Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Inovação sem métricas é apenas experimentação

Inovação não falha por falta de ideias, mas por falta de métricas - o que não é medido vira entusiasmo; o que é mensurado vira estratégia.
Idealizado em parceria entre Learning Village, CESAR e Automotive Business, o Hub Mobilidade do Learning Village se posiciona como um epicentro de inovação e tecnologia no setor.
Com 18 anos de experiência no setor automotivo e de mobilidade sendo os últimos 8 anos dentro da área de inovação, tradutora (francês e italiano) de formação pela UNESP com pós-graduação pela Università di Reggio Calabria (Itália) em Língua e Cultura Italiana e sempre em busca do novo e de novas formas de ver o mundo. Gerente de Inovação Aberta, responsável pelo Stellantis Ventures na América do Sul, célula de inovação aberta da empresa, reconhecida pelo CUBO como uma das pessoas em grandes corporações mais influentes do ecossistema de inovação, curso pela Netexplo em Transformação Digital (Paris) e no IPTEC em Inovação para Executivos (Universidade do Porto – Portugal)

Compartilhar:

Ao longo da minha jornada de oito anos trabalhando no ecossistema de inovação aberta, tenho refletido sobre uma questão que se tornou bastante clara para mim: muitos projetos com potencial enorme para gerar valor se perdem pelo caminho simplesmente por não terem sido medidos ou tangibilizados adequadamente. Sem o respaldo de métricas sólidas, a inovação corre o risco constante de ser percebida como algo “interessante de se ter”, mas sem o peso estratégico necessário para impactar verdadeiramente o negócio. E isso se torna um grande erro.

Se o objetivo é que inovação seja tratada como estratégica e uma prioridade, o ponto de partida deve ser o básico para toda área com o mesmo propósito: definir KPIs claros, mensuráveis e tangíveis. Não se trata de mostrar resultados, mas, na verdade, fornecer insumos para os tomadores de decisão que sejam capazes de garantir que estamos investindo onde realmente faz sentido. Tenho uma pergunta de ouro que sempre faço: “qual impacto este projeto irá trazer para a empresa sob a ótica de novas receitas, savings ou cost avoidance?”

Essa visão é essencial para compreender não apenas o retorno financeiro imediato, mas também o posicionamento competitivo da empresa diante do mercado. Um exemplo prático dessa aplicação é a métrica de Gross Margin Opportunity, criada por nós na Stellantis. O objetivo é priorizar projetos com base no ganho real esperado e no impacto direto na margem bruta, permitindo que soluções com potencial de gerar milhões em economia, rentabilidade ou receita assumam o topo das prioridades. Isso nos permite separar os projetos por ordem de grandeza para tomar decisões mais assertivas. Entretanto, medir a inovação não é restringir apenas ao resultado final. É também sobre acompanhar todo o processo de eficiência do funil corporativo. É fundamental acompanhar KPIs como a taxa de conversão – que indica quantas startups precisam ser abordadas para o fechamento de pilotos – e, de forma ainda mais profunda, definir uma taxa de sucesso que revela quantos desses pilotos evoluem para uma implementação e quantos deles entregaram resultados reais.

Esses números são os principais indicadores de eficiência, mostrando onde a organização está perdendo oportunidades ao longo do caminho. Nesse contexto, surge uma mudança de mentalidade necessária: substituir a tradicional Prova de Conceito (POC) pela Prova de Valor (POV). Dado que o conceito técnico muitas vezes já foi validado pelo parceiro, o que realmente importa para a corporação é saber se a solução gera impacto real e se está alinhada às prioridades estratégicas do negócio. Essa mudança é essencial para que inovação não seja apenas sobre testar tecnologias, mas gerar valor concreto.

Por fim, é crucial que o rigor da mensuração não se torne uma barreira intransponível para projetos altamente disruptivos. Eu gosto de pensar inovação como a gestão de uma carteira de investimentos, onde os projetos incrementais (H1), com retorno rápido, ajudam a sustentar as iniciativas disruptivos (H3), que possuem ciclos mais longos, mas o poder de transformar o negócio. Esse equilíbrio é o que evita que ideias ousadas sejam descartadas precocemente por falta de visão de longo prazo. Para que a inovação aberta seja definitivamente assimilada como estratégica, seus KPIs precisam ser claros e visíveis para o Board e para toda a companhia, gerando engajamento em todas as camadas da organização. Afinal, inovação sem métricas é só experimentação, enquanto a inovação sustentada por accountability é verdadeiramente estratégica.

Compartilhar:

Idealizado em parceria entre Learning Village, CESAR e Automotive Business, o Hub Mobilidade do Learning Village se posiciona como um epicentro de inovação e tecnologia no setor.

Artigos relacionados

Cultura organizacional, Liderança
29 de novembro de 2025
Por trás das negociações brilhantes e decisões estratégicas, Suits revela algo essencial: liderança é feita de pessoas - com virtudes, vulnerabilidades e escolhas que moldam não só organizações, mas relações de confiança.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

3 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing & growth
28 de novembro de 2025
De um caos no trânsito na Filadélfia à consolidação como código cultural no Brasil, a Black Friday evoluiu de liquidação para estratégia, transformando descontos em inteligência de precificação e redefinindo a relação entre consumo, margem e reputação

Alexandre Costa - Fundador do grupo Attitude Pricing (Comunidade Brasileira de Profissionais de Pricing)

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de novembro de 2025
A pergunta “O que você vai ser quando crescer?” parece ingênua, mas carrega uma armadilha: a ilusão de que há um único futuro esperando por nós. Essa mesma armadilha ronda o setor automotivo. Afinal, que futuros essa indústria, uma das mais maduras do mundo, está disposta a imaginar para si?

Marcello Bressan, PhD, futurista, professor e pesquisador do NIX - Laboratório de Design de Narrativas, Imaginação e Experiências do CESAR

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Liderança
26 de novembro de 2025
Parar para refletir e agir são forças complementares, não conflitantes

Jose Augusto Moura - CEO da brsa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
25 de novembro de 2025

Rafael Silva - Head de Parcerias e Alianças na Lecom Tecnologia

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
24 de novembro de 2025
Quando tratado como ferramenta estratégica, o orçamento deixa de ser controle e passa a ser cultura: um instrumento de alinhamento, aprendizado e coerência entre propósito, capital e execução.

Dárcio Zarpellon - Chief Financial Officer na Hypofarma

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de novembro de 2025
Antes dos agentes, antes da IA. A camada do pensamento analógico

Rodrigo Magnano - CEO da RMagnano

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
21 de novembro de 2025
O RH deixou de ser apenas operacional e se tornou estratégico - desmistificar ideias sobre cultura, engajamento e processos é essencial para transformar gestão de pessoas em vantagem competitiva.

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

3 minutos min de leitura
Inteligência Artificial, Liderança
20 de novembro de 2025
Na era da inteligência artificial, a verdadeira transformação digital começa pela cultura: liderar com consciência é o novo imperativo para empresas que querem unir tecnologia, propósito e humanidade.

Valéria Oliveira - Especialista em desenvolvimento de líderes e gestão da cultura

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de novembro de 2025
Construir uma cultura organizacional autêntica é papel estratégico do RH, que deve traduzir propósito em práticas reais, alinhadas à estratégia e vividas no dia a dia por líderes e equipes.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...