Melhores para o Brasil 2022

O futuro já mudou o modelo de gestão

Complexidade e ambiguidade serão os fatores de maior impacto nos negócios nos próximos dez anos. Você vai ter que gerenciar de outro jeito
CEO da Inova Consulting e da Inova Business School, professor da FIA-USP e do Isvouga, de Portugal, e escreveu 20 livros técnicos sobre marketing, comunicação, tendências e inovação.

Compartilhar:

O futuro chegou. E daí? Daí que precisamos aceitar esse fato.
Essa frase tem sido repetida à exaustão em diferentes realidades, mas não há dúvida de que o momento atual facilita enxergar sua relevância. Senão vejamos: esta já é a terceira década do século. E se a primeira década não nos deixou muitos aprendizados, o mesmo não se pode dizer da segunda (2011-2020), cujo legado inclui smartphones, a quarta revolução industrial e a infelizmente famosa Covid-19. São três fenômenos, mas todos os três iniciaram uma transformação que tem tudo para se estabelecer e se fortalecer na terceira década. E isso nos leva à absoluta necessidade de pensar o futuro, pela lente do presente, de maneira pragmática, e entendendo seus impactos nas empresas e nos modelos de gestão.

A gestão de empresas ainda é condicionada pelos princípios da administração da segunda revolução industrial, como produção em massa, divisão de tarefas, uso da energia elétrica etc. Desde a virada do século 19 para o 20, o funcionamento das empresas não sofreu alterações significativas.

Isso significa que, durante dois séculos, a gestão ficou inalterada, baseada na hierarquia de decisões e de funções, com elevado foco na cadeia de valor e atenção máxima ao produto, numa clara visão construída “de dentro para fora”.
Apesar das mudanças iniciadas na década passada, que nos brindaram com a chamada transformação digital, as empresas têm resistido bravamente a alterar seu modo de atuar e de pensar. Modelos mentais enraizados no passado e crenças culturais superadas têm bloqueado a evolução dos negócios, condenando-os mundo afora.

Porém, estou convencido de que tal resistência está perto do fim. Assistiremos, nos próximos anos, a mudanças decisivas dos modelos de gestão, como reação a duas grandes revoluções e a dois desafios significativos. As revoluções são a tecnológica (resultante da evolução exponencial de machine learning, inteligência artificial e conectividade permanente) e a biológica (baseada nos avanços em biologia e neurociência). Os desafios, saber gerir a complexidade e a ambiguidade (o fator de maior impacto na forma como trabalharemos nos próximos 10 anos) e o encurtamento dos ciclos de aprendizagem, que ficam cada vez mais importantes para a sobrevivência dos negócios e o sucesso profissional, e conferem maior importância à gestão da informação.

## Quatro eixos estratégicos
Não chegaremos a 2030 sem um novo modelo de gestão dominante. Ele vem emergindo há algum tempo e tem quatro novos eixos estratégicos:

– __Pessoas:__ líderes presentes orientam e acompanham de perto o desenvolvimento e a performance de seus liderados; colaboradores com elevada capacidade de adaptação ao novo se reinventam rapidamente.
– __Tecnologias:__ soluções tecnológicas se alinham às necessidades de negócios, mercados e clientes. Destacam-se internet de todas as coisas (IoE, na sigla em inglês), que significa tudo conectado o tempo inteiro; tudo como serviço (ou EaaS, entendido como elevada disponibilidade de soluções por assinatura); conectividade, mobile e digitalização para facilitar acesso e compartilhamento; e dinamismo na velocidade da quarta revolução industrial.
– __Informação e dados:__ gestão da informação e dos dados viram o maior ativo dos negócios; há atualização constante dos níveis de informação sobre a cadeia de valor para atuação em tempo real; diversificam-se as fontes de informação para maior robustez do conhecimento.
– __Plataforma/ecossistema:__ ecossistemas de gestão integrada são construídos para melhor entrega e diferenciação no mercado; adotam-se sistemas ajustáveis ao contexto dos clientes e aos demais players; integram-se as funções em busca de um sistema empresarial com o mínimo possível de silos (ele é de fora para dentro); montam-se plataformas capazes de incorporar pessoas e tecnologias que automatizam os processos.

A transição da gestão de dentro para fora para um modelo de fora para dentro não será fácil. Vai requerer de todas as empresas uma jornada de transformação profunda e abrangente, em que praticamente todas as regras e formas de atuar precisarão ser redefinidas. Possivelmente sentiremos vontade de voltar ao passado e uma tensão em relação ao futuro que emerge. Mas não nos enganemos. Esse futuro já chegou.

![Imagens Prancheta 1 cópia 38](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/00rPwU7fCK0OZw5fOIgJb/ecd3c09b60434fd3e4cf168a47ab3d62/Imagens_Prancheta_1_c__pia_38.png)

Compartilhar:

Artigos relacionados

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Problemas complexos exigem criatividade coletiva

O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

O consumidor já é omnichannel. Sua empresa também é?

A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Por que o marketing precisa sair da própria bolha

As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Marketing, Estratégia
23 de julho de 2026 14H00
O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Ronaldo Fragoso - Chief Growth Officer da Deloitte e Carlos Eduardo Fogarolli - Sócio-líder da indústria de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte

3 minutos min de leitura
Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
22 de julho de 2026 14H00
Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de julho de 2026 09H00
Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de julho de 2026 09H00
A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Rafael Brizot - Diretor da Max Mohr

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo