e inovação. CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89 empresas que atuam no hub de inovação, com serviços de consultoria, assessoria e treinamentos em captação de recursos para financiamentos e editais de inovação e Open Innovation. Atua há mais de 12 anos no ecossistema de inovação também como advisor de venture capitals, palestrante, podcaster, escritora, professora e mentora, conquistando com seus clientes diversos prêmios de inovação.

Compartilhar:

O fomento para inovação virou pauta estratégica nos últimos anos devido uma convergência de fatores. A recomposição e previsibilidade de grandes volumes de recursos públicos para inovação, reativação de instrumentos de subvenção e crédito com condições mais favoráveis, fortalecimento de agendas de neoindustrialização e missões tecnológicas, além de um ambiente competitivo pressionado por digitalização, inteligência artificial, descarbonização e reconfiguração de cadeias de suprimento elevou a necessidade cada vez maior por produtividade e diferenciação.

Nesse período, muitas empresas perceberam a importância e necessidade de incentivos fiscais, crédito para inovação, subvenções econômicas e parcerias com Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT’s) como alavanca estratégica de crescimento. Encurtando o tempo de retorno do investimento, liberando o caixa e viabilizando projetos que, no mercado tradicional possuem um custo efetivo muito maior. Para 2026, a perspectiva é de aumento na oferta de recursos financeiros para inovação, competição mais intensa, combinando maior seletividade dos instrumentos, beneficiando quem estiver pronto com esteiras de projetos bem estruturados. As empresas, mais do que nunca, precisam entender e alavancar a combinação de incentivos fiscais, crédito e subvenções.

Em 2024, a Lei do Bem (conjunto de incentivos fiscais para empresas brasileiras que investem PD&I) encerrou o ano somando mais de 4 mil empresas participantes, 14 mil projetos apresentados, e o total de renúncia fiscal somando R$ 12 bilhões, sendo R$ 51 bilhões investidos por estas empresas. Já o Nova Indústria Brasil que é política industrial do governo federal lançada em 2024 para modernizar e fortalecer a indústria brasileira até 2033, somou mais de R$ 3 trilhões em investimentos públicos e privados, um volume que aponta para um cenário de expansão e transformação no ecossistema brasileiro de inovação. Desde 2023, a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já destinaram mais de R$ 57,7 bilhões em recursos para inovação, sendo R$ 33,4 bilhões com recursos da Finep e R$ 24,3 bilhões do BNDES. Em 2025, o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) teve um acúmulo de R$ 7,33 bilhões em recursos não reembolsáveis.

Neste mesmo ano, entre janeiro e setembro de 2025, a Finep e o BNDES aprovaram R$ 14 bilhões em crédito para projetos de inovação no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB). Ainda em 2025, somente no crédito descentralizado a Finep liberou R$ 3 bilhões e para 2026 a Finep já anunciou que serão disponibilizados R$ 1,5 bilhão (30% destes nas regiões N/NE/CO) para o primeiro semestre com possibilidade de acréscimo de valor. O calendário e a capacidade de execução das agências e fontes de fomento podem concentrar janelas de liberações ao longo do ano, o que reforça a importância de preparação antecipada dos projetos, documentação padronizada e governança nas submissões. 

Com este cenário favorável para a ampliação do crédito tanto direto quanto descentralizado, é necessário observar propostas alinhadas às missões do Nova Indústria Brasil (NIB) tendo maior correlação por impacto e métricas ESG e tecnológicas. Os 6 eixos estratégicos de neoindustrialização da NIB focam nas seguintes áreas:

– Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais: Foco em segurança alimentar, com mecanização familiar e máquinas nacionais;

– Complexo econômico-industrial da saúde: Reduzir vulnerabilidades do SUS, produzindo mais insumos, vacinas e tecnologias em saúde no Brasil;

– Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis: Melhorar cidades e bem-estar, com foco em transporte público e adensamento produtivo;

– Transformação digital da indústria: Digitalizar indústrias, ampliar produtividade e participação nacional em novas tecnologias;

– Bioeconomia, descarbonização e transição energética: Garantir recursos para o futuro, com sustentabilidade e energia limpa;

– Tecnologias de interesse para soberania e defesa nacionais: Foco em domínio de tecnologias estratégicas para a defesa e soberania. 


A importância do fomento para inovação visa derrubar o custo de desenvolver projetos porque desloca, dilui e compartilha os principais componentes do risco e do financiamento ao longo do ciclo de pesquisa e desenvolvimento até a escala industrial. Linhas de crédito específicas para inovação, com juros reduzidos, carências e prazos longos, têm custo efetivo inferior ao crédito de mercado e aliviam o fluxo de caixa nos estágios mais incertos, quando a taxa de insucesso é maior. Subvenções econômicas e crédito para inovação cobrem parte das etapas de maior risco tecnológico, diminuindo consideravelmente os custos que seriam inteiramente privados, ajudando as empresas a acelerar o crescimento. 

Neste cenário, é essencial mapear e monitorar de forma contínua as áreas temáticas estratégicas que operam em fluxo contínuo, bem como as chamadas públicas que continuamente são abertas para submissão. Criar uma esteira de projetos bem estruturados aumenta as chances de aprovação e assegura o cumprimento de prazos. Em um cenário de maior volume de recursos, competição mais intensa e maior seletividade dos instrumentos, metodologia e governança tornam-se fatores determinantes. Contar com consultorias experientes em captações de recursos, acelera o ciclo e aumenta significativamente a eficiência em todo processo.

A combinação inteligente desses mecanismos, unindo incentivo fiscal, crédito e subvenção, potencializa a alavancagem de projetos. Na prática, cada real de recurso público e cada ponto percentual de economia tributária substituem capital próprio caro, suavizam o caixa e protegem o investimento na travessia da incerteza, permitindo às empresas apostarem mais em inovação, acelerar a curva de aprendizagem e chegar ao mercado com menor custo por resultado entregue.

Compartilhar:

Formada em administração, especialista em gerenciamento de projetos, gestão de pessoas, captação de recursos e inovação. CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89 empresas que atuam no hub de inovação, com serviços de consultoria, assessoria e treinamentos em captação de recursos para financiamentos e editais de inovação e Open Innovation. Atua há mais de 12 anos no ecossistema de inovação também como advisor de venture capitals, palestrante, podcaster, escritora, professora e mentora, conquistando com seus clientes diversos prêmios de inovação.

Artigos relacionados

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

O problema não começa no canteiro. Só fica visível nele.

Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
4 de novembro de 2026 14H00
Mais do que decidir quanto automatizar, líderes e organizações precisarão aprender a desenhar processos que combinem criatividade, julgamento, validação e execução para gerar resultados melhores do que aqueles que humanos ou máquinas seriam capazes de produzir isoladamente.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de novembro de 2026
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

0 min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
ESG
3 de novembro de 2026 08H00
Velocidade, por si só, não garante melhores decisões. A partir das recentes mudanças nos processos normativos da CVM, o artigo propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar eficiência, excelência técnica e diversidade de perspectivas na construção regulatória.

Renata Oliva Battiferro - Diretora Executiva e Head do Investors Group do 30% Club Brazil

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de novembro de 2026 15H00
Dados não estruturados, documentos físicos e processos legados impactam a adoção da IA e por que a automação inteligente se tornou uma peça-chave dessa transformação. O texto explora por que a preparação dos dados pode ser mais importante do que a própria tecnologia.

Alexandre Cardoso - Business Development Manager da Ricoh LATAM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT