Uncategorized
Oferecido por:

Gestão, música & chocolate

Entenda a essência de Celso Ricardo de Moraes, presidente do Grupo CRM –conhecido pelas marcas Kopenhagen e Brasil Cacau–, que liderou a joint venture com a empresa suíça de chocolates Lindt & Sprüngli antes de ser ameaçada por sua concorrência
biógrafo e palestrante, escreveu este artigo com exclusividade para HSM Management, baseado na pesquisa feita para o livro Celso Ricardo de Moraes – A Trajetória Vitoriosa do Presidente do Grupo CRM, que incluiu cem horas de entrevistas com Moraes e quase uma centena de pessoas.

Compartilhar:

> **Saiba mais sobre o Grupo CRM**
>
> * Faturamento anual: R$ 1 bilhão (2014) 
> * Fábrica: Extrema (MG) 
> * Marcas de lojas: Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau e Lindt 
> * nº de lojas das três marcas: 923 (28 próprias) 
> * nº de colaboradores: mais de 1.200 diretos; mais de 3.650 indiretos

Uma gigante suíça dos chocolates como a Lindt & Sprüngli quer atuar no Brasil com pontos de venda próprios, concorrendo diretamente com suas butiques de chocolates. O que você faz? Provavelmente, o mesmo que fez o Grupo CRM, dono da Kopenhagen, em março de 2014: estabelece uma joint venture com a nova entrante, neutralizando sua potencial concorrência. As primeiras lojas Lindt abriram em julho, mas um bom estudo de caso sobre a parceria não pode limitar-se a esse movimento. 

A associação com a Lindt é decorrência da trajetória como um todo de Celso Ricardo de Moraes, presidente e controlador do Grupo CRM, herdeiro do laboratório farmacêutico Virtus, cuja paixão maior era a música, não os negócios. A parceria não ocorreria se Moraes não tivesse se recusado a herdar o Virtus, comprando 50% dele com o dinheiro da venda de uma pequena empresa de cilindros de borracha que havia fundado. 

Não ocorreria se não fizesse questão de ter poder de decisão. Não ocorreria se Moraes não despontasse como gestor no Virtus. Por exemplo, ele adquiriu marcas conhecidas como Apracur, Maracugina, Atroveran, Supra-Sumo e Adocyl e revigorou-se –músico, compôs seus jingles pessoalmente. Por conta de seu plano de mídia, o apresentador Silvio Santos cantava “Adocyl! O maior adoçante do Brasil!”, puxando a plateia na TV. A parceria não ocorreria se Moraes não tivesse sabido mudar de setor, trocando remédios por chocolates: ele comprou a Kopenhagen em 1996 e criou a Brasil Cacau em 2009. A história dessa parceria, portanto, tem de ser explicada também pela capacidade gerencial de Moraes.

**INSTINTO E CRIAÇÃO**

Em 1996, Moraes estava prestes a comprar mais uma marca de remédio quando, de repente, o nome Kopenhagen veio à mesa de negociação.

Nada o aconselhava a investir na empresa: sua instalação industrial estava defasada; a fábrica ficava em um dos bairros mais caros de São Paulo; as cem lojas próprias necessitavam de enorme capital para serem modernizadas; a marca, mesmo tão tradicional, mantinha relação distante com os consumidores. Na Kopenhagen, havia investimentos demais a fazer. E o retorno era uma incógnita. Provavelmente consultores não recomendariam o negócio. Moraes seguiu seu instinto, no entanto, e não a cartilha usual, entrando no ramo de chocolates (mais tarde, venderia o Virtus). Com criatividade –ele considera instinto e criatividade seus pontos fortes–, logo implementou novidades que deram vida nova à Kopenhagen: 

• a fábrica foi toda renovada e, assim que possível, transferida para Tamboré e, depois, para um complexo de 33 mil m2 na cidade mineira de Extrema; 

• as lojas mudaram de layout; 

• a rede, até então composta apenas por lojas próprias, teve quase 100% delas transformadas em franquias; 

• a marca tornou-se mais acolhedora aos clientes graças ao treinamento dos funcionários e ao investimento em marketing. 

Também foram seu instinto e criatividade que guiaram Moraes na criação de uma segunda marca de chocolates para atender os consumidores da classe média emergente, em consonância com a mudança demográfica brasileira: a rede de lojas Brasil Cacau. Seu instinto estava certo e a criatividade funcionou nas duas vezes. A rede de lojas Kopenhagen superou as 340 unidades, e a rede Brasil Cacau, as 570 lojas.

**JOGO DE CINTURA**

O plano seguinte de Carlos Moraes era internacionalizar suas marcas de chocolates. Preparava isso como um marco digno dos 90 anos da Kopenhagen, a serem celebrados em 2018. No entanto, o instinto, a criatividade e, sim, a flexibilidade levaram o empresário e sua equipe ao caminho inverso, abrindo uma nova rede de lojas em parceria com a multinacional suíça Lindt & Sprüngli, neutralizando o que poderia vir a ser uma concorrente poderosa. A Lindt entra com o fornecimento de chocolates, e o Grupo CRM cuida dos pontos de venda; a Lindt tem 51% do capital, e o CRM, 49%. Ainda não se prevê a produção dos chocolates Lindt no Brasil, mas isso pode ser revisto no futuro. O Grupo CRM conseguiu manter o domínio das butiques de chocolates do Brasil, e o resto é história.

**A SUCESSORA**

Renata, filha única de Celso Moraes, tem muitos anos de empresa: trabalha na Kopenhagen desde os 16. Aos 28, ela é vice-presidente e está preparada para a sucessão, depois de assumir a gerência comercial do grupo aos 20 anos e a diretoria comercial aos 24. Em todas as suas ascensões de carreira, mostrou capacidade de cumprir as metas estabelecidas. Sua missão agora é sobretudo cuidar da operação diária e liberar Celso Moraes para focar ações estratégicas e a expansão dos negócios, porém foram ela e o marido, Fernando Vichi, também atuante na empresa, que conduziram as negociações com a Lindt & Sprüngli. 

> **Nasce  um  gestor  aos  8 ANOS**
>
> aos 8 anos de idade, Celso Moraes recebeu do pai uma lição que carrega por toda a vida. Ele tinha aprendido a tocar piano e queria ter o instrumento em casa. Seus pais eram separados e ele pediu à mãe, que repassou o pedido ao pai: – Posso dar o piano para o Celso, sim, se ele cumprir uma meta: tocar a música Tico-Tico no Fubá sem errar nada. o menino treinou muito e conseguiu tocar com perfeição quatro das cinco estrofes. Foi aplaudido por todos os familiares na plateia, menos o pai: – dói mais em mim do que em você, mas não lhe darei o piano, porque a condição era não errar. Mas você terá uma segunda chance, em um mês. aproveite-a. o menino de 8 anos treinou mais do que nunca e, chegada a hora, deu um show, em meio às lágrimas da mãe. dessa vez, o pai o aplaudiu e, claro, ele ganhou o piano. o estilo gerencial de Moraes, em especial no que diz respeito a seu apego a metas, ao perfeccionismo, à disciplina e à persistência, talvez se tenha definido nesse momento, aos 8 anos de idade.

**MAIOR SEGREDO**

E a música? Moraes tem 70 anos e nunca a abandonou. Talvez este seja seu maior segredo: uma vida dupla em que faz aquilo de que gosta. Ele já compôs em parceria com Toquinho e Luiz Ayrão e foi cantado por Alcione, Jair Rodrigues, Daniel e Simoninha.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
20 de agosto de 2026 18H00
Há um problema crescente nas organizações que não aparece nos dashboards nem nos relatórios: a desconexão humana. Ela se manifesta em relações fragilizadas, conversas evitadas e culturas que existem no discurso, mas encontram dificuldade para ganhar vida no cotidiano.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução