Cultura organizacional, Liderança
3 minutos min de leitura

Liderar além do “script”: dos tribunais de “Suits” para o mundo corporativo

Por trás das negociações brilhantes e decisões estratégicas, Suits revela algo essencial: liderança é feita de pessoas - com virtudes, vulnerabilidades e escolhas que moldam não só organizações, mas relações de confiança.
Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Compartilhar:


Se existe algo que a série Suits nos lembra, é que por trás de cada reunião de portas fechadas, de cada negociação brilhante, e de cada veredito decisivo … existem pessoas. Pessoas complexas, contraditórias, que agem tanto por ambições quanto por fragilidades. Para mim, é inevitável assistir a séries e não me pegar analisando os comportamentos humanos e fazendo reflexões corporativas a partir delas. Jessica Pearson é a personificação do que é sustentar uma organização inteira nas costas. Ela é a líder visionária que, mesmo com autoridade, carrega a solidão das grandes decisões. Alguém que compreende o jogo do poder e tem uma enorme necessidade de dominar esse tabuleiro para proteger seu time (e seus clientes). A postura de líderes como Jessica ilustra uma virtude importantíssima para organizações sustentáveis: a prudência. Ou seja, ter a habilidade de olhar além do imediato e pensar nas consequências. Mas ela também traz um ponto de atenção, pois quando uma líder tenta carregar tudo sozinha, acaba sobrando pouco espaço para descansar, confiar nos outros ou dividir o peso das decisões.

Harvey Specter é o arquétipo do líder que se apoia no talento, na autoconfiança quase inabalável e na habilidade de operar sob pressão. No mundo real, encontramos muitos líderes assim: brilhantes, rápidos, assertivos. Eles são capazes de mover montanhas, mas às vezes atropelam caminhos, pagando um preço alto, tanto para eles quanto para quem os acompanha. A maior força desse tipo de líder é a coragem, mas seu maior desafio é encontrar equilíbrio. Louis Litt é vulnerável, emocional e intenso. Diferentemente de inúmeros líderes, muito mais do que autoridade, seu desejo mais profundo é por reconhecimento. Uma característica marcante de Litt também é sua diligência. Ele é aquele tipo de profissional que se aprofunda nos detalhes, que leva os processos a sério e se esforça para fazer o melhor possível, porque entende que fazer bem feito é uma forma de respeitar e ganhar respeito. E talvez seja justamente essa dedicação, mesmo quando suas emoções o colocam em conflito com os outros, que o torna tão indispensável. Mike Ross é o gênio intuitivo, brilhante mas nem sempre disciplinado. Nas organizações, ele representa os profissionais que brilham quando são guiados por líderes que enxergam além do currículo e do diploma (no caso dele, literamente!). Mike simboliza bem a ideia da esperança e de uma confiança no potencial que ainda está se desenvolvendo dentro de cada um.

Olhando este time, vemos que as organizações continuam sendo espaços de convivência humana. E convivência humana é sempre um encontro entre imperfeições. E sabemos que no fim, é impossível sustentar boas decisões se não sustentarmos antes as boas relações. Porque a estratégia para os negócios só é bem executada quando existe confiança. A inovação só acontece quando existe segurança psicológica. A performance só se mantém quando existe presença e atenção plena (consigo mesmo, com os outros e com o contexto). E presença não é um estado automático, mas uma escolha consciente. É também a base de uma liderança que não age apenas por reação, mas por intenção.


Sem conexão humana, nada disso se sustenta. E talvez seja justamente agora, nesse momento de fechamento de ciclo, em que revisamos o ano que passou e começamos a desenhar o próximo, a melhor hora para reavaliar não só as metas e resultados, mas também os comportamentos visíveis, as relações conquistadas e os vínculos estabelecidos. Porque somente assim iremos compreender que cada Harvey precisa de um pouco de Louis para continuar humano. Que cada Jessica também merece descanso. Que cada Mike precisa de mentoria para amadurecer e evoluir. E que todos nós precisamos, de vez em quando, de um espaço onde possamos ser simplesmente pessoas e não personagens do nosso próprio “script” de uma série corporativa com inúmeras temporadas.

Compartilhar:

Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Artigos relacionados

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Tecnologia & inteligencia artificial
29 de outubro de 2026 08H00
A evolução da manutenção preditiva está levando a inteligência artificial para além da detecção de falhas. Sistemas multiagentes especializados começam a atuar como apoio para diferentes perfis profissionais, conectando análises técnicas, indicadores operacionais e recomendações de ação em um único fluxo de trabalho. O resultado é uma tomada de decisão mais rápida, contextualizada e alinhada às necessidades da operação.

Bernardo Murta - Principal Engineer da Dynamox

3 minutos min de leitura
Estratégia
28 de outubro de 2026 15H00
Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

Alexandre Farias Benjamim, - Sociólogo e membro do Conselho Fiscal da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de outubro de 2026 08H00
A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Marcelo Martini - Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de outubro de 2026 15H00
O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Afonso Morais - Fundador do escritório Pardi e Morais Consultores Jurídicos e Criador e apresentador do podcast Falando de Fraudes

6 minutos min de leitura
Estratégia
27 de outubro de 2026 08H00
Na teoria, cada contato acontece no momento certo e segue o fluxo previsto. Na prática, volume, prioridades e limitações operacionais exigem adaptações constantes. O desafio das empresas não é criar estratégias perfeitas, mas garantir que elas resistam às pressões do dia a dia sem perder seu propósito original.

Guilherme Busch - VP da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de outubro de 2026 15H00
Quando a visibilidade se transforma em critério implícito de reconhecimento, profissionais podem passar a priorizar projetos que geram exposição em detrimento daqueles que realmente precisam ser feitos. O artigo explora como o loud working pode afetar a colaboração e a dinâmica das equipes.

João Paulo Batistella - Fundador e CEO da Eleva Technologies,

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de outubro de 2026 08H00
De onde vem o termo, o que existe ao redor de um agente e por que transformar capacidade de raciocínio em trabalho confiável é uma decisão de gestão, não apenas de tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
25 de outubro de 2026 14H00
À medida que a inteligência artificial transforma funções, processos e competências, cresce a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos para encontrar profissionais preparados para um cenário de constante transformação. O desafio não é apenas contratar talentos, mas desenvolver a capacidade de adaptação dentro das organizações.

Daniela Camargo - Head of People & Culture da VOLL

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de outubro de 2026 08H00
Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em diferentes regiões do planeta e tendem a se intensificar nas próximas décadas. Mais do que reagir aos desastres quando eles acontecem, o texto defende uma abordagem baseada em prevenção, planejamento e uso estratégico da tecnologia para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação.

Álvaro Trilho - Diretor de Riscos da WTW Brasil

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
24 de outubro de 2026 14H00
A disponibilidade constante passou a ser confundida com produtividade. Mas, enquanto profissionais são cobrados por respostas rápidas, cresce a necessidade de concentração para realizar atividades que exigem análise, criatividade, julgamento e tomada de decisão. O artigo propõe uma reflexão sobre o valor do silêncio digital no trabalho, mostrando por que organizações que desejam melhores resultados precisam aprender a proteger a atenção das pessoas, e não apenas monitorar sua presença online.

Juliana Marinelli - Pesquisadora pHd de bem-estar digital

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução