Estratégia, ESG
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

O desafio das PMEs em 2026: Reforma tributária, juros altos e o preço da sobrevivência

Com a reforma tributária e um cenário econômico mais rigoroso, 2026 será um divisor de águas para PMEs: decisões de preço deixam de ser operacionais e passam a definir a sobrevivência do negócio.
Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado em uma multinacional do segmento de controle de acessos, com experiência consolidada em grandes empresas globais. É MBA em Marketing, certificado PMP e Certified Pricing Professional (CPP), além de fundador do grupo Attitude Pricing (Comunidade Brasileira de Profissionais de Pricing). Autor de artigos na Professional Pricing Society (PPS), já participou de debates internacionais como o podcast Impact Pricing, de Mark Stiving, e o Pricing Conectado 2024, promovido pela InfoPrice.

Compartilhar:


Durante anos, pequenas e médias empresas brasileiras operaram em um ambiente relativamente previsível. O sistema tributário, ainda que complexo, era conhecido. Os modelos de precificação permaneciam estáveis por longos períodos. O acesso ao crédito funcionava, muitas vezes, como um amortecedor para decisões imperfeitas. Esse cenário, no entanto, está mudando, e 2026 tende a consolidar uma nova realidade.

A combinação entre a transição da reforma tributária, a manutenção da taxa Selic em patamares elevados nos últimos anos e um ambiente competitivo mais transparente cria um ponto de inflexão para as PMEs. Nesse novo contexto, decisões que antes eram tratadas como operacionais, especialmente as relacionadas a preços, passam a ter impacto direto na continuidade do negócio.

Quando o preço não reflete corretamente os custos e os tributos, o descompasso aparece no fluxo de caixa. Às vezes demora alguns meses, mas aparece. E quando surge, geralmente já não há tempo para correções graduais. Empresas não quebram no faturamento. Quebram no caixa.

Em 2026, esse risco tende a se intensificar.

A reforma tributária e o impacto direto na formação de preços

A transição para o novo modelo tributário brasileiro, com a introdução da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), não é apenas um tema técnico ou fiscal. Ela muda a lógica de formação de preços, afeta a estrutura de custos e altera a forma como as empresas precisam planejar seus resultados. Durante o período de transição, a convivência entre sistemas, as incertezas sobre alíquotas efetivas e os impactos distintos por setor e região exigirão das PMEs algo que, historicamente, não fez parte de sua rotina: antecipar cenários antes de definir preços.

Formar preços ignorando esse contexto significa assumir riscos que não aparecem imediatamente nas vendas, mas que comprometem o caixa no médio prazo.


Pricing no centro da gestão

Em 2026, não fará mais sentido tratar Pricing como um tema apenas operacional ou restrito à esfera comercial. O novo contexto econômico exige que fundadores, empreendedores e líderes de pequenas e médias empresas tragam o preço para o centro das discussões estratégicas.

Não se trata de sofisticação excessiva, nem de replicar modelos de grandes corporações. Trata-se de reconhecer que, em um ambiente mais regulado e menos tolerante a erros, decisões de preço passam a definir a saúde financeira do negócio.

Em um cenário de transição econômica e fiscal, decisões pontuais e desconectadas tendem a gerar incoerência, ruído interno e risco financeiro. O preço não pode mais ser uma resposta reativa a pressões comerciais ou a movimentos pontuais de mercado. Ele precisa ser tratado como um instrumento de previsibilidade financeira.

Para cumprir esse papel ampliado, Pricing precisa de governança. Não no sentido de burocracia, mas de disciplina. Governança de preços significa estabelecer critérios claros para formação e revisão de preços, definir regras transparentes para concessão de descontos e construir coerência comercial, alinhamento financeiro, conformidade fiscal e compreensão clara dos impactos das decisões no fluxo de caixa.

Um preço bem estruturado garante previsibilidade e reduz volatilidade. Nesse sentido, preço bem formado compra sustentabilidade do negócio, porém, preço mal-formado acelera problemas.

Pricing precisa, literalmente, entrar na sala onde se discutem estratégia, investimentos, crescimento e continuidade.


O desafio real das PMEs em 2026

O verdadeiro desafio das pequenas e médias empresas brasileiras em 2026 não será a falta de oportunidades, será a capacidade de atravessar um cenário transitório, com novas camadas decisórias.

Compreender os impactos da transição tributária, buscar conhecimento em Pricing, e utilizar a tecnologia como apoio deixam de ser iniciativas desejáveis, tornam-se condições mínimas de sobrevivência.

Mais do que uma variável comercial, o preço passa a ocupar o centro das decisões de gestão. Ele se torna a tradução financeira do modelo de negócio, e o principal guardião do fluxo de caixa das PMEs.

Em 2026, sobreviver não será apenas sobre vender mais. Será entender o novo cenário e fazer do Pricing estratégico um instrumento de resiliência e sustentabilidade frente às novas realidades fiscais e econômicas do Brasil.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

Oferecido por:
16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
8 de setembro de 2026 08H00
Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Daniel Cerveira - sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados e Coordenador da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da ABF - Associação Brasileira de Franchising

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução