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Novas regras para o mesmo jogo: autonomia e confiança

Dois elementos que não podem faltar nas organizações que desejam ser mais colaborativas e com pessoas criativas, capazes de lidar com problemas complexos de frente
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Tenho ouvido e lido muito sobre a mudança dos tempos corporativos que vivemos e duas palavras estão sempre presentes: __autonomia e confiança__. Parecem ser mais importantes do que em qualquer outro momento da nossa convivência. Estou plenamente de acordo.

Resolvi escrever sobre ambas porque a gente tem falado mais do que tem conseguido colocar em prática. Comecemos pela autonomia.

Algumas gerações de profissionais foram moldadas dentro do estilo de trabalho de comando e controle. Se você já ouviu disse algo como “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ou “pato novo não mergulha fundo”, ou “eu sei o que é melhor pra você” provavelmente você tenha alguma afinidade com esse estilo de gestão. Talvez pratique, conscientemente ou não.

Esse modelo foi inspirado no Exército e na Igreja, mas foi sendo deixado de lado, e substituído por mais e mais colaboração. Mudanças dos tempos, que buscam novas fórmulas num contexto também em transformação. À medida que o trabalho se torna mais complexo e diversificado, que a criatividade conta mais, assim como a solução de problemas, precisamos de pessoas que tenham “sacadas”, que possam dar um passo mais largo. Fazer isso em ambientes de colaboração tende a ser mais fácil.

Mas existem umas pedras pelo caminho: é preciso dar autonomia. Não é exatamente fácil, se a gente parte do princípio de que o nosso jeito de fazer as coisas é o mais correto. Dar autonomia significa também dar liberdade, acreditar nas pessoas, ter vontade de correr risco junto, e exercer realmente o princípio de liderança (apoiar, incentivar, dar condições para o time realizar). É difícil para quem aprendeu a trabalhar de outro jeito, mas absolutamente necessário nos dias de hoje.

Se o trabalho remoto do seu time te dá calafrios, se você sente que tende a microgerenciar, se você quer saber onde estão todos da equipe a cada momento… bem, talvez seja hora de repensar sua liderança. Dar autonomia diz mais sobre nós do que sobre os outros. Estamos preparados? Dar autonomia requer nossa mudança de atitude. E se você pensou agora que “o time não tem maturidade” acenda a luz vermelha. Liderança madura desenvolve times maduros.

Aí vem outro conceito, muito próximo à autonomia, que é a confiança. Difícil uma existir sem a outra. A confiança cria um ambiente de respeito e de reciprocidade.

Lembro que eu estava ainda bem no começo da minha carreira e um chefe me dava mais responsabilidades do que eu achava que daria conta. Um dia conversamos sobre isso. Ele sorriu: “Que bom que você percebe e que bom que você se importa. Eu te dou responsabilidades porque você está pronta. Agora comece a confiar em você como eu confio”. Uau. Eu sinto esse “uau” até hoje, especialmente quando estou diante de algo que me parece maior que a cadeira que eu ocupo. Eu me lembro que se alguém me confia uma responsabilidade, o mínimo que eu posso fazer é entregar à altura. É uma coisa muito deliciosa de se viver. Algo que eu desejo a todos que estão procurando ser melhor a cada dia, como liderança ou como parte de um time.

#vaicomtudo

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