Gestão de Pessoas

Treinamento corporativo em meio à natureza

Parque Estadual de Vila Velha, no Paraná, oferece vivências customizadas a empresas
Sandra Regina da Silva é colaboradora de HSM Management.

Compartilhar:

Na tarde do último sábado de abril, participei, ao lado de outros colegas de imprensa, de um treinamento vivencial que o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa (PR), passou a oferecer recentemente a empresas. A concessionária do parque, a Soul Vila Velha – do grupo Soul Parques – fez uma parceria com a Niké Gestão Humanista a fim de oferecer as atrações do local como palco para as vivências.

A proposta é internalizar aprendizados enquanto a equipe participa de aventuras e atividades como tirolesa, arvorismo e kyudo (o arco e flecha japonês), entre outras. O foco do aprendizado pode ser liderança, criatividade, superação, engajamento, trabalho em equipe, planejamento, resiliência etc. O treinamento é customizado para atender às necessidades da empresa contratante. Também é possível mapear habilidades e comportamentos de cada pessoa do time para que o gestor saiba qual é a posição ou cargo em que cada um se sairia melhor, aumentando assim a produtividade e os resultados corporativos.

“Os treinamentos objetivam fazer as pessoas viverem, na prática, conceitos de gestão e liderança, passando por desafios que exigirão planejamento, adaptabilidade e gestão de riscos”, diz a psicóloga Andressa Tavares Bach, da Niké. Durante as atividades, os participantes são orientados a refletirem sobre suas rotinas e desafios diários. “Além de ser um momento integrativo, em que os profissionais fortalecem os laços de confiança, o aprendizado dos temas trabalhados é maior. Afinal, aprendemos mais por meio de experiências memoráveis”, explica Bach.

![Blog thumb 1.2](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/35GPQPtyl885DDd6pX25wq/49f74982c116d94aefd4e8d5b96a1baf/Blog_thumb_1.2.jpg)

## Alguns destaques naturais
O Parque Estadual de Vila Velha é a principal atração turística de Ponta Grossa. A cerca de cem quilômetros de Curitiba, ele se caracteriza pelas formações rochosas que lembram torres, muros e castelos de uma cidade medieval em ruínas (daí o seu nome).

Em meio a esses arenitos de 300 milhões de anos, alguns com 30 metros de altura, o treinamento é, no mínimo, inesquecível. As atividades acontecem em vários cantos do parque e exigem planejamento e trabalho colaborativo. Também merece destaque a área que abriga as furnas, cavernas verticais com farta vegetação em seus paredões. Uma delas, formada há mais de 400 milhões de anos, tem 100 metros de profundidade.

É por cima de uma dessas furnas que a tirolesa corre, ao longo de um percurso de 200 metros. Não longe dali está o circuito de arvorismo, com extensão de 120 metros em meio às copas de araucárias. Passar por essas provas leva a pessoa a testar seus limites e a exercitar o autoconhecimento.

Leandro Ribas, gestor da Soul Vila Velha, diz que se trata de um produto inovador. “Com os princípios da biomimética, esses treinamentos desenvolvem habilidades profissionais e comportamentais em todos os integrantes das equipes.”

Com orgulho, ele conta que o Parque Vila Velha é a primeira unidade de conservação do país a abrir espaço para a prática corporativa. Ribas salienta que todos ganham: o parque, as empresas prestadoras de serviços, toda a economia da região e, em especial, as pessoas que passam pelo treinamento, assim como suas respectivas empresas.

![Blog thumb 1.3](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/18rBOsZ9Tot3ZQmm6M00Ls/87594f922d9284d87f21f86b150c24c1/Blog_thumb_1.3.jpg)

## Minha experiência pessoal
“O treinamento é para o crescimento individual de vocês”, avisou a assessora de imprensa da Soul, Sumi Costa, aos jornalistas convidados logo no início da jornada. De fato, minhas fraquezas e fortalezas vieram à tona, enquanto parecia que estava brincando como criança. Ficou claro para mim que meus pontos fortes são a confiança e o planejamento e que tenho um ponto (muito) fraco: a ansiedade.

Durante o treinamento, a primeira etapa era de planejamento e adaptabilidade. Participei de um desafio, ao estilo de caça ao tesouro, recheado de enigmas a serem desvendados pela extensão do longo caminho dos arenitos. Eram duas equipes, cada uma traçando uma estratégia de planejamento diferente para encontrar os “insumos” a partir de uma série de dicas.

Dali, fomos a uma cachoeira com acesso restrito, inacessível aos visitantes do parque. Essa etapa era de gestão de riscos. Cada equipe se dividiu em dois grupos: um ia se molhar e o outro, não. Só havia essa informação. Parecia que o primeiro grupo teria uma aventura mais instigante, dentro da cachoeira. Era onde eu queria estar, mas abri mão para dar lugar a outra integrante da minha equipe.

A atividade para quem não ia se molhar se mostrou desafiadora: de olhos vendados, segui por um caminho em declive orientada somente pela voz de uma colega. Não podíamos nos tocar. Ao final, nos encontramos com um grupo que teve que atravessar o espaço atrás da queda d’água carregando grandes balões de ar sem deixar estourar.

Por fim, seguimos para a região das furnas, onde ocorreu a terceira etapa, a de mindset de crescimento. Todos puderam rapidamente aprender como atirar uma flecha no alvo, com os rápidos ensinamentos do instrutor, um mestre em arqueria.

Na sequência, entre arvorismo e tirolesa, fiquei com o segundo. Sou daquelas que vão a Orlando com foco principal nas montanhas-russas mais impressionantes, e não ia perder a oportunidade de percorrer toda a extensa abertura daquela impressionante furna. A sensação é inesquecível! Com a adrenalina a pino, então, os times se dedicaram pacientemente a montar um pequeno quebra-cabeça.

De bônus, pudemos assistir à dança dos andorinhões no ar sobre as furnas. Monogâmicos, esses pássaros passam o dia com seus respectivos afazeres e, antes da noite cair, voltam em bandos, voando em círculos, cada um procurando o seu par. Ao se encontrarem, voam juntos para dentro da furna, onde ficam os seus ninhos.

Já era noite quando o treinamento-aventura terminou. Dali partimos. Eu trouxe, na bagagem, vários aprendizados, algumas experiências difíceis de esquecer e novas amizades. Bastante coisa para somente uma tarde no parque!

![Blog thumb 1.4](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/2O4BUTJbp039LCLU7OrQ5S/52e03775d519a90bebf23e322487b4a6/Blog_thumb_1.4.jpg)

Compartilhar:

Artigos relacionados

O cargo que vai sumir não é o que você está pensando

A maior vulnerabilidade da era da IA pode não estar nos profissionais juniores, mas nos cargos criados para coordenar fluxos e transmitir informações. O que acontece quando a tecnologia passa a fazer isso melhor, mais rápido e mais barato?

O futuro da liderança passa pelas mulheres

As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Lifelong learning, Inovação & estratégia
19 de junho de 2026 14H00
Por trás de um dos reconhecimentos mais cobiçados da AWS, este artigo mostra que o verdadeiro diferencial não está em acumular certificações, mas em construir conhecimento consistente a partir da prática, da comunidade e da evolução contínua.

Alceu Conerado Neto - COO da Dati

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
19 de junho de 2026 08H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo expõe um erro recorrente nas organizações: confundir treinamento com preparo e transferir a curva de aprendizagem para o cliente, com impactos diretos na experiência e nos resultados.

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de junho de 2026 16H00
Entre a inovação e o risco, este artigo discute até onde se deve confiar na IA dentro do contexto clínico. A tecnologia, sem dúvidas, amplia capacidades, mas ainda depende de dados de qualidade, supervisão humana e confiança para cumprir seu potencial.

Adalene Tiso - Diretora da unidade Healthcare da Interplayers

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança, Lifelong learning
18 de junho de 2026 08H00
Por que empresas aprendem mais com fracassos analisados com honestidade do que com cases heroicos?

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de junho de 2026 15H00
O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Marcus Garcia - Diretor Comercial da Konia Tecnologia

3 minutos min de leitura
Lifelong learning
17 de junho de 2026 09H00
Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Daniel Luzzi - CEO Cognita Learning Lab

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
16 de junho de 2026 15H00
O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de junho de 2026 09H00
Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
15 de junho de 2026 15H00
Colesterol, cardiologista, academia. Tudo certo. Só falta mencionar o que, de fato, está tirando as pessoas de campo.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
15 de junho de 2026 08H00
A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo