Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
3 minutos min de leitura

Só 36% dos programas de liderança funcionam

Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.
Fundador e sócio da teya

Compartilhar:

Imagine ter acesso, no meio da rotina de trabalho, a um assistente capaz de apoiar dúvidas sobre liderança, gestão de equipes e tomada de decisão. Um espaço onde o gestor pode refletir sobre conversas difíceis, desafios de comunicação, desenvolvimento do time ou dilemas cotidianos e receber apoio contextualizado para aquela situação.

Esse tipo de experiência começa a ganhar espaço em organizações que utilizam inteligência artificial voltada ao desenvolvimento de liderança. Mais do que ampliar o acesso a conteúdos de treinamento, essas ferramentas abrem uma possibilidade relevante: compreender, com mais precisão, as necessidades reais de desenvolvimento das lideranças.

Durante décadas, o desenvolvimento de líderes foi estruturado a partir de programas formais, baseados em participação, carga horária e índices de satisfação. Esse modelo mostrou-se eficiente para medir engajamento com o conteúdo, mas limitado na capacidade de acompanhar a aplicação prática no dia a dia. As organizações passaram a acumular dados de presença e feedback, sem necessariamente entender se os líderes estavam evoluindo na forma de tomar decisões, conduzir equipes ou influenciar cultura.

O resultado é um cenário desafiador. Segundo estudo da Gartner, apenas 36% dos líderes de RH consideram seus programas de desenvolvimento eficazes na preparação para desafios futuros, enquanto 71% reconhecem dificuldades em desenvolver lideranças de nível médio de forma consistente.

A introdução da inteligência artificial nesse contexto não representa apenas um aumento na oferta de conteúdo, mas uma mudança de lógica. A partir das interações realizadas pelos próprios gestores, torna-se possível identificar padrões: quais temas surgem com maior frequência, quais dúvidas se repetem, quais competências exigem mais suporte e onde estão os principais gargalos de liderança na organização.

Cada interação passa a gerar dados que, de forma anonimizada e agregada, ajudam a construir uma visão mais fiel da realidade. Diferentemente de abordagens baseadas em monitoramento contínuo, a proposta está em extrair inteligência a partir das demandas que os próprios líderes trazem espontaneamente.

Essa capacidade de organizar grandes volumes de informação e identificar padrões ao longo do tempo amplia o potencial de tomada de decisão nas áreas de desenvolvimento organizacional. O valor deixa de estar no dado isolado e passa a estar na leitura consistente de tendências e necessidades reais.

Para o líder individual, o modelo também se transforma. Em vez de concentrar o aprendizado em momentos pontuais e desconectados do contexto, ele passa a contar com apoio contínuo, integrado ao fluxo de trabalho. O aprendizado deixa de ser evento e passa a ser processo.

Relatórios recentes, como o Global Learning & Skills Trends Report 2026 da Udemy Business, indicam que organizações mais preparadas são aquelas que conseguiram transformar aprendizagem em um sistema contínuo, conectado diretamente ao negócio. Nesse modelo, desenvolvimento não acontece apenas em workshops ou programas estruturados, mas ao longo da execução das atividades.

Nesse cenário, a pergunta deixa de ser “quando haverá tempo para se desenvolver?” e passa a ser outra: como incorporar aprendizado e apoio à liderança dentro do próprio fluxo de trabalho.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que sua lista de tarefas explode

Organizações não estão falhando por falta de esforço, estão falhando por fazer coisas demais ao mesmo tempo. Este artigo reforça que o verdadeiro papel da liderança não é multiplicar tarefas, mas definir o problema certo e simplificar a execução.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
Liderança
15 de maio de 2026 07H00
Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

0 min de leitura
Marketing
14 de maio de 2026 15H00
Executivo tende a achar que, depois de um certo ponto, não é mais preciso contar o que faz. O case da co-founder do Nubank prova exatamente o contrário.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de maio de 2026 08H00
À luz do Aikidô, este artigo analisa a transição da liderança coercitiva para a liderança que harmoniza sistemas complexos, revelando como princípios como Wago, Awase e Shugi‑Dokusai redefinem estratégia e competitividade na era da incerteza.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Liderança
13 de maio de 2026 15H00
Em um mundo dominado pela urgência e pelo excesso de estímulos, este artigo provoca uma reflexão essencial: até que ponto estamos tomando decisões - ou apenas reagindo? E por que recuperar a capacidade de pausar, escolher e agir com intenção se tornou um diferencial crítico para líderes e organizações.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Finanças, Inovação & estratégia
13 de maio de 2026 08H00
Entre pressão por resultados imediatos e apostas de longo prazo, este artigo analisa como iniciativas de CVC podem sobreviver ao conservadorismo corporativo e construir valor além do retorno financeiro.

Rafael Siciliani - Gerente de New Business Development na Deloitte

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
12 de maio de 2026 14H00
O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.

Bell Gama - Sócia-fundadora da Air Branding

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão