Uncategorized
Oferecido por:

Seria o fim da juniorização?

À luz da reforma da previdência, pode haver um novo paradigma no mercado de trabalho: ter menos colaboradores que sejam mais capacitados pode ser preferível a ter muitos e inexperientes, porque isso gera menos instabilidade e ineficiência para a organização
Ela é general manager da Rimini Street América Latina.

Compartilhar:

Em tempos em que o debate da **Reforma da Previdência** está aquecido, volta à pauta o papel dos profissionais seniores no mundo do trabalho. Afinal, a nova reforma previdenciária já impacta a maneira como o brasileiro encara o tema “aposentadoria”, pois tem levado muitos a se reinventarem, rever a sua trajetória profissional, e até mesmo se questionarem sobre produtividade na terceira idade.

Por outro lado, há os mais jovens que nos últimos anos, com o processo de juniorização que ganhou força no mercado corporativo, começaram a trajetória profissional já em posições de liderança nas empresas. No entanto, a reforma tem conduzido ao caminho inverso: os profissionais mais maduros têm sido considerados para cargos estratégicos. Seria, contudo, o fim do processo de juniorização que levou muitos empreendedores a reduzir custos nos últimos anos?

Para responder a esta pergunta, conversamos com **Edenize Maron, g**eneral manager**  da Rimini Street América Latina,** uma empresa de tecnologia que, na contramão de outras empresas do setor, tem focado em contratar profissionais seniores, e essa escolha tem uma justificativa_: “Em contraposição ao modelo de “juniorização” da força de trabalho nos últimos anos, profissionais mais experientes começam a vivenciar uma fase de valorização em empresas que buscam eficiência e excelência na prestação de serviços aos clientes”_, comenta Edenize.

Para a executiva, o modelo de “contratar freneticamente” não cabe mais no mundo do trabalho, porque ter menos colaboradores que sejam mais capacitados gera menos instabilidade e ineficiência – e isso acaba favorecendo os profissionais mais experientes.” Confira a conversa abaixo:

**1. Quais motivos você c****onsidera os principais para se investir na contratação de profissionais seniores?**

Temos que analisar essa questão à luz dos novos tempos, em que observamos mudanças rápidas e constantes, aumento das pressões por mais eficiência e necessidade de gerenciar melhor os recursos, tudo num cenário ainda marcado por vulnerabilidades e incertezas. Portanto, ter as melhores pessoas é um fator chave para ganhar mercado, pois promove mudança no _“status quo”._

O que se nota é que empresas estão percebendo que contratar freneticamente pode não ser a escolha mais racional em termos de crescimento e produtividade. É melhor ter menos gente mais capacitada do que uma massa de colaboradores que talvez gere instabilidade e ineficiência, com consequente insatisfação nos clientes.

Nesse contexto, **profissionais seniores** possuem alto grau de conhecimento na disciplina em que atuam, já trabalharam muitos anos em sua atividade e por conta dessa experiência são **mais ágeis na criação de soluções bem como na resolução dos problemas.** É uma tendência que vem em contraposição ao modelo de “juniorização” da força de trabalho nos últimos anos. 

Profissionais com mais de 50 anos, por exemplo, já atravessaram crises e situações diversas na vida, por isso tendem a mostrar mais resiliência e segurança do que as gerações mais jovens. Nas empresas, pessoas com esse perfil começam a vivenciar uma fase de valorização naquelas companhias que buscam eficiência e excelência na prestação de serviços aos clientes.

De acordo com uma pesquisa da empresa de recrutamento de cargos de média e alta gerência Robert Half, 91% das empresas contratariam um profissional com 50 anos ou mais. De acordo com o 8º Índice de Confiança, estudo trimestral conduzido pela empresa e que mapeia o sentimento dos profissionais qualificados com relação ao mercado de trabalho atual e futuro, as áreas mais propensas a receber um funcionário com curso superior e nesta faixa etária são:

* Administrativo: 75%
* Gerência: 70%
* Contabilidade: 60%
* Jurídico: 52%
* Tecnologia: 35%

Penso que nós aqui na Rimini Street, que somos uma empresa de serviços de tecnologia, nos destacamos no mercado por essa valorização do profissional sênior, uma vez que nossos colaboradores tem em média 45 anos.

Nosso foco é o grupo de milhares de profissionais que foram formados para construir os parques de sistemas hoje existentes, os quais suportam os complexos negócios de uma das maiores economias do mundo. Esse intelecto é fundamental na transformação das empresas, em conjunto com as novas tecnologias.

2. **Há desafios e obstáculos na contratação desses profissionais? Se sim, quais?**

Não deveria haver obstáculos. No nosso caso, o mercado brasileiro é um grande consumidor de tecnologia da informação há décadas. Muitos desses profissionais são ávidos por desafios e poder mostrar e colaborar com o que sabem.

O desafio, quando se tem profissionais de diferentes gerações trabalhando juntos, é **criar um ambiente possível para a comunicação e a integração.** Para que a convivência seja positiva e produtiva, é preciso entender o perfil de cada uma dessas gerações e usar suas diferenças de uma forma que contribua para o crescimento e o desenvolvimento da equipe e dos negócios. 

É preciso manter esse profissional experiente motivado, oferecer condições atrativas, pensar fora da caixa em relação aos modelos tradicionais de trabalho. É preciso que se construa uma realidade em que a empresa ganhe com a experiência dos colaboradores seniores e em contrapartida ofereça a eles condições satisfatórias de trabalho como home office, por exemplo. 

As empresas precisam se reinventar e repensar sua cultura, poiso mercado mudou, os clientes mudaram. E isso pode ser uma ameaça terrível ou uma incrível oportunidade para quem tem os melhores produtos e serviços.

3. **Em tempos de transformação digital, como você enxerga a adaptação de profissionais seniores a ferramentas e processos cada vez mais inovadores?**

A adaptação mais importante passa pela liderança a qual deve assumir seu protagonismo. A liderança tem que ter visão, entender com clareza o que tem que ser feito, e mais que tudo, ser ágil.

Era muito comum as empresas acreditarem que precisavam apenas correr atrás e reter os jovens talentos para ser digital, por eles terem já nascido na era digital. Porém, esqueciam-se de que nós, seres humanos, temos uma capacidade infinita de aprendizagem, e podemos sempre adquirir novas habilidades. Portanto, profissionais seniores podem não só aprender sobre os novos processos, como também adicionar a eles sua visão mais experiente e quem sabe melhorar pontos que precisariam de um novo olhar.

No segmento de Tecnologia, em que sempre se destacou a capacidade criativa dos mais jovens e sua capacidade de estarem mais “antenados”, hoje já se nota que as empresas mais alinhadas ao pensamento atual estão privilegiando o profundo conhecimento e a experiência. 

Empresas de serviços de Tecnologia no modelo_‘boutique’_, por exemplo, contam com estruturas enxutas e primam por oferecer alto índice de satisfação entre os clientes. Essas ‘_boutiques’_ oferecem atendimento diferenciado em relação à concorrência e demonstram ser mais prósperas que as empresas “tradicionais”. 

Isso porque as grandes corporações têm muito mais dificuldade para se mover, são pesadas e engessadas, não permitindo a transformação com a agilidade que o ritmo da tecnologia exige. Nessas grandes empresas, funcionários improdutivos e desmotivados podem até se esconder embaixo de toda uma estrutura complexa. E quem paga normalmente é o cliente. Nas ‘_boutiques_’ com modelos de negócio inovadores, as ineficiências dificilmente terão espaço.

Olhando-se para as habilidades que se esperam dos colaboradores seniores,  além de **skills técnicos,** é necessário que esses profissionais sejam extremamente capacitados em **habilidades comportamentais,** que saibam se relacionar com o cliente, entender e solucionar suas dores e fidelizá-los, afinal tão importante quanto vender é oferecer um bom atendimento ao longo de toda a experiência. Esses profissionais também devem ser abertos à colaboração e ao engajamento com outras pessoas da equipe, impulsionando o intercâmbio de conhecimento e, consequentemente, a produtividade.

Nesse mundo em constante mutação, fenômenos tecnológicos, políticos e socioculturais cria-se um ambiente em que profissionais experientes e seniores, que poderiam já estar considerando se aposentar, são chamados a reinventar seu horizonte de trabalho e adiar os planos de aposentaria. 

No ambiente corporativo, esse perfil de profissional encontra empresas que foram concebidas contando com sua maturidade e habilidades técnicas e comportamentais, as quais são valorizadas e bem remuneradas, em prol da satisfação do cliente, principal pilar da atração e  fidelização.

4. **Qual a influência da Reforma da Previdência neste movimento de valorização da mão de obra sênior?**

Por conta do aumento da expectativa de sobrevida, governos do mundo inteiro, não só Brasil, se viram obrigados a rever os gastos previdenciários. Assim, aqueles que, no passado, já estariam começando a pensar em se aposentar, precisam encontrar novos caminhos.

Especialistas do setor já apontam que cada vez mais as pessoas terão no mínimo duas carreiras ao longo da vida. Dessa forma, pessoas na faixa dos 50 ou 60 anos, por exemplo, representam uma fatia significativa da população que está sendo muito impactada pela necessidade de criar um novo ciclo de prosperidade por meio de seu trabalho.

Por outro lado, buscar novos caminhos e aprender uma nova atividade é muito estressante e muitas vezes não funciona. Portanto, aqueles que não podem ou não querem parar de trabalhar aos 50 anos, podem continuar na carreira por muitos anos. **É uma oportunidade incrível para aqueles que se sentem jovens e com energia, que querem conviver com outras gerações para poder aprender e ensinar.** É poder começar um novo ciclo de prosperidade e capitalizar em cima do conhecimento e da experiência acumulada por décadas e ao mesmo tempo se sentirem jovens.

5. **Como equilibrar a contratação de profissionais seniores com a contratação de profissionais mais jovens?**

As empresas têm que ser ágeis, pois estão inseridas num mundo cheio de ambiguidades. É fundamental combater as incertezas com o profundo entendimento do que é necessário para continuar encantando os clientes, os quais estão sofrendo tremenda transformação. Ou seja, as pessoas que atendemos não são as mesmas, por exemplo. Isso nos permite ter a devida compreensão e discernimento para poder contratar e poder conectar diferentes pessoas aos  processos e às tecnologias, tanto às existentes como às novas. 

Cada geração tem suas habilidades essenciais, portanto, as empresas precisam mapear os cargos em que cada um poderá entregar seu melhor, alinhado com o que a empresa necessita para crescer. Enquanto os mais jovens possuem mais facilidade para lidar com as tecnologias e ferramentas inovadoras de hoje, dos profissionais seniores esperam-se diferenciais comportamentais, que saibam se relacionar com o cliente com empatia, entender e solucionar suas dores e fidelizá-los.

6. **A procura por profissionais mais experientes também pode ser considerada uma preocupação das empresas ligada à agenda da diversidade?**

Sem dúvida nenhuma. Profissionais seniores, com suas experiências e vivências, poderão trazer um novo olhar para a companhia. Misturar idades e ideias diferentes tendem a ser um grande ganho para toda a equipe e, consequentemente, para a empresa. Diversidade não é só mais uma palavra bonita e da moda. É mais do que uma preocupação, é uma necessidade.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
20 de agosto de 2026 18H00
Há um problema crescente nas organizações que não aparece nos dashboards nem nos relatórios: a desconexão humana. Ela se manifesta em relações fragilizadas, conversas evitadas e culturas que existem no discurso, mas encontram dificuldade para ganhar vida no cotidiano.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução