Marketing & growth
5 minutos min de leitura

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.
CMO da Algar, Ana Flávia Martins tem mais de 30 anos de experiência em marketing e negócios, com foco em business, estratégia empresarial, franquias e mercados B2B, B2B2C e B2C. É formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, além de MBA em Gestão e Empreendedorismo e Negócios Varejo. Atualmente, lidera a estratégia de mercado da companhia, contribuindo diretamente para a performance comercial e os resultados do negócio

Compartilhar:

Redobre a atenção para a transformação em curso que muitas vezes não é capturada pelos balanços, planos estratégicos ou mesmo estruturas operacionais. Trata-se do movimento geralmente silencioso que se manifesta por meio das decisões dos clientes que vão muito além da compação de preços e qualidade do produto. Em um ambiente de concorrência intensa e velocidade cada vez maior para se copiar as melhores práticas, experiências personalizadas e a reputação gerada ao longo do tempo se tornam ativos ainda mais valiosos junto aos clientes.

A transformação digital acelerou ainda mais esse movimento, mas não o criou. O que mudou, de fato, foi a relação de poder na jornada de consumo. O cliente passou a ter mais informações, mais alternativas e menos disposição para aceitar fricções que antes faziam parte do processo. Isso tem uma consequência importante para as empresas, não basta comunicar bem aquilo que se entrega, é preciso entregar bem aquilo que se comunica. É nesse ponto que o marketing precisa mudar também.

Durante muito tempo, marketing foi associado à capacidade de construir percepção, gerar desejo e comunicar valor. Essas competências continuam essenciais, mas sozinhas já não dão conta do desafio. O que se vê é que quando a experiência não sustenta a promessa, a comunicação deixa de ser um ativo e passa a evidenciar uma perigosa inconsistência.

Precisamos entender que o cliente não separa a empresa em áreas. Para ele, não existem marketing, atendimento, tecnologia, operações ou financeiro. Existe uma única relação com a marca. Essa percepção é especialmente importante em setores como o de telecomunicações. A qualidade da infraestrutura continua sendo fundamental, mas é apenas uma parte da experiência. O atendimento, a facilidade para resolver problemas, a clareza na comunicação e a capacidade de antecipar necessidades também influenciam diretamente a forma como os clientes reconhecem o valor entregue pela empresa.

No setor de TI e Telecom, a experiência do cliente vai muito além da qualidade da conexão. Uma instabilidade na rede pode gerar insatisfação, mas o atendimento fragmentado ou as promessas que não correspondem à realidade também comprometem a confiança e o valor percebido da marca.

É por isso que a relação com o cliente não pode ser tratada como responsabilidade exclusiva de uma área. Ela é construída pela combinação de processos, pessoas, tecnologia e decisões tomadas em diferentes pontos da organização. E essa integração não é apenas uma questão de eficiência, é estratégia.

Quando as áreas não caminham juntas, quem sente primeiro é o consumidor. Basta pensar em uma situação comum, a comunicação cria uma expectativa, mas a experiência entregue na ponta é diferente do que foi prometido. O mesmo acontece quando a empresa conhece profundamente o comportamento do cliente, mas essa expertise não se transforma em ação efetiva de melhoria.

A consultoria Gartner vem sinalizando essa transformação no papel do CMO. Em uma pesquisa com mais de seis mil consumidores, 58% disseram que as empresas que tentam vender para eles não compreendem bem suas necessidades e preferências. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tantas ferramentas, dados e tecnologias disponíveis para conhecer o consumidor. A contradição é reveladora: nunca soubemos tanto sobre o cliente e, ainda assim, ainda temos dificuldade para compreendê-lo.

O desafio deixou de ser apenas acessar dados. É fundamental saber interpretá-los à luz do cliente. Tecnologia, inteligência artificial e analytics ampliam a nossa capacidade de entender comportamentos em escala. Mas, sozinhos, não geram relevância. O que realmente faz a diferença é a habilidade de interpretar os contextos e identificar as necessidades muitas vezes não explícitas. É justamente aí que o papel do CMO se transforma. Mais do que gestor de marca ou campanhas, ele passa a atuar como um elo entre dados, estratégia e experiência, garantindo que cada decisão contribua para construir relações mais relevantes e duradouras com os clientes.

O marketing passa a ser menos uma área que comunica e mais uma função que conecta sinais do mercado, comportamento, experiência e estratégia de negócio. É papel do CMO, portanto, compreender o que está mudando na vida das pessoas, identificar quais mudanças são relevantes para o negócio e ajudar a organização a responder a elas de forma coerente. Isso exige uma atuação mais próxima entre estratégia e operação, com maior foco na jornada do cliente e na capacidade de transformar dados em decisões capazes de gerar diferenciação e proximidade.

Também exige mudança na forma de medir o impacto do marketing. O alcance, engajamento e conversão continuam importantes, mas não são suficientes para explicar o valor de uma relação. É preciso observar também a qualidade da experiência, a confiança construída, a facilidade de interação e a capacidade de a empresa permanecer relevante ao longo do tempo.

A métrica deixa de ser apenas  o número de pessoas impactadas e passa a incluir outras questões como: A promessa feita foi compreendida? A experiência entregue correspondeu à expectativa? O cliente conseguiu resolver o que precisava? A relação ficou mais forte depois desse contato? Esses questionamentos feitos de forma sistemática por meio de processos estruturados tornam o marketing parte ativa do negócio, independetemente do segmento de atuação da marca. Essa dinâmica precisa ser construída a partir de cada interação. Sempre com o mesmo objetivo: O que o comportamento do nosso cliente está nos dizendo que precisamos mudar?

As empresas capazes de ouvir e principalmente interpretar essas respostas de forma orgânica estarão preparadas para construir relações de longo prazo, gerar valor e criar negócios mais resilientes. Acompanhar verdadeiramente o cliente não significa correr atrás dele, significa entender para onde ele está indo, ser relevante para que ele queira a marca ao seu lado e ter a capacidade de evoluir junto dia após dia.

Compartilhar:

CMO da Algar, Ana Flávia Martins tem mais de 30 anos de experiência em marketing e negócios, com foco em business, estratégia empresarial, franquias e mercados B2B, B2B2C e B2C. É formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, além de MBA em Gestão e Empreendedorismo e Negócios Varejo. Atualmente, lidera a estratégia de mercado da companhia, contribuindo diretamente para a performance comercial e os resultados do negócio

Artigos relacionados

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

A longevidade está criando o próximo grande mercado

O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Compliance virou estratégia no agronegócio

A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

O que muda na cadeia do cobre com o fim da Substituição Tributária

Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

A nova morada dos softwares são as interfaces de IA

Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

Oferecido por:
16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
8 de setembro de 2026 08H00
Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Daniel Cerveira - sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados e Coordenador da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da ABF - Associação Brasileira de Franchising

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução