Uncategorized
Oferecido por:

Multiplique perspectivas na vida real

Guilherme Soárez, CEO da HSM

Compartilhar:

Um garçom que trabalha para uma família milionária é atropelado enquanto anda de bicicleta e o responsável foge. Essa é a trama básica do filme italiano _Capital humano_, que parece, à primeira vista, um filme de suspense sobre quem atropelou o rapaz e como escapará da punição. No entanto, conforme o enredo evolui, diferentes perspectivas vão sendo apresentadas, e quem era inocente passa a ser culpado, e quem era vilão ganha alguns tons de vítima.

Mais ou menos a mesma linha é abordada no filme O _filho do outro_, em que duas crianças nascem sob um bombardeio e são trocadas na maternidade – a palestina é entregue à família israelense e vice-versa. Quando o jovem supostamente judeu precisa servir o Exército e descobre que seu sangue não é compatível com o dos pais, a confusão vem à tona, e, com ela, um drama sobre as diferenças e as perspectivas diferentes. O que fazer quando você descobre que pertence ao grupo a quem tanto criticava?

Exibo aqui meu lado cinéfilo, porque estou convencido de que multiplicar perspectivas nunca foi tão importante como agora, em todos os fronts, incluindo o empresarial. Não é possível trocar de família judia para uma muçulmana para ver o que o outro enxerga, como no segundo filme, mas há uma maneira de fazer isso: exercitando a empatia. Em especial no caso da liderança, não há como um líder liderar sem se colocar no lugar dos outros, sem entender que há pontos de vista diferentes do seu, sem aceitar que seu ponto de vista não é um retrato fiel da realidade. 

Muitas vezes, na loucura do cotidiano, esquecemos esse “detalhe”. Mas o líder Jeff Bezos, por exemplo, não esqueceu. Não esqueceu em 2015, quando o _New York Times_ publicou uma matéria sobre como sua empresa colocava a inovação e o desempenho acima do bem-estar de seus funcionários, e ele a compartilhou com os funcionários abrindo seu e-mail para queixas. Recebeu todas, leu e, um ano depois, anunciou mudanças significativas. Agora, foi empático de novo: anunciou um aumento salarial que beneficiará 350 mil colaboradores, usando três palavras: “Ouvimos nossos críticos”. Entendeu as perspectivas alheias.

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie, no famoso TED em que ela fala sobre o perigo da história única, explica que existem muitos pontos de vista possíveis em uma mesma realidade. E a inteligência artificial e o big data estão nos mostrando, cada vez mais, que cada pessoa é só um “pedaço” desse mosaico de individualidades que o mundo atual permite existir. Cada perspectiva é resultado da visão pessoal, moldada por experiências de vida, valores, estado de espírito e muito mais. E é de nossa natureza termos nossa perspectiva e negar as dos outros.

Só que negar os outros é uma rua sem saída para a evolução, para a eficiência e para a inovação. Multiplicar perspectivas é do seu melhor interesse. O consultor e coach Steffan Surdek sugeriu, na Forbes, como fazer isso. O primeiro passo seria observar o que você pode aprender com as visões alheias. Você pode tomar decisões melhores? Comunicar-se melhor? Identificar uma vantagem de saída é um drive. Outra ação é avaliar quão ampla (ou estreita) é sua perspectiva. Também vale a pena ter em mente que não é para julgar; nenhum ponto de vista é certo ou errado em si; ele apenas molda como respondemos a uma situação.

Inspire-se no cinema e em Jeff Bezos, e pergunte-se: se você fosse acolhesse diferentes perspectivas, quais seriam os resultados? E se o Brasil fosse generoso com a multiplicidade de perspectivas?

Compartilhar:

Artigos relacionados

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução