Empreendedorismo
2 minutos min de leitura

Talvez você seja um intraempreendedor (e nem saiba)

Este artigo propõe um novo olhar sobre inovação ao destacar o papel estratégico dos intraempreendedores - profissionais que constroem o futuro das empresas sem precisar abrir uma nova.
Diretora da ACATE Mulheres e fundadora da DataforAll e SecopsforAll. Consultora, palestrante e mentora, tem 20 anos de experiência em processos de negócios e tecnologia, com atuação em segurança de dados, empreendedorismo feminino e BPM.

Compartilhar:

Durante muito tempo, a inovação foi associada quase exclusivamente à criação de startups. A narrativa dominante do setor de tecnologia costuma destacar fundadores que constroem empresas do zero e desenvolvem soluções disruptivas. Mas, dentro das organizações, cresce um outro perfil de liderança que tem ganhado cada vez mais relevância: profissionais que identificam oportunidades, lideram mudanças e criam novos projetos sem necessariamente abrir uma empresa. São os intraempreendedores.

O intraempreendedorismo acontece quando profissionais atuam com mentalidade empreendedora dentro das empresas, propondo soluções, estruturando novos processos e desenvolvendo produtos ou estratégias que geram impacto real nos negócios. Em um setor como o de tecnologia, marcado por transformações constantes, esse perfil se tornou cada vez mais estratégico.

Minha trajetória profissional começou exatamente nesse caminho. Antes de empreender, construí minha carreira atuando dentro de empresas, liderando projetos de tecnologia, governança e transformação de processos. Era responsável por implementar sistemas, organizar fluxos de informação e estruturar modelos de gestão que permitissem às organizações operar de forma mais eficiente.

Na prática, era um exercício constante de intraempreendedorismo: identificar problemas, propor soluções e mobilizar pessoas para transformar ideias em projetos concretos. Foi nesse percurso que também conheci o ecossistema de tecnologia de Santa Catarina. Ao me aproximar da comunidade de inovação, passei a conviver com empreendedores, investidores e profissionais que estavam construindo novas empresas e soluções tecnológicas. 

Com o tempo, o passo para o empreendedorismo aconteceu de forma natural. A experiência acumulada dentro das empresas ajudou a identificar oportunidades e estruturar um negócio próprio na área de dados e tecnologia. Essa transição revela um aspecto importante do intraempreendedorismo: muitas vezes, ele também funciona como uma escola para o empreendedorismo.

Mas essa não é necessariamente uma escala evolutiva. O intraempreendedorismo também pode ser uma carreira em si e há cada vez mais profissionais que escolhem esse caminho para liderar inovação dentro das organizações.

Hoje, além de empreender, acompanho de perto profissionais que trilham trajetórias tanto no empreendedorismo quanto no intraempreendedorismo dentro do Grupo Temático ACATE Mulheres, da Associação Catarinense de Tecnologia. Muitas lideram projetos estratégicos, estruturam novas áreas e impulsionam transformações relevantes em empresas de diferentes portes.

Dentro do ecossistema, intraempreendedores estão estruturando áreas e conduzindo mudanças organizacionais. Esses profissionais mostram que inovação não acontece apenas quando uma empresa nasce. Ela acontece todos os dias dentro das organizações, quando há espaço para propor ideias, experimentar soluções e construir novos caminhos. Assim, reconhecer e fortalecer essa carreira é essencial para empresas que desejam inovar de forma contínua e se manter competitivas em um mercado em constante transformação.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
14 de julho de 2026 08H00
Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de julho de 2026 14H00
Dados mostram o avanço da solidão no ambiente de trabalho, especialmente entre profissionais remotos. O texto propõe uma reflexão sobre como relações de confiança, segurança psicológica e capacidade de convivência se tornaram ativos estratégicos para a saúde organizacional.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de julho de 2026 08H00
Durante décadas, empresas competiram por telas, cliques e atenção. Agora, à medida que agentes inteligentes passam a interpretar intenções e executar tarefas, o valor começa a migrar para outro lugar: dados, contexto e capacidade de decisão.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
12 de julho de 2026 13H00
Durante décadas, o mercado tratou a satisfação do cliente como prioridade absoluta. Este artigo questiona os limites dessa lógica e mostra como a normalização de abusos, agressões e desgastes emocionais está afetando a saúde mental dos trabalhadores e comprometendo a própria cultura das organizações.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
12 de julho de 2026 08H00
Em um mundo onde quase tudo pode ser comprado, o verdadeiro luxo deixou de ser exclusividade e passou a ser simplicidade. Este artigo mostra por que as empresas mais valiosas da próxima década serão aquelas capazes de eliminar complexidade, reduzir decisões e transformar experiência em significado.

Bruno Mazanek - CEO da Zanek

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças
11 de julho de 2026 14H00
O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

Carolina Almeida Cruz - Cofundadora e CEO da C-MORE

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de julho de 2026 08H00
Enquanto o sonho do hexa mobilizou milhões de brasileiros, outro fenômeno também ganhou força fora dos gramados. Este artigo discute como o avanço das apostas online está influenciando a relação dos jovens com dinheiro, educação e carreira, e por que empresas e líderes não podem ignorar seus efeitos sobre o futuro do trabalho.

Rodrigo Santos - Psicólogo e tutor educacional na Leapy

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
10 de julho de 2026 14h00
O futuro dos caminhões no Brasil será multienergético, e a engenharia nacional terá papel decisivo nessa transformação. Este artigo mostra por que a transição energética do transporte de cargas dependerá da combinação entre múltiplas fontes de energia, inovação tecnológica e soluções adaptadas à realidade do país.

Eduardo Oliveira - Diretor de Engenharia da IVECO para a América Latina

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
10 de julho de 2026 08H00
Da Kodak aos desafios da economia digital, a história dos negócios mostra que organizações raramente fracassam por um único erro. Elas perdem relevância quando insistem em estratégias, processos e crenças que deixaram de responder às transformações do mercado.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Inovação & estratégia, Liderança
9 de julho de 2026 15H00
O maior risco da sucessão não é a troca de comando. É deixar para depois. Este artigo mostra por que a continuidade dos negócios depende menos dos herdeiros e mais da preparação, da governança e da capacidade de construir o próximo ciclo de crescimento.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio da FC Partners

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo