Direito, Regulação & Compliance
3 minutos min de leitura

Quando compliance deixa de dizer “não” e passa a ajudar o negócio a crescer

or muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.
Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

Compartilhar:

Durante muito tempo, compliance foi associado principalmente a regras, controles e aprovações. Em muitas situações, a área era procurada quando uma decisão já estava praticamente tomada, para responder se aquilo poderia ou não ser feito. Esse papel continua importante, mas já não basta.

Com operações mais complexas e exigências crescentes de transparência, a pergunta passa a ser: como fazer o negócio acontecer da maneira certa? É nessa mudança que a integridade deixa de ocupar apenas o fim do processo e passa a participar da construção das decisões. Em vez de validar algo já executado, ela contribui desde o início, ajudando a encontrar caminhos para que a iniciativa avance de forma ética e aderente às regras.

A pesquisa Moving faster: Reinventing compliance to speed up, not trip up, da PwC, com 1.802 executivos em 63 territórios, ajuda a dimensionar essa mudança. Entre as organizações que relatam uma cultura de compliance mais forte, 63% afirmam que a área exerce influência significativa sobre decisões e mudanças estratégicas, contra 30% entre aquelas com cultura menos desenvolvida. A maturidade não está apenas na quantidade de políticas, mas também no quanto a área participa das decisões.

Na Eldorado Brasil, essa evolução também se refletiu na própria estrutura da área. Em 2025, a área que antes se chamava Compliance passou a se chamar Integridade, acompanhando a ampliação de sua atuação.

Colocar ideias e ações em discussão antes da tomada de decisão é um passo fundamental para identificar riscos. Na Eldorado, as áreas prestam contas ao Conselho de Administração e à Presidência, e o Comitê de Ética reúne Integridade, Jurídico, Recursos Humanos e áreas operacionais, permitindo uma visão geral sobre o tema discutido e a entrega de soluções mais seguras e competitivas.

Outro ponto tão essencial para a integridade quanto conhecer as políticas é entender como as atividades acontecem e estar fisicamente próximo delas: na Eldorado Brasil, na floresta, na fábrica, na logística ou no terminal. Não é possível construir controles eficazes apenas a partir de uma mesa. É preciso conhecer a realidade de quem executa.

E é preciso ir além. O canal de denúncias, que também é usado como ferramenta para medir e desenvolver a cultura, só funciona se as pessoas se sentirem seguras para utilizá-lo. Na Linha Ética da Eldorado, houve aumento da proporção de relatos em que o autor se identifica, um indicador que a companhia considera sinal de maior confiança no canal. Além disso, o prazo médio de apuração foi de 12 dias, 71% mais agil que a média dos canais do país, segundo a Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, da Be.Aliant.

Por fim, é necessário medir o que importa. O retorno da integridade não se resume a multas evitadas: se queremos que a integridade participe da estratégia, precisamos também avaliar sua contribuição para a qualidade das decisões. Isso passa pela comunicação contínua, com 55 comunicados dirigidos a todas as áreas da companhia em 2025, e pelo exemplo da liderança. Políticas podem orientar comportamentos, mas é a liderança que dá concretude ao que a organização espera no dia a dia.

A principal mudança é que a área que antes reagia a riscos agora ajuda a empresa a decidir melhor como crescer. Talvez a pergunta mais relevante para o compliance não seja quantas vezes ele impediu uma decisão, mas quantas vezes ajudou o negócio a encontrar uma forma segura, ética e sustentável de realizá-la.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pergunta que todo treinamento deveria responder

Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

A IA aumentou a produtividade, mas quem está ganhando tempo?

Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

A IA não está substituindo os bancos. Está mudando o trabalho dentro deles.

O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

A Reforma Tributária já não é um tema fiscal. É um tema de supply chain.

O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução