Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
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O erro mais caro da empresa não aparece no balanço

Este artigo revela como contratações executivas mal calibradas - ou decisões adiadas - geram custos invisíveis que travam crescimento, atrasam decisões e comprometem resultados no longo prazo.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

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Todo CFO sabe quanto custa uma contratação. Poucos sabem quanto custa uma contratação errada. A diferença entre esses dois números é que muitas empresas perdem dinheiro sem perceber, especialmente no nível executivo, onde o impacto de uma decisão equivocada se multiplica por toda a organização.

O custo de uma contratação errada vai muito além do salário pago durante o período de baixa entrega. Inclui o processo seletivo interrompido, o treinamento desperdiçado, a produtividade perdida da equipe e o tempo do gestor consumido em gestão de crise. Para posições executivas, esse custo se multiplica e raramente aparece no balanço.

Há ainda o custo invisível: quando um executivo errado ocupa uma cadeira estratégica, ele não apenas não entrega como ele atrasa. Decisões que deveriam ter sido tomadas em seis meses ficam represadas por dezoito. Os times que deveriam crescer ficam desmotivados. Projetos críticos perdem impulso. Cada saída carrega consigo conhecimento acumulado, relacionamentos construídos e tempo que não volta.

Há um terceiro custo, o mais silencioso de todos: o custo de não contratar. A posição que fica vaga por meses porque a empresa não encontra o perfil certo em tempo integral. O problema persiste porque ninguém com a experiência necessária está disponível no formato que a empresa pode absorver e a conta do mês continua chegando enquanto a decisão não é tomada.

Os líderes que entenderam isso primeiro mudaram a pergunta.

Em vez de “como encontro o executivo certo para esse cargo em tempo integral?”, eles passaram a perguntar: “qual é o problema que preciso resolver – e quem já resolveu algo assim antes?”

É uma mudança sutil. O impacto é significativo.

Dados das Sondagens Empresariais do FGV IBRE revelam que 62,3% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar ou manter trabalhadores qualificados. O ManpowerGroup confirma o padrão: pelo quarto ano consecutivo, 80% dos empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, numa pesquisa realizada com mais de 40 mil empregadores em 42 países.

Ao mesmo tempo, há no Brasil um volume expressivo de executivos com trajetórias longas e expertise consolidada disponíveis, qualificados e prontos para resolver problemas específicos. O gap não é de talento. É de modelo de contratação.

A reforma trabalhista de 2017 abriu caminho para algo que a maioria das empresas ainda não aprendeu a usar: contratos por projeto, por entrega, part-time executivo. É legal, seguro e regulamentado. Um CFO experiente que trabalha dois dias por semana para resolver um problema específico de reestruturação financeira. Um líder de transição que fica por doze meses para profissionalizar uma operação familiar. Um especialista em cultura organizacional contratado para um projeto de noventa dias antes de uma expansão.

Em todos esses casos, o risco de uma contratação permanente mal calibrada desaparece. O custo é proporcional à entrega. E o talento disponível é, muitas vezes, mais experiente do que o que a empresa conseguiria atrair em regime integral.

Não é uma solução improvisada. É uma decisão estratégica. Os líderes que já a adotaram relatam consistentemente o mesmo resultado: menos custo visível, menos custo invisível e mais resultado.

Talento disponível. Legislação pronta. Modelo validado. O que ainda falta é a decisão de quem lidera. A pergunta não é se sua empresa pode operar diferente. É por quanto tempo ainda vai adiar essa escolha.

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