Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 minutos min de leitura

Trabalhar já não basta? Entenda o “loud working” e a pressão para mostrar serviço

Quando a visibilidade se transforma em critério implícito de reconhecimento, profissionais podem passar a priorizar projetos que geram exposição em detrimento daqueles que realmente precisam ser feitos. O artigo explora como o loud working pode afetar a colaboração e a dinâmica das equipes.
Fundador e CEO da Eleva Technologies, ex-CEO da Ericsson Inovação e autor do livro Legado Inteligente, em preparação, sobre a adoção de agentes de IA em empresas tradicionais.

Compartilhar:

Disputar projetos que chegam à diretoria, anunciar cada entrega e garantir espaço nas apresentações são formas de tornar o próprio trabalho mais visível. Chamado de “loud working”, esse esforço pode servir tanto à busca por reconhecimento quanto à tentativa de proteger o emprego. O conflito aparece quando a possibilidade de chamar a atenção da chefia começa a influenciar quais responsabilidades o funcionário aceita assumir.

Reportagens internacionais publicadas em outubro descrevem profissionais que passaram a buscar mais exposição diante da insegurança no emprego. Entre os relatos estão a competição por tarefas e a preferência por projetos acompanhados pela liderança. Um dos entrevistados contou ter alongado uma apresentação com pouco conteúdo para transmitir a impressão de que havia produzido mais. São experiências individuais que ilustram o comportamento, sem demonstrar sua frequência no conjunto das empresas.

Mostrar resultados faz parte da vida profissional. O problema começa quando o funcionário não sabe se sua contribuição será percebida sem uma divulgação constante. Essa insegurança pode estar relacionada à maneira como a chefia acompanha o trabalho, avalia João Paulo Batistella, CEO da Eleva, executivo de inovação e especialista em transformação organizacional. “Não quero que a equipe trabalhe para chamar minha atenção, mas preciso garantir que as entregas sejam reconhecidas. Se alguém sente que precisa anunciar cada tarefa para provar que merece continuar ali, tenho que observar o que estou valorizando nas minhas decisões.”

A disputa por atenção pode mudar também a distribuição das responsabilidades. Um projeto apresentado à diretoria oferece uma oportunidade de exposição que nem sempre existe na revisão de informações, na manutenção de um processo ou no apoio a outro departamento. Se essas contribuições contam pouco na avaliação, assumir uma tarefa necessária, mas discreta, pode parecer menos vantajoso para a carreira.

Nesse cenário, a colaboração corre o risco de se tornar uma negociação sobre quem ficará com o reconhecimento. A pessoa que ajuda um colega pode desaparecer da apresentação final; quem mantém a operação funcionando pode ter menos espaço do que quem anuncia uma novidade. A questão para a gestão é identificar se a equipe está escolhendo prioridades pelo que o negócio precisa ou pela possibilidade de ser vista.

O cuidado exige acompanhar a construção dos resultados antes da reunião em que serão apresentados. Saber como as responsabilidades foram divididas, quais dificuldades apareceram e quem ajudou a resolvê-las oferece elementos para reconhecer o mérito coletivo. Batistella defende que essa responsabilidade não seja transferida inteiramente ao funcionário. “Se eu só reconheço quem apresenta, ensino a equipe a disputar o microfone. Preciso conhecer a participação de cada pessoa, inclusive de quem fez um trabalho importante sem estar na reunião final. Caso contrário, posso incentivar uma competição que prejudica a colaboração que cobro de todos.”

Isso não significa presumir que profissionais reservados entregam mais ou que pessoas com facilidade de comunicação estejam exagerando suas contribuições. Uma atualização útil explica o que foi concluído, qual impacto teve e o que ainda depende de decisão. A avaliação precisa verificar esses resultados, sem tomar o volume de mensagens, o tempo de fala ou a proximidade com a chefia como provas suficientes de desempenho.

Para o funcionário, apresentar uma entrega com clareza inclui reconhecer quem participou dela. Para a liderança, definir expectativas e acompanhar os projetos permite discutir desempenho com exemplos concretos. Assim, o reconhecimento não fica condicionado à capacidade de cada pessoa de conquistar espaço na próxima reunião.

Compartilhar:

Artigos relacionados

RH: como contratar para profissões que ainda estão mudando?

À medida que a inteligência artificial transforma funções, processos e competências, cresce a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos para encontrar profissionais preparados para um cenário de constante transformação. O desafio não é apenas contratar talentos, mas desenvolver a capacidade de adaptação dentro das organizações.

Você está ai? O silêncio digital no expediente virou estratégia de produtividade

A disponibilidade constante passou a ser confundida com produtividade. Mas, enquanto profissionais são cobrados por respostas rápidas, cresce a necessidade de concentração para realizar atividades que exigem análise, criatividade, julgamento e tomada de decisão. O artigo propõe uma reflexão sobre o valor do silêncio digital no trabalho, mostrando por que organizações que desejam melhores resultados precisam aprender a proteger a atenção das pessoas, e não apenas monitorar sua presença online.

Inspirar o mercado é diferente de copiar

Mais do que proteger ideias, a discussão convida empresas a construírem uma cultura em que o pioneirismo sirva de estímulo para novas criações, e não de atalho para replicar o trabalho de quem inovou primeiro.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução