Direito, Regulação & Compliance
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Quando compliance deixa de dizer “não” e passa a ajudar o negócio a crescer

or muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.
Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

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Durante muito tempo, compliance foi associado principalmente a regras, controles e aprovações. Em muitas situações, a área era procurada quando uma decisão já estava praticamente tomada, para responder se aquilo poderia ou não ser feito. Esse papel continua importante, mas já não basta.

Com operações mais complexas e exigências crescentes de transparência, a pergunta passa a ser: como fazer o negócio acontecer da maneira certa? É nessa mudança que a integridade deixa de ocupar apenas o fim do processo e passa a participar da construção das decisões. Em vez de validar algo já executado, ela contribui desde o início, ajudando a encontrar caminhos para que a iniciativa avance de forma ética e aderente às regras.

A pesquisa Moving faster: Reinventing compliance to speed up, not trip up, da PwC, com 1.802 executivos em 63 territórios, ajuda a dimensionar essa mudança. Entre as organizações que relatam uma cultura de compliance mais forte, 63% afirmam que a área exerce influência significativa sobre decisões e mudanças estratégicas, contra 30% entre aquelas com cultura menos desenvolvida. A maturidade não está apenas na quantidade de políticas, mas também no quanto a área participa das decisões.

Na Eldorado Brasil, essa evolução também se refletiu na própria estrutura da área. Em 2025, a área que antes se chamava Compliance passou a se chamar Integridade, acompanhando a ampliação de sua atuação.

Colocar ideias e ações em discussão antes da tomada de decisão é um passo fundamental para identificar riscos. Na Eldorado, as áreas prestam contas ao Conselho de Administração e à Presidência, e o Comitê de Ética reúne Integridade, Jurídico, Recursos Humanos e áreas operacionais, permitindo uma visão geral sobre o tema discutido e a entrega de soluções mais seguras e competitivas.

Outro ponto tão essencial para a integridade quanto conhecer as políticas é entender como as atividades acontecem e estar fisicamente próximo delas: na Eldorado Brasil, na floresta, na fábrica, na logística ou no terminal. Não é possível construir controles eficazes apenas a partir de uma mesa. É preciso conhecer a realidade de quem executa.

E é preciso ir além. O canal de denúncias, que também é usado como ferramenta para medir e desenvolver a cultura, só funciona se as pessoas se sentirem seguras para utilizá-lo. Na Linha Ética da Eldorado, houve aumento da proporção de relatos em que o autor se identifica, um indicador que a companhia considera sinal de maior confiança no canal. Além disso, o prazo médio de apuração foi de 12 dias, 71% mais agil que a média dos canais do país, segundo a Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, da Be.Aliant.

Por fim, é necessário medir o que importa. O retorno da integridade não se resume a multas evitadas: se queremos que a integridade participe da estratégia, precisamos também avaliar sua contribuição para a qualidade das decisões. Isso passa pela comunicação contínua, com 55 comunicados dirigidos a todas as áreas da companhia em 2025, e pelo exemplo da liderança. Políticas podem orientar comportamentos, mas é a liderança que dá concretude ao que a organização espera no dia a dia.

A principal mudança é que a área que antes reagia a riscos agora ajuda a empresa a decidir melhor como crescer. Talvez a pergunta mais relevante para o compliance não seja quantas vezes ele impediu uma decisão, mas quantas vezes ajudou o negócio a encontrar uma forma segura, ética e sustentável de realizá-la.

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