Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
3 minutos min de leitura

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.
Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil
Sócio-líder de segurança cibernética da KPMG Brasil

Compartilhar:

Os orçamentos destinados à segurança cibernética, frequentemente, não estão alinhados ao nível real de risco para a organização. Esse desalinhamento pode ser impulsionado por desafios locais que medem e quantificam tais episódios, mas é agravado pelo obstáculo de mapear os níveis de ameaças percebidas (precisas ou não), de controles e abordagens para mitigação.

O resultado é um processo orçamentário que, muitas vezes, é inconsistente com o objetivo final do investimento em segurança cibernética, ou seja, reduzir riscos. Em vez disso, os gerentes de segurança corporativa podem acabar distribuindo recursos com base na inércia, e não na exposição real. Acreditamos, na verdade, que eles deveriam vincular os orçamentos das empresas às ameaças virtuais quantificáveis.

Para isso, três princípios de gestão de segurança cibernética devem ser usados como base para esse processo: o primeiro é o alinhamento, em que cada categoria orçamentária é mapeada para um risco documentado e quantificado – se um dado mapeamento não estiver claro, o gasto deve ser contestado; o segundo é a adaptabilidade – como deve ser evidente para qualquer profissional da área, tais ameaças evoluem em velocidades variadas e com inúmeros resultados. Portanto, os orçamentos devem ser flexíveis, adaptáveis e continuamente atualizados, em vez de serem fixados uma vez por ano; já o terceiro é a transparência – um orçamento devidamente elaborado e orientado por riscos deve permitir que todas as partes interessadas vejam a ligação entre o dinheiro gasto e o risco reduzido.

A implicação, claro, é que a função de segurança cibernética entenda os riscos que se aplicam à organização. A transparência será de pouca utilidade se os riscos forem mal identificados ou existirem em algum formato ou representação para esta finalidade.

Para colocar esses princípios em prática, os diretores de segurança da informação precisarão considerar substituir categorias, como segurança de redes, por risco de interrupção por ransomware ou exposição ao acesso de terceiros. Essa mudança representa uma reorientação fundamental que forçaria cada item do orçamento ser justificado com base na redução de riscos.

Apesar do fato de que diferentes equipes terão meios diversos para identificar os riscos, esperamos que a quantificação do risco cibernético (da sigla em inglês, CRQ) seja, em última instância, necessária. Estruturas como o modelo quantitativo para segurança da informação e riscos operacionais FAIR (Factor Analysis of Information Risk – análise fatorial de risco da informação) também podem ajudar na atribuição de valores financeiros aos riscos. Métricas úteis incluem redução de risco por dólar gasto e um índice de risco residual, que permitirão aos líderes demonstrar eficiência e eficácia dos gastos.

Entendemos que essa abordagem não está isenta de obstáculos. As organizações, frequentemente, resistem a se afastar dos gastos tradicionais, e os relacionamentos com fornecedores antigos podem distorcer prioridades. A modelagem de risco também exige fazer perguntas e coletar dados que as empresas não estão acostumadas a responder ou fornecer, como “se experimentarmos um ataque de ransomware, por quanto tempo é provável que serviços críticos fiquem indisponíveis?” Por fim, esse processo exige colaboração entre as funções de segurança, finanças e risco corporativo – uma mudança cultural que algumas empresas consideram desafiadora.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de setembro de 2026 14H00
Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Alexandro Ferreira de Souza - Superintendente de Planejamento Econômico e Financeiro da Termomecanica

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução