Uncategorized

O que a Amazon quer com o varejo físico

Sua primeira unidade de tijolo e cimento foi inaugurada no ano passado, a segunda já foi confirmada em San Diego e, embora a empresa não informe seus planos, há rumores de que planeja instalar centenas delas, e não só de livros; a expectativa é que a Amazon reinvente o varejo – de novo
A entrevista é da equipe da Knowledge@Wharton.

Compartilhar:

> Vale a leitura porque… 
>
> … os movimentos de uma empresa que fatura US$ 107 bilhões por ano precisam ser acompanhados de perto. … a Amazon reinventou o varejo uma vez e pode estar para reinventá-lo de novo. … a combinação de estratégias de negócios on e off-line em um ecossistema, como a Amazon parece querer fazer, tende a trazer mudanças para empresas de todos os setores.

No início de fevereiro, Sandeep Mathrani, CEO da General Growth Properties (GGP), empresa de Chicago, Estados Unidos, especializada em imóveis para o varejo, disse que a gigante do varejo online Amazon planejava abrir centenas de lojas físicas.

A novidade acionou o gatilho de uma série de especulações. Estaria a empresa que fez tanto dinheiro na internet ameaçando o modelo de lojas físicas revendo sua estratégia de negócios? Teria a Amazon algo mais empolgante e experimental escondido na manga? Um dia depois do comentário de Mathrani, a GGP fez questão de explicar que a declaração que ele tinha feito não representava os planos da Amazon, enquanto a própria se negou a comentar “boatos e especulações”. 

No entanto, o debate sobre o futuro da Amazon, e do setor, estava deflagrado. A discussão é sobre como esse expoente do e-commerce poderia usar a tecnologia e a análise de dados para criar um experimento para loja física. Daniel Raff, professor de gestão da Wharton School, da University of Pennsylvania, opina que os rumores deixam claro que a Amazon está considerando a abertura de muitas lojas e que já há “pistas sobre tecnologia supernova nessas lojas”. 

Segundo ele, a grande pergunta é outra: “Por que a Amazon está pensando nisso?”. De acordo com Amanda Nicholson, professora de práticas do varejo da Whitman School of Management, da Syracuse University, no estado de Nova York, “a Amazon pode estar tentando criar um tipo diferente de loja: uma unidade de varejo físico que utilize tecnologia e capacidade analítica”. 

Ela observa que a empresa conta com uma cadeia de valor extraordinária e que “construiu seu nome em cima de como fazer com que as coisas chegassem até nós, consumidores, de modo bem barato e muito rapidamente”. 

O fato é que os comentários de Mathrani, desencadeadores de tanta especulação sobre a estratégia da Amazon, não traziam ambiguidade. “Teremos a Amazon abrindo lojas físicas. Sua meta é abrir, conforme entendi, 300 a 400 lojas”, disse ele durante a conferência de fevereiro sobre resultados financeiros da GGP, em resposta a uma pergunta sobre fluxo de pessoas em shopping centers, conforme publicou The Wall Street Journal. 

E outro fato é que, no dia seguinte, antes que a GGP se manifestasse sobre os comentários de Mathrani, o preço da ação da livraria Barnes & Noble, concorrente da Amazon, caiu 9%. 

> **Inovações Amazon**
>
> Além do tão conhecido leitor Kindle e das populares resenhas feitas por usuários, a Amazon já introduziu no mercado diversas inovações em produtos e serviços e também implantou melhorias em suas próprias operações e instalações. Conheça algumas delas: 
>
> * Prime, programa de assinatura anual de entregas em até dois dias. 
> * Prime Now, sistema de entregas em até uma hora. 
> * Prime Air, sistema em desenvolvimento que fará chegar mercadorias ao consumidor em até 30 minutos por meio de drones. 
> * Dash Button, ícone em que o cliente clica apenas uma vez e a encomenda costumeira é solicitada. 
> * Pacote antifrustração, isto é, as encomendas são despachadas nas embalagens originais dos fabricantes ou em embalagens feitas com material reciclado, mas sempre fáceis de abrir. 
> * Marketplace, espaço na loja virtual Amazon para fornecedores do mundo todo. 
> * Fulfillment by Amazon, serviços de armazenagem, embalagem e despacho de mercadorias de terceiros.
> *  Web Services, serviços de computação em nuvem, contratados por startups e por grandes empresas como Netflix, Adobe e The New York Times.
> * Echo, dispositivo acionado por voz, para o qual é possível pedir músicas, notícias e informações diversas. 
> * Fire TV, espécie de controle remoto para acesso imediato a sistemas de streaming como o da Netflix e o Prime Instant Video. 
> * Reciclagem de energia, pela qual os prédios da Amazon em Seattle (EUA) são aquecidos por calor gerado por um banco de dados da vizinhança. 
> * Geração de energia eólica e solar, em duas localidades norte-americanas, em busca da operação 100% baseada em energia renovável. 
> * Career Choice, programa pelo qual a empresa custeia até 95% dos estudos de seus funcionários, de graduação ou nível técnico, em áreas consideradas de alta demanda pelo mercado de trabalho.

**COMO SERIA A AMAZON DE TIJOLO E CIMENTO**

Raff visitou a por enquanto única livraria física da Amazon, localizada em Seattle, para ter algum insight sobre o pensamento da companhia. [A segunda, já confirmada pela empresa, estaria prestes a ser aberta, possivelmente em San Diego.] 

O professor observou que a loja ocupa um décimo da área total da antiga Barnes & Noble daquela localização e que tem uma seleção de livros muito bem pensada, voltada para interesses locais. “Todos os livros são dispostos nas prateleiras com a capa para a frente, diferentemente do que acontece em outras livrarias, e, o que é mais significativo, são vendidos pelo mesmo preço da loja online”, comenta. 

“Tudo lá parece ser mais barato do que seria em uma livraria convencional. E a loja ainda vende o e-reader Kindle e o Fire Phone.” Para Raff, o modelo da loja de Seattle “não parece que diz respeito apenas a livros, mas a um encaixe no ecossistema Amazon. 

Além disso, eles podem estocar e promover essas lojas de modo não muito oneroso. Isso significa vantagem competitiva em relação a novas lojas físicas”. 

Raff e Nicholson lembram também que a Amazon entrou com pedido de patente em uma série de inovações ligadas ao manejo de novos materiais e outras áreas. 

Uma dessas novidades envolve reconhecer quem é o cliente e seus dados de pagamento enquanto ele está circulando pelas estantes de uma loja e contemplando os produtos, o que viabiliza o checkout sem atendente. Se a Amazon conseguir implantar essas inovações, pode reduzir significativamente seus custos operacionais e tornar-se muito competitiva no varejo físico, conforme Nicholson observa. 

Como a professora salienta, é certo que a Amazon não está tentando reproduzir o modelo da Barnes & Noble ou de qualquer outra loja, e sim fazer algo diferente. A unidade de Seattle é um protótipo. Serve para a empresa testar se pode criar uma experiência de compra diferente usando análise dos dados das preferências dos consumidores.

**PREÇOS E CUSTOS**

Essas lojas físicas serviriam para dar o tiro de misericórdia na concorrente Barnes & Noble, que vem enfrentando muitos problemas recentemente, mas também beneficiariam a própria Amazon, que teria menos pressão sobre sua política de preços, acredita Raff. 

Some-se a isso o fato de que, ao acrescentar pontos de venda, a empresa economizaria em custos de frete para consumidores individuais da operação online. “Se a Amazon enviasse grandes carregamentos a locais onde as pessoas pudessem retirar suas encomendas, assumiria a dianteira do jogo em termos de custos de envio”, analisa o professor de Wharton. Sem falar que seria possível converter as visitas de clientes às livrarias em vendas de outras mercadorias. 

Nicholson assinala que as vendas do varejo virtual ainda são pequenas em relação ao tamanho total do varejo; representam apenas 9% dele. Em 2020, estima-se que alcançarão 12%. “Ainda há motivos para as pessoas saírem de casa para olhar e tocar as coisas que compram; o ambiente online nem de longe destruiu a necessidade de elas agirem assim, e a Amazon sabe disso.” Até agora, o professor Raff considera qualquer conversa sobre a estratégia de lojas físicas da Amazon prematura e “altamente especulativa”. 

Mesmo que a empresa tenha tais planos, demorará muito para inaugurar essas lojas. Será necessário identificar os pontos de venda corretos, negociar aluguéis, adequar os espaços, contratar pessoal, treinar a equipe e tudo o mais. “Para abrir 400 lojas em pouco tempo, ela precisaria ter um planejamento mais ou menos como o feito para a invasão do Dia D”, avalia o acadêmico. 

Na semana que precedeu os boatos sobre suas estratégias futuras, a Amazon parecia estar em grande forma. Em 28 de janeiro, ela anunciou crescimento de 20% em faturamento líquido em 2015, atingindo US$ 107 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 596 milhões, revertendo o prejuízo de US$ 241 milhões em 2014. 

> Você aplica quando… 
>
> … aprende sobre os movimentos da Amazon e tenta inspirar-se neles, adaptando-os a seu contexto. … pensa nos desdobramentos que uma rede de lojas físicas Amazon pode ter para o varejo em geral e em como isso vai afetar seu negócio.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Organizações vivas: o que o levain ensina a quem lidera?

Ao acompanhar o desenvolvimento de um levain, o autor encontrou paralelos inesperados com a vida nas organizações. Alimentar, observar, ajustar o ambiente e respeitar o tempo do processo são gestos que ajudam a entender uma das funções mais importantes da liderança: criar condições para que pessoas e equipes alcancem seu potencial coletivo.

Inovação farmacêutica brasileira: um ponto de inflexão nas análises do setor

Este é o quinto artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira. Após examinarmos a posição global do país, o acesso a medicamentos e a capacidade científica e industrial, a conversa com Norberto Prestes, da Abiquifi, amplia a investigação para as conexões entre empresas, pesquisadores, universidades e financiamento.
Como avaliar investimentos e resultados com informações pouco comparáveis? Entre orçamentos de P&D, incentivos acadêmicos e descobertas de pequenas equipes, buscamos parâmetros para examinar como o conhecimento se converte em aplicações, capacidade econômica e benefícios para a população.

O cliente não compra tecnologia. Compra conforto.

Recursos avançados, aplicativos e conectividade impressionam, mas raramente são o motivo principal de uma decisão de compra. O que as pessoas realmente buscam é uma solução capaz de tornar a vida mais simples e agradável. O artigo explora por que o sucesso de produtos inteligentes depende menos das funcionalidades e mais da capacidade de entregar uma experiência intuitiva e consistente.

Autoridade não se mede em decibéis

Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução