Liderança, Cultura organizacional
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Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.
Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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Há um entendimento torto sobre se posicionar ser contestar a ideia, projeto ou opinião. Concordar e ou aceitar também é um posicionamento!

Tem uma confusão homérica rondando os corredores corporativos: a de que “ter posicionamento” significa discordar de tudo que aparece pela frente. Reunião marcada, ideia na mesa, e lá vem o profissional sênior, ou quem acha que é, pronto para achar o pelo no ovo. Como se maturidade profissional fosse sinônimo de careta permanente.

Aviso: concordar também é um posicionamento. Aceitar uma ideia boa, apoiar um projeto bem construído, dizer “sim, faz sentido”, isso é tão posicionamento quanto o “não” mais eloquente do mundo. Só que ninguém parece lembrar disso.

Vivemos uma epidemia silenciosa: profissionais, homens e mulheres, em igual proporção, convencidos de que sênior é sinônimo de opinião sobre tudo e oposição a tudo. E o pior: fazem isso inclusive com o próprio líder direto, como se liderança fosse ringue e não time. O resultado, ao longo do tempo, é previsível: relações tensionadas, confiança minada, e discussões que deveriam resolver problemas viram embate de ego.

No fundo, é uma escolha simples, ainda que ninguém pare para fazê-la conscientemente: ser contributivo ou ser contestador, sendo que, convenhamos, “contestador de tudo que não vem de mim” é o esporte mais praticado nas empresas depois do cafezinho.

E essa escolha errada cobra caro, em duas frentes:

  • Primeiro, na sua rotina. Você vai acordar todo dia se blindando para a guerra, não se preparando para o trabalho em equipe. Cansativo, para você e para quem convive contigo.
  • Segundo, e mais sério: na sua carreira. Ser contributivo nem sempre garante a promoção. Mas ser contestador, isso sim, quase sempre garante o oposto, te risca da lista de candidatos ao próximo degrau. E tem lógica nisso: organizações precisam de gente que ajude a melhorar ideias, mesmo as que não são suas. A fama de encrenqueiro gruda, e gruda fácil. Existe até uma regrinha não escrita nos corredores: você é considerado pelo conhecimento técnico e pela experiência e descartado pelo comportamento.


Ganhar maturidade nesse ponto começa por ressignificar o próprio papel: entender, de verdade, o que é contribuir dentro de uma estrutura corporativa. Depois vem a parte prática, desenvolver protocolos e formas de atuação que ajudem a redesenhar essa postura como executivo ou executiva.

E aqui vai o ponto que costuma incomodar: essa mudança não se resolve com mais um curso ou mais um livro sobre liderança. O caminho passa por programas de Mentoria ou Coaching Corporativo, que trabalham essa nova forma de atuar ao longo do tempo, com prática real, reconhecimento de ganhos e consolidação de aprendizado. Não vai acontecer em uma palestra de duas horas.

Fica a pergunta para você levar para o café de amanhã: na última reunião de que participou, seu posicionamento contribuiu para a solução ou só marcou território?

Pense nisso com carinho.

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Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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