Estratégia e Execução

Quatro chaves para um M&A de resultado

As fusões dos negócios são uma estratégia de consolidação de mercado e um caminho para se ganhar eficiência, escala e confiança, quando bem-gerida, mas é preciso trabalhar esse processo com atenção
Tomás Trojan é diretor de operações da Cadastra, empresa de soluções de marketing, tecnologia, estratégia de negócios, data e analytics.

Compartilhar:

O mar não está para peixe. No curto prazo, juros altos, baixa liquidez e incertezas no ambiente econômico. Mas não me entendam mal. É um ambiente que já vivemos várias vezes no passado e sabemos navegar, apenas que isso se traduz no mercado em uma grande demanda por racionalização e eficiência.

É hora de fazer mais, com menos, ou de forma mais inteligente, com mais escala e automatização. É também o momento em que ganham força oportunidades de negócio na área de fusões e aquisições.

Não por acaso, essa indústria movimentou no Brasil US$ 49 bilhões em 2021, recorde histórico, e US$ 28 bilhões em 2022, apesar da queda considerável, o segundo recorde histórico, de acordo com levantamento da Bain & Company. Já a KPMG, em número de transações, registrou uma variação menor de 1.963 em 2021 para 1.728 em 2022.

E as perspectivas para 2023 continuam aquecidas. Segundo levantamento da Kroll, esse segmento pode crescer 15% no Brasil este ano. Na mesma linha, uma pesquisa da EY apontou que 72% dos CEOs de TI planejam realizar operações de M&A nos próximos 12 meses. Minha organização realizou três aquisições seguidas em quatro meses, com apetite para mais.

Mas não basta comprar, é preciso tornar a operação efetiva e entregar os resultados almejados.

A fusão dos negócios deve, necessariamente, gerar sinergia, ou seja, 1+1 não deve ser apenas dois, mas sim três, quatro. Porém, há um caminho até chegar lá, de forma que, em um primeiro momento, a união dos negócios gera sim a soma dois, ou até um pouco menos em virtude dos grandes esforços de integração.

O processo inicial de união dos negócios impacta colaboradores, clientes, fornecedores e o mercado de forma geral. É preciso trabalhar com atenção essa transição – claro, tendo em vista o contexto de cada mercado, empresa e ativo adquirido.

O primeiro aspecto a ser observado é o time. A mudança na trajetória do negócio gera incertezas. É preciso acolher estas pessoas, apresentar a empresa compradora e sua cultura e estabelecer pontos de contato.

Acomodar, na medida do possível, interesses e diferentes pontos de vista, especialmente entre as lideranças, é outro ponto fundamental. Se algum ajuste é necessário, que ele seja feito adequadamente de uma vez só, proporcionando maior direcionamento a quem fica.

Organizado o time, devemos abordar os clientes individualmente, se possível, de forma a transmitir a segurança de que os serviços continuam normalmente e que no médio prazo haverá ganhos. O mercado brasileiro está mais maduro em relação aos M&As, mas é preciso agir rápido para que alguma eventual dúvida inicial não evolua para uma insatisfação.

Chegamos então à fase de integração. Esse processo pode ser muito agilizado quando a empresa já trabalha no formato de squads e tribos, pois a liderança já passa a desenhar projetos e serviços utilizando staff, recursos e capabilities da empresa adquirida de forma bastante prática.

Aliás, está claro que, na nova economia, onde novas tecnologias surgem quase que diariamente, os M&As são um caminho sólido para agregar capabilities ao negócio. Isso porque é comprado ou fundido o pacote completo: a tecnologia em si, a equipe, a experiência e a até a cartela inicial de clientes. Iniciar do zero, embora possível, é mais difícil e, invariavelmente, traz uma curva de aprendizado acentuada e um risco maior.

Dentro do tema integração, temos ainda a equalização de sistemas de trabalho, que se tornou ainda mais importante com a ampla disseminação do home office. Nesta área, recomendo uma análise prévia que avalie as práticas de ambas as empresas e selecione as melhores. Recentemente, adotamos um sistema de uma empresa adquirida que nos pareceu mais assertivo e teve resultados muito bons.

Arrumado o back-office, é hora de capturar sinergias em todas as áreas: RH, vendas, finanças, alocação de trabalho etc. Quando isso é bem-feito, mesmo com os inerentes desafios, o valor da operação aparece e dá margem a dois movimentos muito importantes: o cross sell e o upsell. Primeiro entre os clientes de ambas as empresas, depois explorando os prospects e network no mercado de forma geral.

Essa abordagem costuma ter uma taxa de sucesso e custos melhores que a também necessária busca greenfield.

Os M&As, além de uma estratégia de consolidação de mercado, são um caminho para se ganhar eficiência, escala e, quando bem-gerida, confiança, ativos capitais no mundo digital e que ajudam a empresa a encarar momentos anticíclicos do mercado e estar pronto para a próxima onda de aceleração a frente.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Da produção à curadoria: a nova lógica da relevância digital

O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Por que todos os líderes começaram a soar iguais?

A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Live marketing ganha força na era da distração

Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Lifelong learning
10 de junho de 2026 17H00
Pior do que não saber é achar que já sabe. Este artigo expõe um risco silencioso nas organizações: não é a falta de conhecimento que mais compromete decisões, mas a combinação perigosa entre entendimento superficial e confiança excessiva.

Jorge Inafuco - Consultor e Palestrante da HSM, Sociólogo, Professor de MBAs, Conselheiro e Mentor

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de junho de 2026 08H00
Dentro dos bilhões investidos em IA existe uma única aposta: a de que a inteligência vai deixar de ser escassa. Se ela se confirmar, não vai apenas cortar os seus custos. Vai dissolver os fossos competitivos sobre os quais as partes mais lucrativas da sua empresa foram construídas, muitas vezes sem ninguém perceber.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

8 minutos min de leitura
Marketing
9 de junho de 2026 18H00
Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional
9 de junho de 2026 09H00
Nunca tivemos tanto acesso à informação. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil saber o que está realmente acontecendo.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de junho de 2026 16H00
Este artigo mostra por que a inteligência artificial está deslocando o centro da competitividade das empresas, da tecnologia para a qualidade do pensamento organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
8 de junho de 2026 09H00
Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante

2 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de junho de 2026 13H00
Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.

Alexandre Santille - Fundador e Sócio da teya

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de junho de 2026 08H00
Este artigo mostra como falhas operacionais e desintegração de sistemas ainda geram perdas bilionárias - e por que a inteligência artificial pode transformar a eficiência em vantagem estratégica no setor elétrico.

Gilson Paulillo - Diretor comercial da Pagar

2 minutos min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura
Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de junho de 2026 13H00
Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo