Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
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O ‘E’ da questão: por que liderar no presente exige trocar julgamentos por curiosidade e diferenças geracionais por pontes de confiança?

Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.
Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.
É professora, pesquisadora, conselheira consultiva, consultora e palestrante com quase 30 anos de estrada transformando pessoas em líderes e culturas de gestão nas empresas. LinkedIn Top Voice e uma das 100 maiores influenciadoras do país, é a mente por trás de Allboarding®, uma estratégia de gestão que substitui a competição tóxica por colaboração de alto impacto. Mulher LGBTQIAPN+ e mãe, Cecília aplica não apenas teorias de seu Mestrado (UERJ) e MBE (UFRJ), mas a experiência real de quem já trabalhou com mais de 10.000 pessoas para liderarem com a cabeça e o coração, sem sacrificar a saúde mental.
É autora, palestrante, mentora e consultora especializada em comportamento humano, liderança e relações intergeracionais. Doutora em Ciências da Informação, com foco em Tecnologia da Educação, em Portugal, e Mestre em Administração com ênfase em Liderança no Brasil, Thaís é a criadora do modelo de aprendizagem Zímago®️ - validado cientificamente na Europa - e fundadora da Geração Zímago, um hub de conhecimento voltado às novas gerações. Essa trajetória a consolidou como referência no estudo das gerações Z e Alpha. É autora do livro A Geração Z e o Modelo de Aprendizagem Zímago, publicado no Brasil e na Europa, além de coautora de diversas obras e artigos científicos. Com mais de 20 anos de experiência em gestão, hospitalidade e experiência do cliente,

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Vivemos um momento curioso nas organizações: nunca tivemos tantos recursos para comunicar, medir, automatizar, acompanhar, treinar e desenvolver pessoas, ao tempo em que nunca pareceu tão difícil sustentar conversas simples, honestas, vínculos consistentes e confiança no trabalho.

Há muita coisa fora do lugar.

A cada nova onda de transformações vem outra, mais parecida com um tsunami, de explicações rápidas para, em tese, resolver problemas que são mais profundos.

A liderança está em crise. As novas gerações não se engajam. As pessoas não querem mais trabalhar como antes. A inteligência artificial vai acabar com nossos empregos. A cultura perdeu força. O presencial precisa voltar. O remoto veio para ficar. Essas frases circulam com facilidade porque dão nome a desconfortos reais e criam culpados fáceis para justificar os incômodos. Também, simplificam o que está acontecendo.

Dentre as coisas fora do lugar, vamos tratar de uma delas, que motivou todo um projeto que nos traz a essa conversa: a diferença entre gerações.

Entre conjuntos distintos de referências sobre autoridade, tempo, carreira, reconhecimento, tecnologia, estabilidade, propósito, pertencimento, sucesso e tantas outras que trazem Baby Boomers, X, Y, Z e Alpha, o que poderia ser uma fonte poderosa de complementaridade – e de diálogo com o espírito do nosso tempo! – tem exacerbado os afastamentos.

Cansadas de observar conflitos atribuídos às gerações que, na verdade, revelavam desencontros de linguagem, expectativas e referências, nos unimos para criar “O E” da questão”: guia de primeiros socorros para a comunicação intergeracional, como uma urgência de liderança. 

“O ‘E’ da questão” é uma metodologia autoral, construída a partir da nossa trajetória como pesquisadoras e da nossa experiência prática desenvolvendo lideranças em diferentes setores, culturas organizacionais e níveis de complexidade.

Ao longo de anos acompanhando líderes, equipes e organizações em transformação, percebemos que muitos dos conflitos atribuídos às gerações eram, na verdade, falhas de tradução entre repertórios – e que faltam ferramentas simples, aplicáveis e profundas para sustentar conversas melhores e ampliar o repertório de gestão de relações.

Foi desse encontro entre pesquisa, campo e prática que nasceu “O ‘E’ da questão”: um método vivo, testado em contextos reais, que ajuda lideranças a navegar tensões contemporâneas com mais clareza, presença e maturidade. Não é teoria distante, nem modismo geracional. É uma abordagem construída a partir do que vemos, estudamos e praticamos diariamente com líderes que precisam sustentar confiança, engajamento e colaboração em ambientes cada vez mais complexos.

É justamente por isso que esse método não se limita a uma leitura comportamental ou a um debate superficial sobre gerações. Ele se propõe como competência estruturante da liderança contemporânea para sustentar confiança, engajamento, aprendizagem, colaboração e resultado.

A liderança é a parte mais visível de um sistema que vem sofrendo com vínculos fragilizados, baixa confiança, excesso de ruído, insegurança emocional e dificuldade crescente de alinhar expectativas. Por isso, tratá-la apenas como falta de preparo individual é insuficiente.

O “E” não trata de isentar líderes de responsabilidade. Ao contrário. Trata de ampliar a responsabilidade da liderança para o campo de criação de contexto, sustentação de conversas necessárias, reconhecimento de mudanças de expectativa, clareza sobre autonomia e compreensão de que a qualidade da comunicação define, em grande parte, a qualidade das relações. Sem elas, nenhuma estratégia se sustenta por muito tempo.

O fear of being obsolete (FOBO) é legítimo, uma vez que a IA já está reconfigurando tarefas, decisões, processos e formas de produtividade. No entanto, na liderança, a pergunta estratégica é outra: que parte da minha liderança já deixou de fazer sentido?

Ela muda o eixo da discussão.

A liderança obsoleta é a que tenta liderar pessoas plurais com modelos de massa. Que acredita que comunicação é repasse de informação. Que cobra protagonismo sem dar clareza sobre os campos de autonomia. Que reclama das gerações antes de investigar suas referências. Que trata vínculo como “soft”, quando ele é infraestrutura de confiança.

Durante muito tempo, organizamos o trabalho pela lógica do “ou”.

Ou performance, ou cuidado.
Ou hierarquia, ou autonomia.
Ou resultado, ou bem-estar.
Ou experiência, ou juventude.
Ou eficiência, ou humanidade.
Ou tecnologia, ou presença humana.

Essa lógica simplifica a gestão e, sobretudo, facilita o controle.

O problema é que ela não dá conta da complexidade. Ambientes multigeracionais, atravessados por IA, pressões de produtividade, riscos psicossociais, novos desejos de vida e relações mais frágeis não cabem em escolhas binárias.

O “E” propõe outro caminho.

Performance e cuidado.
Clareza e escuta.
Autonomia e alinhamento.
Tecnologia e humanidade.
Experiência e renovação.
Resultado e vínculo.

A mentalidade do “E” não é conciliação ingênua, nem tentativa de agradar todas as pessoas o tempo todo. Vamos tratar de maturidade para lidar com tensões reais e sustentar paradoxos sem empobrecê-los, gerindo-os com presença, repertório, intencionalidade e conversas melhores.

Por isso, comunicação intergeracional é reconstruir pontes.

Quando uma liderança diz “qualquer coisa, me chama”, pode acreditar que está oferecendo autonomia. Uma pessoa mais jovem pode interpretar a mesma frase como ausência. Quando uma geração entende silêncio como sinal de confiança, outra pode viver o silêncio como falta de orientação. Quando uma pessoa espera feedback contínuo e recebe apenas uma avaliação anual, não necessariamente está pedindo excesso de atenção, mas talvez esteja buscando clareza para se desenvolver. Quando uma liderança interpreta a postura de uma pessoa jovem como fragilidade, pode estar perdendo a oportunidade de enxergar um pedido por clareza. Quando interpreta uma pessoa mais experiente como resistente à mudança, pode estar ignorando o valor de um repertório construído em outros contextos. Quando transforma estilos diferentes em rótulos, perde a chance de significar conflito como aprendizagem.

O primeiro movimento de uma liderança que quer permanecer relevante é trocar julgamento por curiosidade.

Essa mudança exige coragem, porque desloca a liderança do lugar (pseudo) confortável da explicação pronta para corresponsabilidade e compartilhamento de protagonismo.

Em “O ‘E’ da questão”, chamamos essa abordagem de primeiros socorros porque há situações em que a liderança não precisa começar por uma grande transformação cultural. Precisa, sim, interromper o ciclo de ruído antes que ele se torne afastamento. Precisa fazer perguntas melhores antes que o julgamento vire diagnóstico. Precisa criar pequenos espaços de confiança antes que o silêncio se transforme em cinismo.

Alguns deles cabem em qualquer agenda de liderança:

  • O que estou presumindo sobre essa pessoa sem ter perguntado?
  • Que expectativa minha ficou implícita?
  • Que diferença de repertório pode estar sendo confundida com resistência, desinteresse ou imaturidade?
  • O que minha forma de comunicar está produzindo: clareza, confiança ou defesa?
  • Que conversa estou evitando e que custo esse silêncio já está gerando?


Essas perguntas não resolvem tudo, mas mudam a qualidade da presença.

E, quando a presença muda, a conversa muda. Consequentemente, a relação pode mudar e, sendo assim, o trabalho ganha outras possibilidades de colaboração e resultados.

A obsolescência da liderança acontece quando há perda de aderência ao tempo presente.

Não basta atualizar ferramentas se a forma de liderar continua presa a modelos que já não explicam como as pessoas vivem, aprendem, trabalham, permanecem, confiam e se desenvolvem.

O futuro do trabalho só será sustentado se formos capazes de construir e gerenciar relações mais inteligentes. Isto não significa romantizar vínculos, negar conflitos ou transformar organizações em espaços sem cobrança. Ao contrário: relações maduras comportam metas, pressão, discordância, responsabilidade e consequência. A diferença é que elas não dependem de medo, silêncio ou desgaste permanente para produzir entrega.

Esta coluna nasce do convite a essas conversas. A cada mês, queremos explorar uma tensão concreta das organizações contemporâneas: liderança, gerações, vínculos, comunicação, inteligência artificial, confiança, pertencimento, performance, saúde social e futuro do trabalho. Sempre com a intenção de aproximar reflexão e prática, contexto e ação, diagnóstico e aplicabilidade pelo “E” da questão: na decisão de trocar o “ou” que separa pelo “E” que nos instiga a conversar melhor sobre aquilo que precisamos construir. Para todas as pessoas.

Até a próxima!

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Esta coluna é como um convite à complexidade. Assinada pelas consultoras da HSM: Cecília Seabra e Thaís Giuliani, O “E” da questão propõe um novo olhar sobre liderança contemporânea: menos baseado em escolhas binárias e mais na capacidade de sustentar paradoxos com maturidade, repertório e presença. Inspirada no livro homônimo das autoras, esta coluna abordará temas centrais como comunicação, relações intergeracionais, confiança, inteligência artificial e cultura organizacional - sempre conectando reflexão e prática.

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