Se existe algo que a série Suits nos lembra, é que por trás de cada reunião de portas fechadas, de cada negociação brilhante, e de cada veredito decisivo … existem pessoas. Pessoas complexas, contraditórias, que agem tanto por ambições quanto por fragilidades. Para mim, é inevitável assistir a séries e não me pegar analisando os comportamentos humanos e fazendo reflexões corporativas a partir delas. Jessica Pearson é a personificação do que é sustentar uma organização inteira nas costas. Ela é a líder visionária que, mesmo com autoridade, carrega a solidão das grandes decisões. Alguém que compreende o jogo do poder e tem uma enorme necessidade de dominar esse tabuleiro para proteger seu time (e seus clientes). A postura de líderes como Jessica ilustra uma virtude importantíssima para organizações sustentáveis: a prudência. Ou seja, ter a habilidade de olhar além do imediato e pensar nas consequências. Mas ela também traz um ponto de atenção, pois quando uma líder tenta carregar tudo sozinha, acaba sobrando pouco espaço para descansar, confiar nos outros ou dividir o peso das decisões.
Harvey Specter é o arquétipo do líder que se apoia no talento, na autoconfiança quase inabalável e na habilidade de operar sob pressão. No mundo real, encontramos muitos líderes assim: brilhantes, rápidos, assertivos. Eles são capazes de mover montanhas, mas às vezes atropelam caminhos, pagando um preço alto, tanto para eles quanto para quem os acompanha. A maior força desse tipo de líder é a coragem, mas seu maior desafio é encontrar equilíbrio. Louis Litt é vulnerável, emocional e intenso. Diferentemente de inúmeros líderes, muito mais do que autoridade, seu desejo mais profundo é por reconhecimento. Uma característica marcante de Litt também é sua diligência. Ele é aquele tipo de profissional que se aprofunda nos detalhes, que leva os processos a sério e se esforça para fazer o melhor possível, porque entende que fazer bem feito é uma forma de respeitar e ganhar respeito. E talvez seja justamente essa dedicação, mesmo quando suas emoções o colocam em conflito com os outros, que o torna tão indispensável. Mike Ross é o gênio intuitivo, brilhante mas nem sempre disciplinado. Nas organizações, ele representa os profissionais que brilham quando são guiados por líderes que enxergam além do currículo e do diploma (no caso dele, literamente!). Mike simboliza bem a ideia da esperança e de uma confiança no potencial que ainda está se desenvolvendo dentro de cada um.
Olhando este time, vemos que as organizações continuam sendo espaços de convivência humana. E convivência humana é sempre um encontro entre imperfeições. E sabemos que no fim, é impossível sustentar boas decisões se não sustentarmos antes as boas relações. Porque a estratégia para os negócios só é bem executada quando existe confiança. A inovação só acontece quando existe segurança psicológica. A performance só se mantém quando existe presença e atenção plena (consigo mesmo, com os outros e com o contexto). E presença não é um estado automático, mas uma escolha consciente. É também a base de uma liderança que não age apenas por reação, mas por intenção.
Sem conexão humana, nada disso se sustenta. E talvez seja justamente agora, nesse momento de fechamento de ciclo, em que revisamos o ano que passou e começamos a desenhar o próximo, a melhor hora para reavaliar não só as metas e resultados, mas também os comportamentos visíveis, as relações conquistadas e os vínculos estabelecidos. Porque somente assim iremos compreender que cada Harvey precisa de um pouco de Louis para continuar humano. Que cada Jessica também merece descanso. Que cada Mike precisa de mentoria para amadurecer e evoluir. E que todos nós precisamos, de vez em quando, de um espaço onde possamos ser simplesmente pessoas e não personagens do nosso próprio “script” de uma série corporativa com inúmeras temporadas.





