Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

Nem Millennials, nem geração Z: a geração Prateada está pronta. Falta o “sim”

O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.
Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Compartilhar:

O debate sobre o futuro do trabalho tem sido dominado por uma pergunta quase automática: como atrair e reter os mais jovens? A resposta virou estratégia, investimento e prioridade. No entanto, enquanto empresas disputam atenção entre Millennials e Geração Z, um outro movimento acontece em paralelo, silencioso, crescente e, ainda assim, ignorado.

O Brasil está envelhecendo, e rápido. Dados do Censo 2022 mostram que em pouco mais de uma década, entre 2010 a 2022, a população com mais de 60 anos cresceu 57,4%. Esse avanço não é apenas demográfico, ele já está redesenhando o mercado de trabalho. Hoje, mais de 8 milhões de brasileiros nessa faixa etária seguem economicamente ativos, o maior número da série histórica. Mas o dado mais importante não é quantos continuam trabalhando, é o porquê.

A longevidade aumentou, e o custo de vida também. Para muitos, permanecer no mercado deixou de ser escolha e passou a ser necessidade. E aqui surge uma contradição que o Brasil ainda não resolveu: ao mesmo tempo em que mais pessoas 60+ precisam, e querem, trabalhar, o mercado ainda não decidiu, de fato, absorvê-las.

Hoje, mais da metade desses profissionais está na informalidade, e não necessariamente por falta de experiência, mas por falta de oportunidade estruturada. Estamos falando de uma geração que carrega repertório, consistência e visão de longo prazo, atributos que, paradoxalmente, convivem com um dos vieses mais naturalizados nas organizações: o etarismo. E ele não é sutil.

A hesitação em contratar profissionais acima dos 45 anos não se apresenta como um ruído isolado, é um padrão. Um reflexo direto de modelos mentais que ainda associam idade à perda de capacidade, ignorando completamente o que a experiência agrega em maturidade de decisão, leitura de contexto e estabilidade emocional. No fundo, o que está em jogo é narrativa, e não capacidade.

Construímos um imaginário de mercado orientado à novidade, à velocidade e à adaptação constante, como se esses atributos fossem exclusivos das gerações mais jovens. Ao fazer isso, criamos uma lógica implícita de que envelhecer, no trabalho, é se tornar menos relevante. Entretanto, os dados contam outra história.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a participação de pessoas com mais de 60 anos na população brasileira em idade de trabalhar já chega a um quinto do total. Ou seja, não estamos falando de um grupo periférico, pois essa é uma parcela estrutural da força de trabalho que segue sendo subaproveitada.

E aqui, o ponto central é que não estamos diante de um problema de escassez de talento, trata-se de um problema de decisão. As empresas dizem buscar diversidade, mas ainda operam dentro de recortes previsíveis. Falam sobre inclusão, mas muitas vezes limitam essa agenda a pautas mais visíveis, ignorando a diversidade etária como um fator estratégico de negócio.

E do ponto de vista de gestão, incluir a Geração Prateada é uma escolha organizacional, e não um gesto social. Porque times diversos em idade ampliam perspectivas e equilibram decisões. Enquanto a urgência acelera, a experiência pondera. Enquanto a novidade experimenta, a trajetória antecipa riscos. É nesse encontro que decisões mais sustentáveis acontecem.

Mas isso exige sair do discurso e fazer revisões práticas. Exige repensar critérios de seleção que descartam trajetórias longas como “overqualified”; redesenhar ambientes que valorizam apenas ritmo e disponibilidade irrestrita e, principalmente, abandonar a ideia de que existe uma idade “ideal” para contribuir. Porque não existe. O que existe é uma escolha, consciente ou não, sobre quem o mercado decide incluir.

E, hoje, a Geração Prateada já fez a sua parte. Está ativa, disponível e pronta para contribuir. Nem sempre o que falta é preparo, mas o “sim”.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução