Gestão de Pessoas

Gestão e performance: um lego com muitas peças para acomodar

Reiterar antigos passos e compreender novos fazeres cada vez mais serão necessários neste futuro em desenvolvimento
Athila Machado é cofundador da Mereo, HRTech focada em gestão de performance, talentos, reconhecimento e recompensa.

Compartilhar:

É comum ouvir de gerentes e executivos o quão desafiador pode ser alcançar uma maior maturidade de gestão e performance. As justificativas são as mais variadas e, de fato, me solidarizo, pois não é um caminho fácil, porém é possível alcançá-lo.

Em linhas gerais, a gestão de uma organização é uma estratégia de condução de negócios a melhores resultados, partindo de ações que envolvam a organização de processos, o controle das finanças, a administração dos recursos humanos e materiais e tudo aquilo que é essencial para a sua manutenção. É um conceito amplo, complexo. Já a performance refere-se ao desempenho da empresa no mercado, a capacidade de alcançar resultados e de se destacar da concorrência. E cabe ao gestor, ao lançar mão de diferentes técnicas, arquitetar uma administração de alta performance. Ou seja, a missão é conectar a estratégia da organização com os desafios de forma estruturada, garantindo que todos estejam alinhados em função do resultado.

Além de uma gestão habilidosa e de uma alta performance, é preciso ficar atento a outros quatro pilares essenciais para o bom desempenho de uma organização:

__1) Sucessão:__ mapeamento do plano de continuidade da empresa;

__2) Remuneração variável:__ recompensas por meio dos resultados de cada pessoa de forma estruturada e transparente;

__3) Pesquisas:__ termômetro de cultura empresarial por meio de pesquisas de clima, de saúde mental, de diversidade e termômetro de liderança;

__4) Capacitação:__ governança da gestão de todo o desenvolvimento da equipe.

Ter a gestão na mão requer tempo e muito esforço. A figura abaixo, que remete a um lego, mostra como se dá essa implementação, passo a passo, de acordo com a capacidade de cada empresa. O importante é conectar as partes para a evolução da maturidade de gestão.

![lego gestão](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/1cJbKQnhct0TM3EhBoFdrN/cf44cfecdc2a4a1351a68633ccbd7ec4/Imagem1.png)

No entanto, de nada adianta seguir à risca este esquema se, antes, o gestor não se questionar primeiro: sou um líder ou apenas penso que sou? A palavra liderança vem do latim “auctoritas”, que significa ordem, opinião e influência. É da natureza do ser humano a busca por líderes que tenham esses atributos e que sejam capazes de oferecer foco e direção aos seus liderados.

“Meu líder esconde erros”, “Meu líder não oferece ajuda”, “Meu líder tira conclusões precipitadas”, “Meu líder não aprende com o outro” e “Meu líder não compartilha os méritos” são percepções muito comuns por parte de colaboradores. Percepções essas que impactam diretamente o mais importante pilar da liderança: a confiança. Ela é a base da pirâmide para construção de relação entre líder e liderado.

De acordo com o renomado consultor de liderança Simon Sinek, a confiança deve ser trabalhada em uma equipe com segurança psicológica: “É quando você se sente confortável em dizer a qualquer momento: ‘Cometi um erro’ ou ‘Não sei’. Na verdade, você pode dizer em voz alta: ‘Você me colocou em uma posição em que sinto que preciso de mais treinamento’, e pode fazer isso sem medo de humilhação ou retribuição.”

Na construção da confiança dentro da equipe, ensina Simon, há uma postura chave: se colocar na posição de eterno aprendiz. “Um ponto em comum entre todos os grandes líderes que já conheci é que eles são estudantes de liderança”, pontua o autor dos best-sellers “Comece pelo porquê” e “Encontre seu porquê”.

“A maioria de nós aprendeu liderança com nossos líderes, treinadores ou na escola. Quando estamos no início de nossas carreiras, recebemos treinamento profissional para nos destacarmos em nossas funções. No entanto, as empresas muitas vezes cometem o erro de promover pessoas para posições de liderança e presumir que elas automaticamente sabem como liderar. Grandes líderes estão sempre observando, estudando, aprendendo, evoluindo e melhorando”, explica Simon.

Algumas habilidades humanas básicas que podem auxiliar no cultivo da liderança são a empatia, a escuta ativa e ser um colega solidário. Uma leitura holística do ambiente em situações rotineiras em nossa trajetória profissional é fundamental no processo da relação de confiança.

Voltando ao lego, muitas peças ainda podem estar soltas, buscando o seu encaixe. Prova disso são dados da pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra que a maioria das empresas no Brasil não dura 10 anos, e uma em cada cinco fecha após um ano. Isso mostra que gestão e performance não se alcançam do dia para a noite, não há uma fórmula. É preciso criar um plano de negócios robusto, acompanhar as necessidades do mercado e do público, ter controle financeiro e se atualizar, sempre, na gestão. A lista é imensa, mas vou parar por aqui porque não quero que gestores tenham medo de encarar a montagem do lego.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pressão que não aparece no organograma: a carreira das mulheres exige mais remédios do que reconhecimento

Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade – estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura
Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
ESG
25 de março de 2026 09H00
Quando propósito vira vantagem competitiva, manter impacto e lucro separados é mais que atraso - é miopia estratégica.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

5 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
24 de março de 2026 14H00
Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários - começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...