Tecnologia & inteligencia artificial
3 minutos min de leitura

Perigo digital: o vazamento de dados da sua empresa pode começar com um prompt

Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.
Superintendente de Dados, Inteligência Artificial e Open Insurance da Mapfre. Com mais de 20 anos de experiência, é formado em tecnologia e sistema da informação com MBA em liderança e gestão pela USP/Esalq.

Compartilhar:

Existe uma ironia pouco discutida na corrida pela inteligência artificial. Nunca se investiu tanto em proteção de dados e, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil compartilhá-los. Enquanto empresas ampliam seus investimentos em infraestrutura, segurança e compliance, uma parcela crescente do risco está surgindo em outro lugar. Não nos modelos de IA, nem nas plataformas que disputam a liderança desse mercado. O problema começa quando profissionais bem-intencionados passam a tratar sistemas de inteligência artificial como uma extensão natural do ambiente de trabalho e, sem perceber, levam para essas ferramentas conteúdos que jamais circulariam fora dos limites da organização.

Esse comportamento já tem nome. Chama-se Shadow AI. O termo descreve o uso de ferramentas de inteligência artificial sem supervisão formal ou fora das políticas corporativas. Os números ajudam a dimensionar o problema. Uma pesquisa da PagerDuty mostrou que 66% dos profissionais utilizam aplicações de IA sem comunicar seus empregadores, enquanto 43% admitem inserir informações relacionadas ao trabalho em plataformas públicas.

O dado revela uma mudança importante na natureza do risco digital. Durante décadas, a preocupação das empresas esteve concentrada em impedir acessos indevidos. A lógica era a de que alguém do lado de fora tentaria chegar aos dados. A popularização da IA introduziu uma dinâmica diferente. Em muitos casos, as informações não estão sendo capturadas por terceiros. Estão sendo fornecidas espontaneamente por quem possui autorização para acessá-las.

É justamente essa aparente normalidade que torna o fenômeno relevante. Afinal, ninguém acredita estar colocando a organização em risco ao pedir que uma ferramenta resuma um contrato, organize uma apresentação ou analise uma planilha. A conveniência reduz a percepção de exposição. O ganho imediato de produtividade tende a ser visível. As consequências, quando existem, costumam permanecer invisíveis por muito tempo.

Os números sugerem que essa prática deixou de ser pontual. Segundo a Cyberhaven, 34,8% dos dados compartilhados em ferramentas de IA já são classificados como sensíveis. Há dois anos, esse percentual era de 10,7%. O crescimento ajuda a explicar por que discussões sobre data leakage passaram a ocupar espaço cada vez maior nas agendas de tecnologia e segurança.

O debate, porém, corre o risco de seguir pelo caminho errado. A resposta para esse desafio dificilmente virá apenas de novos controles tecnológicos. Trata-se, sobretudo, de uma questão de governança, cultura organizacional e educação digital. Nenhum software é capaz de substituir o discernimento humano sobre o que pode ou não ser compartilhado.

A inteligência artificial continuará ampliando a produtividade das empresas e redefinindo processos. Essa trajetória parece irreversível. O que permanece em aberto é outra questão. Se os dados se consolidaram como um dos ativos mais valiosos das organizações, por que tanta gente ainda os compartilha com a mesma naturalidade com que envia uma mensagem instantânea? A resposta a essa pergunta provavelmente dirá mais sobre o futuro da IA nas empresas do que qualquer avanço anunciado pelos laboratórios de tecnologia.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

Oferecido por:
13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

Oferecido por:
11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

Oferecido por:
0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução