Inovação & estratégia, ESG
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

OCC: a nova camada que vai reorganizar as empresas por dentro

Depois de organizar clientes, operações e dados, falta às empresas organizar a si mesmas. Este artigo apresenta o One Corporate Center como a próxima fronteira competitiva.
CEO da Ikatec, com mais de 20 anos de experiência em liderança estratégica e transformação digital. Desde 2010, lidera a expansão nacional e internacional da Ikatec, consolidando-a como referência em soluções Multi-SaaS.

Compartilhar:

Tem um movimento acontecendo dentro das empresas que ainda não ganhou nome, mas já virou rotina.

Não importa o porte ou o segmento. A cena se repete: colaboradores perdem tempo procurando informação, processos existem mas não são seguidos, decisões demoram mais do que deveriam. E isso acontece mesmo em empresas altamente digitalizadas.

Nos últimos anos, as organizações investiram pesado em tecnologia. Estruturaram CRM para organizar o cliente, ERP para controlar a operação e BI para dar visibilidade aos dados. Cada uma dessas camadas resolveu um problema real. Mas nenhuma resolveu o problema central.

A empresa ainda não está organizada por dentro.

Existe uma diferença importante entre digitalização e organização. A digitalização multiplicou ferramentas, canais e fontes de informação, mas também fragmentou o conhecimento corporativo em uma escala difícil de gerenciar.

Na prática, a informação existe, mas não está estruturada. Documentos ficam espalhados, processos dependem de interpretação individual e políticas não chegam com clareza a quem precisa executá-las. Isso impacta produtividade, cultura e tomada de decisão.

Os dados reforçam esse cenário. O relatório State of the Global Workplace aponta que o engajamento global caiu para 20%, com perdas estimadas em cerca de 10 trilhões de dólares por ano, o equivalente a 9% do PIB mundial. Esse número não está apenas ligado à liderança, mas à falta de clareza, acesso e organização da informação dentro das empresas.

Esse contexto ajuda a explicar outro paradoxo recente.

Segundo a McKinsey, 92% das empresas planejam aumentar investimentos em inteligência artificial nos próximos anos, com potencial de gerar até 4,4 trilhões de dólares em produtividade. Ainda assim, estudos mostram que cerca de 95% das organizações não registraram impacto relevante nos lucros, mesmo após bilhões investidos.

A explicação é direta: A eficiência da IA depende da qualidade da informação que a alimenta. Quando os dados estão dispersos, desatualizados ou sem estrutura, a resposta será inconsistente. Quando existe uma base organizada, o ganho se torna real.

Ou seja, o problema não é a tecnologia. É a ausência de uma camada que organize o ambiente onde ela opera.

É nesse contexto que eu sugiro uma nova tese de mercado: One Corporate Center, o OCC.

Se o CRM organizou o relacionamento com o cliente, o ERP organizou os recursos da empresa e o BI organizou os dados, existe agora uma nova necessidade estrutural: organizar a empresa por dentro.

Essa é a base do conceito de OCC.

Não como mais uma ferramenta, mas como uma nova camada organizacional. O OCC parte de uma premissa simples: toda empresa já possui conhecimento, processos e políticas. O problema é que esses elementos estão dispersos, sem padronização e, muitas vezes, inacessíveis.

O papel dessa camada é unificar, estruturar e tornar utilizável tudo aquilo que a empresa já produz.

Na prática, isso significa reduzir a dependência de pessoas como intermediárias do conhecimento, garantir consistência na execução e criar uma base confiável para decisões e uso de IA.

Existe também um impacto estratégico relevante. A organização interna influencia diretamente a reputação e o desempenho financeiro das empresas. Estudos mostram que organizações com comunicação estruturada e identidade consistente sustentam melhores resultados ao longo do tempo.

Outro ponto importante é a centralização. Pesquisas indicam que estruturas centralizadas, quando bem implementadas e com fluxo bidirecional de informação, aumentam eficiência, melhoram a alocação de recursos e favorecem inovação.

Esse movimento indica o surgimento dessa nova categoria.

O mercado já sente o problema, mas ainda não o nomeia com precisão. Empresas que não conseguem acessar e organizar seu próprio conhecimento operam abaixo do seu potencial. Empresas que estruturam isso criam base para escala, inovação e uso real de tecnologia.

Depois de organizar cliente, operação e dado, a próxima fronteira competitiva é organizar a própria empresa.

Crescer é, para além de expandir, conseguir sustentar. 

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução