ESG
5 min de leitura

Tecendo caminhos de Baku para Belém

Entre nós e o futuro desejado, está a habilidade de tecer cada nó de um intricado tapete que une regeneração, adaptação e compromisso climático — uma jornada que vai de Baku a Belém, com a Amazônia como palco central de um novo sistema econômico sustentável.
Bruna Rezende é economista com Global MBA pela Berlin School of Creative Leadership, MBA Executivo pelo Insper e programas em Harvard, Kaos Pilot e Schumacher College. Atua há 15 anos com inovação e sustentabilidade. É fundadora e CEO da IRIS, um ecossistema de inovação sustentável que atua para viabilizar negócios regenerativos, através de educação, consultoria e venture builder. Lidera projetos em diversos países em empresas como Natura, Itaú, LinkedIn, Johnson & Johnson, Localiza, Ipiranga, Dexco, Cielo, Hydro, dentre outras. Professora na HSM, FIA e Singularity University, é também palestrante em eventos como Rock In Rio Lisboa, Festival Path, Festival Wired, RD Summit, HSM+, Websummit, dentre outros. Seu propósito é contribuir na construção de um sistema econômico como um sistema vivo

Compartilhar:

“A maioria das pessoas superestima o que pode fazer em um ano e subestima o que pode fazer em dez anos.” – Bill Gates”.

A COP 29, conferência que versa sobre as mudanças climáticas, sediada no Azerbaijão, evidenciou para mim, o que Bill Gates trás nessa frase. De que é necessário uma boa dose de tempo para que transformações profundas ocorram. Essa conferência extrapola as negociações entre países. Sua relevância, dado o cenário de extrapolação dos limites planetários, que estamos vivendo, tem atraído cada vez mais, grandes organizações públicas e privadas de todos os países que participam, em um grande encontro de trocas de sinergias, oportunidades de negócio e de mitigação de riscos. E, tudo isso, seria impensável há 10 anos atrás.

E, de verdade, não importam as motivações para estarem ali. Algumas estão por pura convicção de sua responsabilidade e contribuição na agenda, outras por pressão de investidores, órgãos regulatórios e consumidores.  E, tudo bem. O importante, é seguirmos avançando em todas as frentes: os governos chegando em bons acordos; as empresas estabelecendo compromissos públicos de descarbonização de suas operações envolvendo suas cadeias de valor, bem como estabelecendo uma comunicação transparente de seus avanços; e a sociedade civil se auto-responsabilizando por suas escolhas de consumo, onde trabalhar e o que produzir.

É, como nos ensinou o Azerbaijão, com sua cultura milenar na produção de tapetes: seu processo se dá, amarrando um nó de cada vez, no intrincado tecido de uma obra-prima resiliente o suficiente para durar séculos.

Os temas dessa COP foram o financiamento climático, em que a negociação é o fluxo de recursos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, uma vez que acordou-se, que esses mais industrializados, possuem maior contribuição no aquecimento global. Até o momento da escrita deste artigo, não havíamos chegado a uma cifra final.

Ainda, a boa notícia, é que conseguiram destravar o mercado global de carbono. Houve o fechamento das regras gerais do Artigo 6 do Acordo de Paris, que estabelece o  mercado global de crédito de carbono entre países, operado pela Convenção do Clima. Esse gol, poderá destravar assim, os repasses para o Brasil. Uma vez, que o país prevê reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, tomando como base níveis de 2005. Isso de acordo com a nova NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) entregue pelo Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, no início da conferência.

Essas negociações pavimentaram o caminho de Baku para Belém em 2025. Os negociadores brasileiros, dentre eles, Ana Toni, foram bravíssimos, já reconhecidos internacionalmente, como os que criam pontes e conseguem destravar pontos sensíveis da negociação entre as partes interessadas.

Teremos, assim, um ano para preparar a COP 30, 10 anos após o Acordo de Paris, em que estabeleceu-se limitar o aquecimento global em 1.5°C. Sem êxito até o momento. Espera-se então, que uma nova repactuação nessa conferência resulte em acordos mais ambiciosos, com a entrega das novas NDCs dos países signatários da conferência, incluindo uma transição socialmente justa, e a criação de uma Meta Global de Adaptação, em que os países terão um mecanismo para reportar e mais clareza sobre o que podem fazer para se adaptar às consequências da crise climática, como secas, inundações e eventos climáticos extremos.

O acordo de metas robustas de redução de emissões de gases de efeito estufa é sobretudo uma questão econômica, mesmo porque, sem essa redução, o custo da adaptação climática tende a aumentar cada vez mais, aumentando assim, custos e riscos de transição, climáticos, e reputacionais. Estima-se que o custo dos eventos climáticos extremos dos últimos 10 anos custaram USD 2 tri, de acordo com o International Chamber of Commerce (ICC).

Bem, cabe a nós então, anfitriar uma COP que estimule a integração dos desafios climáticos globais à regeneração da natureza e da sociedade, suportando a construção de um novo sistema econômico que incorpore externalidades negativas e positivas nos modelos de negócios. E mensurar e valorar o capital natural, social e humano integrado ao capital financeiro, gerando portanto, um sistema de criação e gestão de valor positivo.

Afinal, não precisaríamos estar trabalhando em metas de redução de emissões e agora em metas de adaptação, se não tivéssemos errado em não contabilizar as externalidades nos balanços corporativos e das nações. Não é mesmo?

Sigamos, enfim, tecendo nó a nó de Baku até Belém, assumindo que a solução somos nós e que faremos juntos uma bela conferência, onde o palco é a maior floresta tropical do mundo.

Compartilhar:

Bruna Rezende é economista com Global MBA pela Berlin School of Creative Leadership, MBA Executivo pelo Insper e programas em Harvard, Kaos Pilot e Schumacher College. Atua há 15 anos com inovação e sustentabilidade. É fundadora e CEO da IRIS, um ecossistema de inovação sustentável que atua para viabilizar negócios regenerativos, através de educação, consultoria e venture builder. Lidera projetos em diversos países em empresas como Natura, Itaú, LinkedIn, Johnson & Johnson, Localiza, Ipiranga, Dexco, Cielo, Hydro, dentre outras. Professora na HSM, FIA e Singularity University, é também palestrante em eventos como Rock In Rio Lisboa, Festival Path, Festival Wired, RD Summit, HSM+, Websummit, dentre outros. Seu propósito é contribuir na construção de um sistema econômico como um sistema vivo

Artigos relacionados

Organizações vivas: o que o levain ensina a quem lidera?

Ao acompanhar o desenvolvimento de um levain, o autor encontrou paralelos inesperados com a vida nas organizações. Alimentar, observar, ajustar o ambiente e respeitar o tempo do processo são gestos que ajudam a entender uma das funções mais importantes da liderança: criar condições para que pessoas e equipes alcancem seu potencial coletivo.

Inovação farmacêutica brasileira: um ponto de inflexão nas análises do setor

Este é o quinto artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira. Após examinarmos a posição global do país, o acesso a medicamentos e a capacidade científica e industrial, a conversa com Norberto Prestes, da Abiquifi, amplia a investigação para as conexões entre empresas, pesquisadores, universidades e financiamento.
Como avaliar investimentos e resultados com informações pouco comparáveis? Entre orçamentos de P&D, incentivos acadêmicos e descobertas de pequenas equipes, buscamos parâmetros para examinar como o conhecimento se converte em aplicações, capacidade econômica e benefícios para a população.

O cliente não compra tecnologia. Compra conforto.

Recursos avançados, aplicativos e conectividade impressionam, mas raramente são o motivo principal de uma decisão de compra. O que as pessoas realmente buscam é uma solução capaz de tornar a vida mais simples e agradável. O artigo explora por que o sucesso de produtos inteligentes depende menos das funcionalidades e mais da capacidade de entregar uma experiência intuitiva e consistente.

Autoridade não se mede em decibéis

Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução