Inovação & estratégia, ESG
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OCC: a nova camada que vai reorganizar as empresas por dentro

Depois de organizar clientes, operações e dados, falta às empresas organizar a si mesmas. Este artigo apresenta o One Corporate Center como a próxima fronteira competitiva.
CEO da Ikatec, com mais de 20 anos de experiência em liderança estratégica e transformação digital. Desde 2010, lidera a expansão nacional e internacional da Ikatec, consolidando-a como referência em soluções Multi-SaaS.

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Tem um movimento acontecendo dentro das empresas que ainda não ganhou nome, mas já virou rotina.

Não importa o porte ou o segmento. A cena se repete: colaboradores perdem tempo procurando informação, processos existem mas não são seguidos, decisões demoram mais do que deveriam. E isso acontece mesmo em empresas altamente digitalizadas.

Nos últimos anos, as organizações investiram pesado em tecnologia. Estruturaram CRM para organizar o cliente, ERP para controlar a operação e BI para dar visibilidade aos dados. Cada uma dessas camadas resolveu um problema real. Mas nenhuma resolveu o problema central.

A empresa ainda não está organizada por dentro.

Existe uma diferença importante entre digitalização e organização. A digitalização multiplicou ferramentas, canais e fontes de informação, mas também fragmentou o conhecimento corporativo em uma escala difícil de gerenciar.

Na prática, a informação existe, mas não está estruturada. Documentos ficam espalhados, processos dependem de interpretação individual e políticas não chegam com clareza a quem precisa executá-las. Isso impacta produtividade, cultura e tomada de decisão.

Os dados reforçam esse cenário. O relatório State of the Global Workplace aponta que o engajamento global caiu para 20%, com perdas estimadas em cerca de 10 trilhões de dólares por ano, o equivalente a 9% do PIB mundial. Esse número não está apenas ligado à liderança, mas à falta de clareza, acesso e organização da informação dentro das empresas.

Esse contexto ajuda a explicar outro paradoxo recente.

Segundo a McKinsey, 92% das empresas planejam aumentar investimentos em inteligência artificial nos próximos anos, com potencial de gerar até 4,4 trilhões de dólares em produtividade. Ainda assim, estudos mostram que cerca de 95% das organizações não registraram impacto relevante nos lucros, mesmo após bilhões investidos.

A explicação é direta: A eficiência da IA depende da qualidade da informação que a alimenta. Quando os dados estão dispersos, desatualizados ou sem estrutura, a resposta será inconsistente. Quando existe uma base organizada, o ganho se torna real.

Ou seja, o problema não é a tecnologia. É a ausência de uma camada que organize o ambiente onde ela opera.

É nesse contexto que eu sugiro uma nova tese de mercado: One Corporate Center, o OCC.

Se o CRM organizou o relacionamento com o cliente, o ERP organizou os recursos da empresa e o BI organizou os dados, existe agora uma nova necessidade estrutural: organizar a empresa por dentro.

Essa é a base do conceito de OCC.

Não como mais uma ferramenta, mas como uma nova camada organizacional. O OCC parte de uma premissa simples: toda empresa já possui conhecimento, processos e políticas. O problema é que esses elementos estão dispersos, sem padronização e, muitas vezes, inacessíveis.

O papel dessa camada é unificar, estruturar e tornar utilizável tudo aquilo que a empresa já produz.

Na prática, isso significa reduzir a dependência de pessoas como intermediárias do conhecimento, garantir consistência na execução e criar uma base confiável para decisões e uso de IA.

Existe também um impacto estratégico relevante. A organização interna influencia diretamente a reputação e o desempenho financeiro das empresas. Estudos mostram que organizações com comunicação estruturada e identidade consistente sustentam melhores resultados ao longo do tempo.

Outro ponto importante é a centralização. Pesquisas indicam que estruturas centralizadas, quando bem implementadas e com fluxo bidirecional de informação, aumentam eficiência, melhoram a alocação de recursos e favorecem inovação.

Esse movimento indica o surgimento dessa nova categoria.

O mercado já sente o problema, mas ainda não o nomeia com precisão. Empresas que não conseguem acessar e organizar seu próprio conhecimento operam abaixo do seu potencial. Empresas que estruturam isso criam base para escala, inovação e uso real de tecnologia.

Depois de organizar cliente, operação e dado, a próxima fronteira competitiva é organizar a própria empresa.

Crescer é, para além de expandir, conseguir sustentar. 

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