Bem-estar & saúde, Estratégia
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Hyper-growth: o desafio não é acelerar, é sustentar a velocidade

O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

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Crescer significa abrir mercados, ampliar times, lançar produtos, tomar mais decisões e operar com níveis cada vez maiores de complexidade. O que funcionava quando a empresa tinha 100 pessoas pode deixar de funcionar quando ela tem 500. Uma decisão que antes afetava um pequeno grupo passa a impactar milhares. E aquilo que era exceção rapidamente vira rotina. Já vivi isso quando cheguei à TotalPass. Ainda adoro estar com clientes e academias, por exemplo, e não abro mão disso. O que mudou é que deixei de ser o caminho obrigatório. O time não precisa me esperar para avançar.

Por isso, após viver alguns ciclos de crescimento acelerado, passei a enxergar o hyper-growth de uma forma diferente. O desafio não é apenas ganhar velocidade. É construir uma organização capaz de sustentar essa velocidade sem perder qualidade de decisão, capacidade de execução e disposição para continuar aprendendo.

Essa é uma distinção importante. Uma empresa pode crescer durante algum tempo baseada em intensidade. Pessoas trabalham mais, líderes centralizam decisões, times absorvem mais responsabilidades e a organização encontra energia para atravessar cada novo desafio.

O problema é quando esse modelo deixa de ser exceção e vira infraestrutura.

O Work Trend Index 2025, da Microsoft, realizado com 31 mil profissionais em 31 países, mostrou que 53% dos líderes dizem que a produtividade precisa aumentar, enquanto 80% da força de trabalho global, incluindo líderes, afirma não ter tempo ou energia suficientes para realizar seu trabalho. Este dado também revela uma tensão que empresas em crescimento não podem ignorar: estamos exigindo mais performance de pessoas que já sentem que não têm recursos suficientes para entregar o que delas se espera.

O problema não é trabalhar duro. Empresas ambiciosas inevitavelmente atravessam períodos de intensidade. O problema é depender permanentemente dela.

Quando todos operam no limite por tempo demais, a conta aparece de outras formas: decisões menos consistentes, menor capacidade de priorização, retrabalho, dificuldade de adaptação e líderes que passam mais tempo reagindo do que construindo o próximo ciclo de crescimento. É nesse ponto que comecei a pensar em uma dimensão que ainda costuma ser tratada como periférica à estratégia: a energia necessária para sustentar performance.

Costumamos falar muito sobre capital profissional. Ele reúne experiência, repertório, conhecimento, relacionamentos, reputação e capacidade de execução. É aquilo que construímos ao longo da carreira.

Mas existe outro ativo igualmente importante: o capital biológico.

Capital biológico é a condição física, cognitiva e emocional que permite transformar todo esse repertório em boas decisões e execução consistente. Não adianta acumular experiência se, ao longo do tempo, consumimos a capacidade de utilizá-la.

Em hyper-growth, essa distinção ganha ainda mais importância. Uma liderança não precisa tomar uma boa decisão apenas uma vez. Precisa fazer isso repetidamente, em ciclos cada vez mais rápidos, enquanto o negócio se torna mais complexo.

É por isso que energia, recuperação, atividade física, saúde mental e outros componentes do wellness não deveriam ser vistos apenas como benefícios oferecidos às pessoas. Quando conectados à estratégia, eles também dizem respeito à capacidade de uma organização continuar performando.

Na TotalPass, vivemos essa equação diariamente. Em cinco anos, saímos de 3 mil para mais de 50 mil empresas, chegando a 2,5 milhões de usuários. Hoje, conectamos essas empresas e usuários a uma rede de mais de 40 mil academias e estúdios. Esses números representam escala, mas também representam complexidade.

A cada nova empresa, usuário, parceiro, mercado ou produto, aumentam as interdependências e o número de decisões que precisam ser tomadas. Em uma organização desse tamanho, uma decisão ruim permanece raramente isolada. Ela pode se multiplicar rapidamente.

Isso muda também a forma como penso sobre liderança.

Em uma empresa em crescimento acelerado, não é possível construir escala fazendo com que poucas pessoas absorvam indefinidamente toda a complexidade. O papel da liderança é transformar capacidade individual em capacidade organizacional: distribuir decisões, desenvolver novos líderes, criar autonomia e construir sistemas que permitam que a empresa avance sem depender de um pequeno grupo de pessoas para cada escolha.

Na prática, isso significou uma evolução e amadurecimento das médias lideranças. Desenvolvemos cada vez mais a escuta ativa e a confiança entre os times. Um lema que sempre falamos aqui é “falar para a pessoa e não sobre a pessoa”. Isso faz com que os valores ‘voz’ e ‘transparência’ se tornem fortes e altamente capazes de construir o que é preciso para a empresa crescer em escala.

No fundo, hyper-growth é também um desafio de multiplicação. Por isso, precisamos multiplicar clientes, produtos e mercados, mas também a capacidade de decisão da organização. E isso exige pessoas capazes de sustentar performance ao longo de muitos ciclos, não apenas de entregar um pico de esforço.

É aqui que o wellness ganha uma dimensão estratégica.

Não se trata de defender uma empresa em que as pessoas trabalhem menos ou de substituir ambição por conforto. É exatamente o contrário. A questão é entender o que uma organização precisa fazer para continuar exigindo alta performance sem consumir os recursos que tornam essa performance possível.

O relatório publicado em 2025 pelo McKinsey Health Institute, em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, estima que melhorias na saúde e no bem-estar da força de trabalho poderiam gerar até US$ 11,7 trilhões em valor econômico global, considerando efeitos como produtividade, presenteísmo, absenteísmo, atração e retenção.

O número ajuda a colocar a discussão no lugar certo: saúde e bem-estar não são apenas uma agenda de pessoas. Também são uma agenda de produtividade, capacidade organizacional e crescimento. Para mim, essa é uma das grandes mudanças de perspectiva que o hyper-growth exige.

Durante muito tempo, associamos alta performance à capacidade de suportar pressão. Talvez o próximo estágio seja entender que alta performance está mais relacionada à capacidade de sustentar pressão, recuperar-se, aprender e voltar a performar em um nível alto. A diferença parece pequena, mas muda completamente a gestão.

Porque as empresas podem crescer durante algum tempo apoiadas em intensidade permanente. Sustentar esse crescimento exige outra coisa: uma organização capaz de preservar a energia, a capacidade de decisão e a qualidade de execução que tornam o crescimento possível. No fim, o verdadeiro desafio do hyper-growth não é descobrir como acelerar.

É construir uma empresa que continue capaz de acelerar amanhã.

E depois de amanhã.

E quando for duas, cinco ou dez vezes mais complexa.

É nesse ponto que wellness deixa de ser secundário e passa a ser parte da infraestrutura de crescimento.

Porque a velocidade pode impulsionar uma empresa, mas é a capacidade de sustentar essa velocidade que permite que ela realmente escale.

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CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

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