Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 minutos min de leitura

O erro mais caro da empresa não aparece no balanço

Este artigo revela como contratações executivas mal calibradas - ou decisões adiadas - geram custos invisíveis que travam crescimento, atrasam decisões e comprometem resultados no longo prazo.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

Compartilhar:

Todo CFO sabe quanto custa uma contratação. Poucos sabem quanto custa uma contratação errada. A diferença entre esses dois números é que muitas empresas perdem dinheiro sem perceber, especialmente no nível executivo, onde o impacto de uma decisão equivocada se multiplica por toda a organização.

O custo de uma contratação errada vai muito além do salário pago durante o período de baixa entrega. Inclui o processo seletivo interrompido, o treinamento desperdiçado, a produtividade perdida da equipe e o tempo do gestor consumido em gestão de crise. Para posições executivas, esse custo se multiplica e raramente aparece no balanço.

Há ainda o custo invisível: quando um executivo errado ocupa uma cadeira estratégica, ele não apenas não entrega como ele atrasa. Decisões que deveriam ter sido tomadas em seis meses ficam represadas por dezoito. Os times que deveriam crescer ficam desmotivados. Projetos críticos perdem impulso. Cada saída carrega consigo conhecimento acumulado, relacionamentos construídos e tempo que não volta.

Há um terceiro custo, o mais silencioso de todos: o custo de não contratar. A posição que fica vaga por meses porque a empresa não encontra o perfil certo em tempo integral. O problema persiste porque ninguém com a experiência necessária está disponível no formato que a empresa pode absorver e a conta do mês continua chegando enquanto a decisão não é tomada.

Os líderes que entenderam isso primeiro mudaram a pergunta.

Em vez de “como encontro o executivo certo para esse cargo em tempo integral?”, eles passaram a perguntar: “qual é o problema que preciso resolver – e quem já resolveu algo assim antes?”

É uma mudança sutil. O impacto é significativo.

Dados das Sondagens Empresariais do FGV IBRE revelam que 62,3% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar ou manter trabalhadores qualificados. O ManpowerGroup confirma o padrão: pelo quarto ano consecutivo, 80% dos empregadores brasileiros relatam dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, numa pesquisa realizada com mais de 40 mil empregadores em 42 países.

Ao mesmo tempo, há no Brasil um volume expressivo de executivos com trajetórias longas e expertise consolidada disponíveis, qualificados e prontos para resolver problemas específicos. O gap não é de talento. É de modelo de contratação.

A reforma trabalhista de 2017 abriu caminho para algo que a maioria das empresas ainda não aprendeu a usar: contratos por projeto, por entrega, part-time executivo. É legal, seguro e regulamentado. Um CFO experiente que trabalha dois dias por semana para resolver um problema específico de reestruturação financeira. Um líder de transição que fica por doze meses para profissionalizar uma operação familiar. Um especialista em cultura organizacional contratado para um projeto de noventa dias antes de uma expansão.

Em todos esses casos, o risco de uma contratação permanente mal calibrada desaparece. O custo é proporcional à entrega. E o talento disponível é, muitas vezes, mais experiente do que o que a empresa conseguiria atrair em regime integral.

Não é uma solução improvisada. É uma decisão estratégica. Os líderes que já a adotaram relatam consistentemente o mesmo resultado: menos custo visível, menos custo invisível e mais resultado.

Talento disponível. Legislação pronta. Modelo validado. O que ainda falta é a decisão de quem lidera. A pergunta não é se sua empresa pode operar diferente. É por quanto tempo ainda vai adiar essa escolha.

Compartilhar:

Artigos relacionados

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

A decisão mais difícil do roadmap de IA não é técnica

Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Inovação & estratégia
20 de maio de 2026 08H00
Grandes decisões não cabem em um post. Este artigo mostra por que as decisões que realmente importam continuam acontecendo longe da timeline.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de maio de 2026 13H00
O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma - fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Lifelong learning
19 de maio de 2026 07H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Lifelong learning
18 de maio de 2026 15H00
Mais do que absorver conhecimento, este artigo mostra por que a capacidade de revisar, abandonar e reconstruir modelos mentais se tornou o principal motor de aprendizagem e adaptação nas organizações em um mundo acelerado pela IA.

Andréa Dietrich - CEO da Altheia - Atelier de Tecnologias Humanas e Digitais

9 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
18 de maio de 2026 08H00
A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de maio de 2026 17H00
E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão