Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 minutos min de leitura
Oferecido por:

O ‘E’ da questão: por que liderar no presente exige trocar julgamentos por curiosidade e diferenças geracionais por pontes de confiança?

Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.
Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.
É professora, pesquisadora, conselheira consultiva, consultora e palestrante com quase 30 anos de estrada transformando pessoas em líderes e culturas de gestão nas empresas. LinkedIn Top Voice e uma das 100 maiores influenciadoras do país, é a mente por trás de Allboarding®, uma estratégia de gestão que substitui a competição tóxica por colaboração de alto impacto. Mulher LGBTQIAPN+ e mãe, Cecília aplica não apenas teorias de seu Mestrado (UERJ) e MBE (UFRJ), mas a experiência real de quem já trabalhou com mais de 10.000 pessoas para liderarem com a cabeça e o coração, sem sacrificar a saúde mental.
É autora, palestrante, mentora e consultora especializada em comportamento humano, liderança e relações intergeracionais. Doutora em Ciências da Informação, com foco em Tecnologia da Educação, em Portugal, e Mestre em Administração com ênfase em Liderança no Brasil, Thaís é a criadora do modelo de aprendizagem Zímago®️ - validado cientificamente na Europa - e fundadora da Geração Zímago, um hub de conhecimento voltado às novas gerações. Essa trajetória a consolidou como referência no estudo das gerações Z e Alpha. É autora do livro A Geração Z e o Modelo de Aprendizagem Zímago, publicado no Brasil e na Europa, além de coautora de diversas obras e artigos científicos. Com mais de 20 anos de experiência em gestão, hospitalidade e experiência do cliente,

Compartilhar:

Vivemos um momento curioso nas organizações: nunca tivemos tantos recursos para comunicar, medir, automatizar, acompanhar, treinar e desenvolver pessoas, ao tempo em que nunca pareceu tão difícil sustentar conversas simples, honestas, vínculos consistentes e confiança no trabalho.

Há muita coisa fora do lugar.

A cada nova onda de transformações vem outra, mais parecida com um tsunami, de explicações rápidas para, em tese, resolver problemas que são mais profundos.

A liderança está em crise. As novas gerações não se engajam. As pessoas não querem mais trabalhar como antes. A inteligência artificial vai acabar com nossos empregos. A cultura perdeu força. O presencial precisa voltar. O remoto veio para ficar. Essas frases circulam com facilidade porque dão nome a desconfortos reais e criam culpados fáceis para justificar os incômodos. Também, simplificam o que está acontecendo.

Dentre as coisas fora do lugar, vamos tratar de uma delas, que motivou todo um projeto que nos traz a essa conversa: a diferença entre gerações.

Entre conjuntos distintos de referências sobre autoridade, tempo, carreira, reconhecimento, tecnologia, estabilidade, propósito, pertencimento, sucesso e tantas outras que trazem Baby Boomers, X, Y, Z e Alpha, o que poderia ser uma fonte poderosa de complementaridade – e de diálogo com o espírito do nosso tempo! – tem exacerbado os afastamentos.

Cansadas de observar conflitos atribuídos às gerações que, na verdade, revelavam desencontros de linguagem, expectativas e referências, nos unimos para criar “O E” da questão”: guia de primeiros socorros para a comunicação intergeracional, como uma urgência de liderança. 

“O ‘E’ da questão” é uma metodologia autoral, construída a partir da nossa trajetória como pesquisadoras e da nossa experiência prática desenvolvendo lideranças em diferentes setores, culturas organizacionais e níveis de complexidade.

Ao longo de anos acompanhando líderes, equipes e organizações em transformação, percebemos que muitos dos conflitos atribuídos às gerações eram, na verdade, falhas de tradução entre repertórios – e que faltam ferramentas simples, aplicáveis e profundas para sustentar conversas melhores e ampliar o repertório de gestão de relações.

Foi desse encontro entre pesquisa, campo e prática que nasceu “O ‘E’ da questão”: um método vivo, testado em contextos reais, que ajuda lideranças a navegar tensões contemporâneas com mais clareza, presença e maturidade. Não é teoria distante, nem modismo geracional. É uma abordagem construída a partir do que vemos, estudamos e praticamos diariamente com líderes que precisam sustentar confiança, engajamento e colaboração em ambientes cada vez mais complexos.

É justamente por isso que esse método não se limita a uma leitura comportamental ou a um debate superficial sobre gerações. Ele se propõe como competência estruturante da liderança contemporânea para sustentar confiança, engajamento, aprendizagem, colaboração e resultado.

A liderança é a parte mais visível de um sistema que vem sofrendo com vínculos fragilizados, baixa confiança, excesso de ruído, insegurança emocional e dificuldade crescente de alinhar expectativas. Por isso, tratá-la apenas como falta de preparo individual é insuficiente.

O “E” não trata de isentar líderes de responsabilidade. Ao contrário. Trata de ampliar a responsabilidade da liderança para o campo de criação de contexto, sustentação de conversas necessárias, reconhecimento de mudanças de expectativa, clareza sobre autonomia e compreensão de que a qualidade da comunicação define, em grande parte, a qualidade das relações. Sem elas, nenhuma estratégia se sustenta por muito tempo.

O fear of being obsolete (FOBO) é legítimo, uma vez que a IA já está reconfigurando tarefas, decisões, processos e formas de produtividade. No entanto, na liderança, a pergunta estratégica é outra: que parte da minha liderança já deixou de fazer sentido?

Ela muda o eixo da discussão.

A liderança obsoleta é a que tenta liderar pessoas plurais com modelos de massa. Que acredita que comunicação é repasse de informação. Que cobra protagonismo sem dar clareza sobre os campos de autonomia. Que reclama das gerações antes de investigar suas referências. Que trata vínculo como “soft”, quando ele é infraestrutura de confiança.

Durante muito tempo, organizamos o trabalho pela lógica do “ou”.

Ou performance, ou cuidado.
Ou hierarquia, ou autonomia.
Ou resultado, ou bem-estar.
Ou experiência, ou juventude.
Ou eficiência, ou humanidade.
Ou tecnologia, ou presença humana.

Essa lógica simplifica a gestão e, sobretudo, facilita o controle.

O problema é que ela não dá conta da complexidade. Ambientes multigeracionais, atravessados por IA, pressões de produtividade, riscos psicossociais, novos desejos de vida e relações mais frágeis não cabem em escolhas binárias.

O “E” propõe outro caminho.

Performance e cuidado.
Clareza e escuta.
Autonomia e alinhamento.
Tecnologia e humanidade.
Experiência e renovação.
Resultado e vínculo.

A mentalidade do “E” não é conciliação ingênua, nem tentativa de agradar todas as pessoas o tempo todo. Vamos tratar de maturidade para lidar com tensões reais e sustentar paradoxos sem empobrecê-los, gerindo-os com presença, repertório, intencionalidade e conversas melhores.

Por isso, comunicação intergeracional é reconstruir pontes.

Quando uma liderança diz “qualquer coisa, me chama”, pode acreditar que está oferecendo autonomia. Uma pessoa mais jovem pode interpretar a mesma frase como ausência. Quando uma geração entende silêncio como sinal de confiança, outra pode viver o silêncio como falta de orientação. Quando uma pessoa espera feedback contínuo e recebe apenas uma avaliação anual, não necessariamente está pedindo excesso de atenção, mas talvez esteja buscando clareza para se desenvolver. Quando uma liderança interpreta a postura de uma pessoa jovem como fragilidade, pode estar perdendo a oportunidade de enxergar um pedido por clareza. Quando interpreta uma pessoa mais experiente como resistente à mudança, pode estar ignorando o valor de um repertório construído em outros contextos. Quando transforma estilos diferentes em rótulos, perde a chance de significar conflito como aprendizagem.

O primeiro movimento de uma liderança que quer permanecer relevante é trocar julgamento por curiosidade.

Essa mudança exige coragem, porque desloca a liderança do lugar (pseudo) confortável da explicação pronta para corresponsabilidade e compartilhamento de protagonismo.

Em “O ‘E’ da questão”, chamamos essa abordagem de primeiros socorros porque há situações em que a liderança não precisa começar por uma grande transformação cultural. Precisa, sim, interromper o ciclo de ruído antes que ele se torne afastamento. Precisa fazer perguntas melhores antes que o julgamento vire diagnóstico. Precisa criar pequenos espaços de confiança antes que o silêncio se transforme em cinismo.

Alguns deles cabem em qualquer agenda de liderança:

  • O que estou presumindo sobre essa pessoa sem ter perguntado?
  • Que expectativa minha ficou implícita?
  • Que diferença de repertório pode estar sendo confundida com resistência, desinteresse ou imaturidade?
  • O que minha forma de comunicar está produzindo: clareza, confiança ou defesa?
  • Que conversa estou evitando e que custo esse silêncio já está gerando?


Essas perguntas não resolvem tudo, mas mudam a qualidade da presença.

E, quando a presença muda, a conversa muda. Consequentemente, a relação pode mudar e, sendo assim, o trabalho ganha outras possibilidades de colaboração e resultados.

A obsolescência da liderança acontece quando há perda de aderência ao tempo presente.

Não basta atualizar ferramentas se a forma de liderar continua presa a modelos que já não explicam como as pessoas vivem, aprendem, trabalham, permanecem, confiam e se desenvolvem.

O futuro do trabalho só será sustentado se formos capazes de construir e gerenciar relações mais inteligentes. Isto não significa romantizar vínculos, negar conflitos ou transformar organizações em espaços sem cobrança. Ao contrário: relações maduras comportam metas, pressão, discordância, responsabilidade e consequência. A diferença é que elas não dependem de medo, silêncio ou desgaste permanente para produzir entrega.

Esta coluna nasce do convite a essas conversas. A cada mês, queremos explorar uma tensão concreta das organizações contemporâneas: liderança, gerações, vínculos, comunicação, inteligência artificial, confiança, pertencimento, performance, saúde social e futuro do trabalho. Sempre com a intenção de aproximar reflexão e prática, contexto e ação, diagnóstico e aplicabilidade pelo “E” da questão: na decisão de trocar o “ou” que separa pelo “E” que nos instiga a conversar melhor sobre aquilo que precisamos construir. Para todas as pessoas.

Até a próxima!

Compartilhar:

Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

Oferecido por:
11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

Oferecido por:
0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução