Cultura organizacional
2 minutos min de leitura

Nem todo ambiente aparentemente tranquilo está verdadeiramente alinhado

Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.
Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.
É professora, pesquisadora, conselheira consultiva, consultora e palestrante com quase 30 anos de estrada transformando pessoas em líderes e culturas de gestão nas empresas. LinkedIn Top Voice e uma das 100 maiores influenciadoras do país, é a mente por trás de Allboarding®, uma estratégia de gestão que substitui a competição tóxica por colaboração de alto impacto. Mulher LGBTQIAPN+ e mãe, Cecília aplica não apenas teorias de seu Mestrado (UERJ) e MBE (UFRJ), mas a experiência real de quem já trabalhou com mais de 10.000 pessoas para liderarem com a cabeça e o coração, sem sacrificar a saúde mental.
É autora, palestrante, mentora e consultora especializada em comportamento humano, liderança e relações intergeracionais. Doutora em Ciências da Informação, com foco em Tecnologia da Educação, em Portugal, e Mestre em Administração com ênfase em Liderança no Brasil, Thaís é a criadora do modelo de aprendizagem Zímago®️ - validado cientificamente na Europa - e fundadora da Geração Zímago, um hub de conhecimento voltado às novas gerações. Essa trajetória a consolidou como referência no estudo das gerações Z e Alpha. É autora do livro A Geração Z e o Modelo de Aprendizagem Zímago, publicado no Brasil e na Europa, além de coautora de diversas obras e artigos científicos. Com mais de 20 anos de experiência em gestão, hospitalidade e experiência do cliente,

Compartilhar:

Pessoas reúnem repertórios, experiências, expectativas e formas de trabalhar diferentes e esse parece um ponto pacificado nos discursos sobre gestão. Se é assim, por que a discordância, que faz parte desse encontro, causa tanto desconforto e desconexão, quando nada mais é do que a realidade? E o que fazer quando ela não aparece?

Convivemos com diferenças represadas. A reunião termina, nem todo mundo disse o que precisava ser dito e a divergência migra para conversas paralelas. Pessoas mais jovens evitam tensionar quem ocupa posições mais seniores. Profissionais com mais tempo de experiência deixam de insistir quando percebem que suas referências já foram classificadas como antigas. O incômodo circula nas entrelinhas, paralelas, subsolos… O nome pouco importa. Fato é que a conversa, aquela necessária, gentil, mas que não vai deixar de tocar no que deve ser discutido, não acontece.

Esse silêncio cobra um preço alto.

Quando as diferenças não encontram espaço para conviver como posicionamentos, contribuições, complementaridades, todo mundo perde acesso a perguntas melhores e decisões mais consistentes. A diversidade segue presente no time, nos números e até nas metas e compromissos, mas não tem potência prática.

Confundir baixa tensão visível com alinhamento é um erro comum. O ambiente parece calmo, mas porque as discordâncias aparecem na resistência silenciosa, na execução sem convicção, na conversa de corredor, na decisão que ninguém questionou.

Diferenças podem gerar complementaridade quando encontram condições para virar conversa. O conflito produtivo nasce exatamente aí e a literatura ajuda a nomear essa diferença.

O conflito de tarefa coloca ideias, caminhos e prioridades em debate. O conflito relacional desloca a tensão para as pessoas. O primeiro amplia repertório e pode favorecer inovação. O segundo desgasta vínculos e reduz a colaboração.

O bom conflito exige curiosidade, abertura, humildade intelectual e segurança para falar. Também, liderança capaz de sustentar a tensão, ouvir perspectivas diferentes e evitar consensos apressados.

Silêncio não significa alinhamento e colaboração nasce da capacidade de fazer algo útil com a tensão.

O movimento existe quando a há espaço para que as diferenças existam como matéria-prima para aprendizagem, ampliação de perspectivas, melhora nas decisões e criação de combinações entre experiência e renovação, velocidade e profundidade, repertório e experimentação, e tantas outras possibilidades quanto aquelas que permitirmos ter voz. 

“O E” ajuda a visibilizar e sustentar a tensão com responsabilidade. Para aprofundarmos o desenvolvimento dessa competência, que tal pensar por aí em quais discordâncias importantes ainda não encontraram espaço para serem conversadas, priorizá-las e iniciar o movimento?

Certamente há valor esperando por uma conversa!

Compartilhar:

Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.

Artigos relacionados

O que os Niyamas podem ensinar sobre consciência, disciplina e evolução organizacional

Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Liderança, Cultura organizacional
15 de outubro de 2026 08H00
Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução