Carreira

Prepare-se: os processos seletivos irão mudar no pós-pandemia

Conheça quatro princípios que vão determinar a maneira como empresas e candidatos irão realizar processos seletivos num mundo ainda incerto do pós-covid-19
Sabina Augras e Laura Fuks são sócias fundadoras da Cmov, edtech na área de carreira e empregabilidade.

Compartilhar:

Participar de processos seletivos sempre deixou muita gente com aquele frio na barriga, ou até algumas noites sem dormir. Quando se fala dos jovens e do seu primeiro processo seletivo, esses sentimentos de angústia podem aumentar de forma exponencial. Talvez, por isso, sempre tivemos tantos conteúdos disponíveis na internet para auxiliar os jovens nesse difícil momento.

Atualmente, o grande problema é que, em função da pandemia, o mundo mudou, e os [processos seletivos também tiveram que mudar](https://www.revistahsm.com.br/post/o-que-processos-seletivos-diversos-e-algoritmos-tem-em-comum), e muito. E as empresas e os candidatos ainda estão se adaptando à mudança.

Como uma parte significativa do processo seletivo ocorria de forma presencial, as organizações tiveram que se ajustar ao novo momento, e transformar seus processos, colocando todas as etapas de forma remota.

Quando falamos de [processos de estágio e trainee](https://www.revistahsm.com.br/post/muito-alem-dos-programas-de-selecao-de-estagio-e-trainee), algumas fases, como inscrição e os testes iniciais, já ocorriam de forma online. No entanto, em praticamente todos os processos seletivos as últimas etapas, consideradas as mais decisivas, eram realizadas de forma presencial.

## Novos desafios

Agora se faz necessário que todas as etapas ocorram de forma online. E como conduzir uma dinâmica de grupo, uma entrevista individual, ou mesmo um painel de entrevista, de uma forma remota e online?

Como preparar os jovens para esse novo formato? Como criar empatia, demonstrar uma boa comunicação assertiva, verificar relacionamentos interpessoais, ou seja, as competências comportamentais, num processo 100% online?

### Pratique a entrevista por vídeo

Todos já sabemos que a melhor forma de se desenvolver em uma competência é através da prática. A partir da prática, o domínio cresce e consequentemente a confiança aumenta. O grande erro de muitos jovens é acreditar que através de processos online será mais fácil ter uma boa performance num durante a seleção. Isso é um ledo engano.

Mesmo que tenham habilidades digitais, esse é um novo formato, onde o foco no que e como se diz se torna ainda mais importante. Ter uma boa comunicação assertiva e gerar empatia de forma online não é simples. Por isso, treinar e praticar se torna ainda mais importante.

### Prepare o ambiente

Falar em ambiente é um pouco mais amplo e complexo do que pode parecer num primeiro momento. Na entrevista online as responsabilidades sobre o local se invertem, pois deixa de ser exclusivamente da empresa e passa a ser também do candidato. Nesse momento, a preocupação não pode ser somente em como irá se apresentar, mas também onde e como.

O ambiente escolhido pelo candidato, passa nesse momento a também interferir diretamente sobre seu processo. Não ter cuidado com o ambiente, bagunças, porta do armário aberta, cama desarrumada podem passar a fazer parte da “imagem” do candidato e talvez isso possa interferir negativamente em seu processo seletivo.

O problema é quando as pessoas esquecem de que o grande objetivo deve ser sempre naquilo que é falado, no conteúdo do que é dito, e não permitir que fatores externos interfiram nisso.

### Novas oportunidades do processo online

Dentro dessa nova realidade virtual, as organizações perceberam que é possível não só realizar processos seletivos remotamente como também trabalhar de forma remota. Isso significa que processos seletivos que antes estavam restritos ao local de atuação das empresas, agora tomam uma perspectiva muito mais global.

Dentro dessa nova realidade, os custos dos processos seletivos diminuem, [o número de candidatos aumenta, e as possibilidades de vagas também](https://www.revistahsm.com.br/post/ate-onde-vai-a-responsabilidade-de-uma-empresa-com-candidatos-que-nao-foram-aprovados-em-seus-processos-seletivos). Um candidato que antes morava numa região muito distante da empresa que estava realizando o processo seletivo, provavelmente nem se candidataria a vaga e nem seria chamado para participar da seleção caso o fizesse.

### Um mundo em mudanças constantes

Nunca o termo VUCA ([volatility, uncertainty, complexity e ambiguity](https://www.revistahsm.com.br/post/cinco-pilares-da-gestao-de-pessoas-no-trabalho-hibrido)) se adequou tão bem ao momento em que estamos vivendo. Apesar de ter sido criado na School of the Americas nos anos 90, esses quatro conceitos são usados acertadamente para descrever o mundo em que vivemos atualmente: uma realidade de mudanças rápidas e com diversas facetas. E os novos formatos dos processos seletivos são apenas uma pequena parte de todas as alterações que estão ocorrendo.

Entramos num caminho sem volta, mesmo que os momentos pós-pandemia voltem um pouco à normalidade, nunca mais serão como antes. Os processos seletivos online ganharam muita força e ao longo desse caminho muitas vantagens foram atribuídas a ele. Por isso, a questão principal é as estar preparado para mudanças, tentando aprender com ela, tirando o melhor proveito, sem resistir, enxergando as modificações como uma oportunidade de crescimento e autoconhecimento.

*Gostou do artigo da Laura Fuks e da Sabrina Augras? Sabia mais sobre os principais conteúdo do Brasil sobre gestão, negócios e carreira [assinando nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts ](https://www.revistahsm.com.br/podcasts)na sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Sabina Augras e Laura Fuks são sócias fundadoras da Cmov, edtech na área de carreira e empregabilidade.

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

A pergunta que todo treinamento deveria responder

Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução