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Nem Millennials, nem geração Z: a geração Prateada está pronta. Falta o “sim”

O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.
Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

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O debate sobre o futuro do trabalho tem sido dominado por uma pergunta quase automática: como atrair e reter os mais jovens? A resposta virou estratégia, investimento e prioridade. No entanto, enquanto empresas disputam atenção entre Millennials e Geração Z, um outro movimento acontece em paralelo, silencioso, crescente e, ainda assim, ignorado.

O Brasil está envelhecendo, e rápido. Dados do Censo 2022 mostram que em pouco mais de uma década, entre 2010 a 2022, a população com mais de 60 anos cresceu 57,4%. Esse avanço não é apenas demográfico, ele já está redesenhando o mercado de trabalho. Hoje, mais de 8 milhões de brasileiros nessa faixa etária seguem economicamente ativos, o maior número da série histórica. Mas o dado mais importante não é quantos continuam trabalhando, é o porquê.

A longevidade aumentou, e o custo de vida também. Para muitos, permanecer no mercado deixou de ser escolha e passou a ser necessidade. E aqui surge uma contradição que o Brasil ainda não resolveu: ao mesmo tempo em que mais pessoas 60+ precisam, e querem, trabalhar, o mercado ainda não decidiu, de fato, absorvê-las.

Hoje, mais da metade desses profissionais está na informalidade, e não necessariamente por falta de experiência, mas por falta de oportunidade estruturada. Estamos falando de uma geração que carrega repertório, consistência e visão de longo prazo, atributos que, paradoxalmente, convivem com um dos vieses mais naturalizados nas organizações: o etarismo. E ele não é sutil.

A hesitação em contratar profissionais acima dos 45 anos não se apresenta como um ruído isolado, é um padrão. Um reflexo direto de modelos mentais que ainda associam idade à perda de capacidade, ignorando completamente o que a experiência agrega em maturidade de decisão, leitura de contexto e estabilidade emocional. No fundo, o que está em jogo é narrativa, e não capacidade.

Construímos um imaginário de mercado orientado à novidade, à velocidade e à adaptação constante, como se esses atributos fossem exclusivos das gerações mais jovens. Ao fazer isso, criamos uma lógica implícita de que envelhecer, no trabalho, é se tornar menos relevante. Entretanto, os dados contam outra história.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a participação de pessoas com mais de 60 anos na população brasileira em idade de trabalhar já chega a um quinto do total. Ou seja, não estamos falando de um grupo periférico, pois essa é uma parcela estrutural da força de trabalho que segue sendo subaproveitada.

E aqui, o ponto central é que não estamos diante de um problema de escassez de talento, trata-se de um problema de decisão. As empresas dizem buscar diversidade, mas ainda operam dentro de recortes previsíveis. Falam sobre inclusão, mas muitas vezes limitam essa agenda a pautas mais visíveis, ignorando a diversidade etária como um fator estratégico de negócio.

E do ponto de vista de gestão, incluir a Geração Prateada é uma escolha organizacional, e não um gesto social. Porque times diversos em idade ampliam perspectivas e equilibram decisões. Enquanto a urgência acelera, a experiência pondera. Enquanto a novidade experimenta, a trajetória antecipa riscos. É nesse encontro que decisões mais sustentáveis acontecem.

Mas isso exige sair do discurso e fazer revisões práticas. Exige repensar critérios de seleção que descartam trajetórias longas como “overqualified”; redesenhar ambientes que valorizam apenas ritmo e disponibilidade irrestrita e, principalmente, abandonar a ideia de que existe uma idade “ideal” para contribuir. Porque não existe. O que existe é uma escolha, consciente ou não, sobre quem o mercado decide incluir.

E, hoje, a Geração Prateada já fez a sua parte. Está ativa, disponível e pronta para contribuir. Nem sempre o que falta é preparo, mas o “sim”.

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