Diversidade
Oferecido por:

Lugar de cuidar é lugar de mulher?

No Dia Internacional da Mulher, HSM Management convida a executiva da Dasa Andrea Dolabela para rediscutir a grande habilidade associada ao sexo feminino, ainda reforçada mesmo na gestão de empresas: cuidar de pessoas
Em 2018, Andrea Dolabela trocou o mercado financeiro pela área da saúde e assumiu como diretora geral de produtos, marketing e experiência de uma das maiores empresas do setor no Brasil. Sob seu comando, estão 400 funcionários, dos quais 90 ligados à experiência do consumidor – a cuidar.

Compartilhar:

Ao longo dos séculos, a imagem da mulher foi constantemente associada à habilidade do cuidar. E isso não foi por acaso. Essa construção sociocultural é fruto de processos que procuraram dissimular as desigualdades de gênero e justificar determinados lugares que seriam “naturais” às mulheres.

Por outro lado, a habilidade do cuidar também é um atributo do feminino. E, não por isso, exclusivo do gênero. Faço essa rápida reflexão para trazer minha visão sobre o papel das mulheres hoje. Talvez tenhamos, mesmo, a sensibilidade aguçada. Mas destacar esta característica como nossa maior habilidade é uma visão limitada sobre o lugar histórico onde nos encontramos e, principalmente, para o destino que nos espera.

Entre a época em que mulheres morriam por não ter direitos iguais, ou mesmo direitos, e a realidade de hoje – que ainda demanda lutas – é preciso reconhecer que nossa sensibilidade está a serviço de outras frentes. Muitas outras frentes.

Sim, elas cuidam – inclusive em customer experienceNa fase mais aguda da pandemia, ouvi das nossas médicas e médicos que o toque humano, a compreensão e a empatia são essenciais para que passemos por esse momento de enorme dificuldade. A pandemia mostrou a todos nós que uma experiência humanizada é fundamental na área da saúde. E é isso que importa para quem está do outro lado da linha. Porque assim como a sensibilidade é uma habilidade de homens e mulheres, a excelência profissional também não está condicionada ao gênero.

Hoje, eu e meu time respiramos todos os dias um desafio grandioso: cuidar da experiência das pessoas na saúde. Como estamos lidando com a vida, essa experiência é uma tarefa que endereça produtos e serviços que contribuem para a resolução de angústias e promovem cuidados para pessoas com idades de 0 a 100 anos, aliando a tecnologia, design e algoritmos de inteligência artificial ao cuidado que acolhe. E, por mais tecnologia que exista para melhorar essa jornada, ela tem que ser, antes de tudo, humanizada.

Mas, como nessa rotina corrida, conseguimos conciliar agilidade, eficiência e entregar respostas efetivas? A resposta, simples, muitas vezes é esquecida: olhando para o outro. Hoje, eu tenho um time de customer experience multidisciplinar dedicado a isso, onde 50% são mulheres, e essa equipe é responsável pela facilitação da jornada do consumidor.

## Mas elas também são 40% do corpo de cientistas
Por trás das conquistas femininas em diversas áreas, celebradas hoje e em todos os outros dias do ano, estão mulheres e homens excepcionais liderando, ensinando e reunindo pessoas para alcançar feitos para toda a sociedade. E, entre elas, são profissionais que também cuidam, mas não só. Na empresa de saúde em que trabalho, as mulheres vão da customer experience à ciência. Um total de 40% dos nossos cientistas são mulheres, bem diferente da época da Idade Média em que os homens eram considerados grandes alquimistas, inteligentes e essenciais para o desenvolvimento científico, e as mulheres que atuavam na ciência tidas como bruxas e eram torturadas.

Ainda assim, alcançamos nossas posições de destaque por meio de nomes como a francesa Marie Curie: uma das pioneiras no estudo da radioatividade espontânea, Elizabeth Blackwell; americana conhecida por ser a primeira mulher a praticar medicina nos EUA, a agrônoma Johanna Döbereiner, brasileira que também teve sua representação, cujo estudo sobre a fixação de nitrogênio lhe renderam uma indicação para o Prêmio Nobel de Química em 1997.

O lugar da mulher é onde ela quiser, e vai ser sempre além do cuidar. Essa é a construção histórica que estamos vivendo e fazendo, e contribuir com isso também é papel das lideranças empresariais. Estou certa de que, muito em breve, a discussão sobre o nosso papel, sobre as nossas diversas contribuições à sociedade,[deixará de estar na pauta da construção](https://www.revistahsm.com.br/post/mulheres-jamais-pecam-permissao) da equidade de gênero, por se tratar de algo, enfim, naturalizado. Tão natural quanto cuidar.

Veja também:[Mais mulheres para criar futuros mais humanos](https://www.revistahsm.com.br/post/mais-mulheres-para-criar-futuros-mais-humanos)

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

Oferecido por:
7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução