Estratégia, Marketing & growth
5 minutos min de leitura

Quando a marca comenta, o público lembra: o poder da interatividade nas redes sociais

Como respostas rápidas, tom humano e escuta ativa transformam perfis em plataformas de reputação e em vantagem competitiva para marcas e negócios
Jornalista e especialista em marketing e posicionamento de marcas. Fundadora e CEO da Mclair Comunicação.
Jornalista e atua com assessoria de imprensa, comunicação estratégica e construção de marcas.

Compartilhar:

A cena se repete com frequência: um seguidor posta algo que não tem relação direta com um produto, a conta oficial de uma marca surge nos comentários com uma resposta afiada ou empática, o público compartilha a interação e, em poucas horas, o nome da empresa volta a circular com nova relevância. Esse movimento, que vai do deboche leve à intervenção útil em crises, deixou de ser exceção para se tornar estratégia nas redes, não apenas como tática de marketing, mas como instrumento de construção de imagem.

Em um universo digital em que bilhões de pessoas estão conectadas diariamente, a habilidade de uma marca aparecer em conversas “aleatórias” e transformar essa aparente intromissão em memórias coletivas passou a ter peso real na percepção pública. Por trás dessas aparições está, muitas vezes, o trabalho de profissionais cuja função ganhou contornos mais amplos do que a simples moderação de comentários: os community managers.

Diferente do social media manager, cujo foco tende a ser planejamento e conteúdo, o community manager vive o território das relações: monitora menções, participa de diálogos, resolve dúvidas e identifica oportunidades de storytelling nas entrelinhas do que os usuários publicam. Esse profissional atua tanto preventivamente, mapeando riscos e tendências, quanto reativamente, intervindo com rapidez quando a marca é chamada.

A combinação de empatia e inteligência de dados torna a resposta espontânea mais do que um insight momentâneo, ela passa a ser insumo para decisões de negócio. Em outras palavras, quando uma equipe consegue transformar um comentário em informação acionável, o retorno pode ir muito além do like, impactando em retenção, percepção e posicionamento de marca.

A interatividade espontânea funciona como ferramenta de humanização porque reduz a distância simbólica entre empresa e público. Em vez de apenas transmitir mensagens unilaterais, marcas que respondem com tom humano reconhecem a cultura do canal, valorizam o humor e demonstram prontidão para escutar, atitudes que concorrentes majoritariamente institucionais costumam negligenciar.

Um exemplo recente envolveu o designer João Tecklenborg, conhecido como “Borguinho BR”, que publicou no TikTok uma “nova versão” do logotipo do Nubank. O vídeo viralizou e recebeu respostas bem-humoradas da própria instituição financeira e de outras marcas, como Riachuelo, Netflix e SBT. O episódio mostrou como o humor pode quebrar barreiras entre empresas e consumidores, construindo uma comunicação mais próxima e memorável.

Mas sempre há desafios e armadilhas a considerar e se manter atento: – A rapidez exigida pela cultura das redes pode levar a erros de julgamento; – Brincar com temas sensíveis ou usar sarcasmo fora de hora transforma uma aparição bem-intencionada em crise de imagem. Além disso, medir com precisão o retorno desse tipo de interação continua sendo uma tarefa complexa, afinal nem todo aumento de curtidas se traduz em comportamento de compra, e nem toda menção positiva se converte em fidelidade.

O marketing que o dinheiro não compra

Mas e quando as menções surgem de forma espontânea e até viral por parte do público em relação à sua marca? Isso é mais comum do que parece e pode representar tanto uma grande oportunidade quanto um verdadeiro risco, dependendo de quem está envolvido e do contexto em que tudo acontece.

Um levantamento da Ativaweb Inteligência Digital analisou, durante 30 dias, o comportamento do público em relação à novela Vale Tudo, da Globo. A pesquisa abrangeu o Instagram, TikTok, X e YouTube Shorts, registrando 287 milhões de interações no período, das quais 43% vieram de pessoas entre 18 e 34 anos. O total de interações inclui curtidas, comentários, compartilhamentos e reproduções.

Para as marcas, este fenômeno serve como uma lição valiosa: quando o conteúdo ressoa com a audiência, o público não apenas consome, ele participa, cria e amplifica a mensagem. É nesse momento que a marca que ouve e responde com agilidade se destaca, transformando o engajamento massivo em uma plataforma de reputação.

Um exemplo emblemático e positivo dessa dinâmica é o recente fenômeno envolvendo o sabonete de enxofre da Granado. Um produto clássico, quase esquecido nas prateleiras, que viu suas vendas saltarem de 100 mil para 1,2 milhão de unidades em um ano. O gatilho? Uma menção espontânea e autêntica de um influenciador de nicho, o médico dermatologista Rodrigo da Costa Andrade, que viralizou nas redes sociais.

O caso é uma aula sobre o poder da credibilidade e do endosso não-pago. A recomendação não partiu da marca, mas de um especialista com autoridade no assunto, que resolveu uma dor real do público (problemas comuns de pele) com uma solução acessível. Neste caso específico, a Granado usou da estratégia de não interferir, deixando a validação orgânica florescer, colhendo os frutos de um marketing que nenhuma campanha publicitária milionária poderia comprar: a confiança.

A lição aqui é poderosa, especialmente no que chamamos de ‘economia da atenção’ – no qual a atenção do consumidor é o recurso mais disputado. Nesse ambiente, a voz mais convincente raramente é a da própria marca, mas sim a de um cliente ou especialista satisfeito. O desafio para as empresas, portanto, não é apenas monitorar menções, mas construir produtos e uma reputação tão sólidos que a recomendação espontânea se transforme em um case de sucesso. O ‘efeito Granado’ prova que, às vezes, o melhor marketing é ter um excelente produto e deixar que as pessoas certas falem sobre ele.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
24 de julho de 2026 08H00
A preocupação com dinheiro já impacta produtividade, saúde mental e permanência no emprego. Diante desse cenário, organizações começam a repensar seu papel e a buscar formas de apoiar colaboradores sem invadir sua autonomia financeira.

Vivian Pardini - Coordenadora de compliance da Biz

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
23 de julho de 2026 14H00
O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Ronaldo Fragoso - Chief Growth Officer da Deloitte e Carlos Eduardo Fogarolli - Sócio-líder da indústria de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte

3 minutos min de leitura
Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
22 de julho de 2026 14H00
Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de julho de 2026 09H00
Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de julho de 2026 09H00
A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Rafael Brizot - Diretor da Max Mohr

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo