Marketing & growth, Liderança
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

Quando promover o melhor não é suficiente: os desafios do marketing multi‑mercados

De executor local a orquestrador global: por que essa transição raramente é bem preparada? Este artigo explica porque promover um gestor local para liderar múltiplos mercados é uma mudança de profissão, não apenas de escopo.
Ex-consultor de estratégia da BCG e executivo internacional de marketing. Iniciou sua carreira na Danone no Canadá, desenvolveu experiência nos Estados Unidos na PepsiCo e posteriormente liderou portfólios internacionais de marcas em vários mercados na Suntory. Ao longo de sua carreira trabalhou com equipes e marcas em diversos países da Europa e das Américas. Atualmente escreve e ensina sobre liderança de marketing, crescimento internacional e gestão de marcas em ambientes multi-mercados.

Compartilhar:

Em muitas empresas, a expansão internacional segue um roteiro bastante previsível. Um negócio cresce em seu mercado doméstico, ganha escala e começa a operar em vários países – abrindo filiais, trabalhando com distribuidores ou coordenando parceiros em diferentes mercados.

Em algum momento surge uma pergunta inevitável: quem deve liderar o marketing nesse novo contexto internacional?

A resposta mais comum parece óbvia. As empresas promovem seus melhores gestores de marketing locais para funções regionais ou globais. Afinal, esses profissionais conhecem bem os consumidores, executam rapidamente e já provaram sua capacidade de gerar resultados.

No papel, a decisão parece lógica.

Na prática, porém, essa promoção frequentemente se torna uma das transições mais difíceis da carreira de marketing.

O motivo é simples: marketing internacional não é marketing local em escala maior. É um trabalho diferente.


Um erro comum nas empresas

No nível local, o marketing recompensa proximidade com o consumidor, velocidade de decisão e controle direto da execução. O gestor conhece profundamente o mercado, trabalha com uma equipe que lhe reporta diretamente e toma decisões rápidas dentro de um contexto cultural e comercial familiar.

Grande parte do sucesso vem da capacidade de agir rapidamente: lançar campanhas, adaptar produtos, negociar prioridades com a equipe comercial e ajustar o plano conforme o mercado evolui.

Quando esse mesmo profissional assume um papel multi-mercados, quase tudo muda.

A equipe deixa de ser direta e passa a ser virtual. Muitas vezes inclui parceiros, distribuidores ou equipes que respondem a outras hierarquias. O conhecimento do consumidor torna-se fragmentado entre diferentes países. As decisões passam a depender mais de alinhamento e influência do que de autoridade direta.

Em vez de executar campanhas, o líder precisa criar condições para que outros executem melhor.


Quando o papel muda completamente

Esse deslocamento é profundo – e frequentemente subestimado pelas organizações.

Empresas promovem um excelente executor local esperando encontrar automaticamente um grande líder internacional, sem redefinir claramente o que significa sucesso nesse novo papel.

É nesse momento que surgem as dificuldades.

Alguns líderes tentam continuar atuando como especialistas locais, oferecendo respostas e soluções para todos os mercados. Rapidamente descobrem que sua experiência não se aplica igualmente a contextos diferentes.

Outros caem no extremo oposto e passam a agir apenas como facilitadores administrativos, respondendo a demandas vindas dos países sem exercer verdadeiro papel estratégico.

Nenhum dos dois caminhos funciona bem.


O verdadeiro valor da liderança global

O verdadeiro valor de um líder de marketing multi-mercados aparece em outro lugar.

Ele surge na capacidade de identificar padrões entre mercados, reconhecer problemas comuns e desenvolver plataformas ou ferramentas que possam ser utilizadas em vários países.

Aparece também na habilidade de desafiar planos locais com boas perguntas – mesmo sem conhecer cada detalhe de cada mercado.

Acima de tudo, aparece na capacidade de antecipar necessidades: criar ativos, programas ou direções estratégicas antes que cada país tente resolver os mesmos problemas de forma isolada.

Quando isso acontece, o marketing central deixa de ser visto como uma camada burocrática e passa a ser percebido como um verdadeiro multiplicador de valor.

Para as empresas, a lição é clara. Promover gestores locais para funções internacionais pode ser uma grande oportunidade – mas apenas se for reconhecido que se trata de uma mudança de profissão, não apenas de escala.

Preparar essa transição, redefinir expectativas e desenvolver as competências necessárias faz toda a diferença.

Caso contrário, organizações correm o risco de perder justamente os talentos que estavam tentando desenvolver.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução