Liderança, Times e Cultura

Um programa de felicidade

Colocar a felicidade na agenda corporativa é potencialmente um booster de desempenho pela mera demonstração de que a empresa se importa com seus colaboradores. Mas escorregar na iniciativa é muito fácil. Este artigo sugere uma ferramenta que visa colocar a felicidade como o principal indicador da cultura organizacional, baseada em um conjunto de métricas.
__Luan Rodrigues__ é fundador e sócio da Zenbox, empresa que desenvolveu a metodologia Zenbox Life e outras soluções de sustentabilidade humana para indivíduos e organizações com base na ciência da felicidade. __Daniel Maranhão__ é CEO da consultoria e auditoria Grant Thornton no Brasil, cliente da Zenbox e distribuidora da metodologia. É certificado como embaixador dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU pelo International Council of Honor.

Compartilhar:

Qual foi a última vez que você se sentiu feliz no trabalho? E por quê? Se você abrir uma reunião com essas perguntas em sua empresa, muito provavelmente verá algumas pessoas associarem o estado de espírito a um sucesso recente. E ouvirá de outras que não se lembram de quando foram felizes no trabalho – se é que foram.

Esse tipo de reunião vem acontecendo em empresas como Heineken, Chilli Beans, Leveros, Grupo Twenty Six e Grant Thornton, citada neste artigo. No Brasil, organizações de todos os portes e segmentos estão implantando programas de felicidade corporativa. Mas paira no ar uma dúvida: será isso possível mesmo, já que felicidade é algo tão pessoal?

Entendemos felicidade não como sinônimo de alegria, prazer e bem-estar, mas uma condição do ser humano em que ele se reconhece como alguém que possui consciência de si e do mundo em que vive, e se esforça continuamente para evoluir. Assim, em nosso conceito, felicidade certamente pode ser trabalhada de maneira coletiva e, mais ainda, avaliada – há graus de felicidade, do mesmo modo que há níveis de consciência e de esforço para evolução. Embora possa ser questionada quando considerada individualmente, coletivamente a felicidade pode ser contabilizada com muito rigor científico.

Uma pessoa feliz é alguém que se comporta melhor em todos os sentidos, e isso já foi comprovado pela ciência. Ela reflete mais bondade, alegria e simpatia, cuida muito mais da família, relaciona-se muito melhor com as pessoas em todas as situações, é protetor do meio ambiente, cuida mais de sua saúde física e mental, e colabora mais nas campanhas para ajudar os mais necessitados mesmo sem obrigação.

Para nós, a principal ação de responsabilidade social que uma organização pode fazer é contribuir para que seus colaboradores se sintam mais felizes, o que beneficia eles mesmos, suas famílias e a sociedade. E, de quebra, felicidade é um booster de desempenho, uma vez que pode reduzir os níveis de rotatividade altíssimos e o baixo engajamento epidêmico que vemos.

### framework, processo, líderes

Uma organização precisa investir naquilo que dá maior retorno sobre o investimento, certo? Se você concorda com isso, vai concordar que investir em felicidade é vantajoso. Nossas pesquisas mostram um interesse no tema de 100% dos colaboradores e uma oportunidade de melhoria de resultado de 90%. Isso porque, quando perguntamos “você investiu hoje em ser feliz?”, a resposta costuma ser que apenas 10% dos mesmos colaboradores fez o investimento.

Construímos a metodologia Zenbox Life para a felicidade com um time de pesquisadores, educadores e cientistas de felicidade. Essa metodologia define um ciclo de gestão da felicidade organizacional que combina sessões regulares de estímulo de comportamentos positivos nos colaboradores – todos têm de participar do programa – e avaliações das seis dimensões do comportamento humano do modelo PERMAV da psicologia positiva, proposto por Martin Seligman e aperfeiçoado por Emiliya Zhivotovskaya: emoções positivas; engajamento; relacionamentos; significado; realização; vitalidade.

Como é a avaliação? Os participantes fazem uma reflexão mensal individual em que respondem a 24 questões práticas sobre felicidade no trabalho. Nessas reflexões, todo comportamento que impacta a qualidade de vida do funcionário é captado – por exemplo, se um gestor for mais empático, ou menos. Por meio das reflexões mensais individuais, chegamos às métricas da efetividade do programa de felicidade – com 95% de confiabilidade – e, assim, a insights precisos de qual questão precisa ser trabalhada. É necessário melhorar hábitos alimentares? O líder deve parar de mandar mensagens de texto fora do horário de trabalho?

O Indicador de Felicidade Organizacional (IFOZ) é a métrica principal. Ele mede as seis dimensões citadas, por meio de quatro questões para cada dimensão; assim, descobrimos se aquilo está em estado crítico, em risco, bom ou excelente. E a organização consegue visualizar o IFOZ com diversos recortes – por departamento, sexo, faixa etária etc.

Outros indicadores que levantamos dizem respeito a aderência, engajamento e fidelização dos colaboradores ao programa de felicidade, o que dá à liderança ainda mais subsídios para ativamente promover um ambiente mais feliz, saudável e criativo.

O empenho da liderança é fundamental em um programa de felicidade, diga-se. O líder pode (ou não) influenciar os bons comportamentos dos liderados. A metodologia recomenda, inclusive, que haja um líder para gerenciar felicidade – na Grant Thornton, Daniele Barreto é a diretora de felicidade –, mas não é obrigatório.

__ESTAMOS CONVENCIDOS__ de que tornar o local de trabalho cada vez mais preocupado com felicidade – e, portanto, mais humanizado – é uma das chaves da economia do século 21.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de junho de 2026 08H00
Diante de um cenário de sobrecarga crescente no trabalho, este artigo mostra que o problema não está apenas no volume, mas na forma como o trabalho é organizado, e apresenta caminhos práticos para redesenhá-lo com mais significado, autonomia e energia.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Estratégia
27 de junho de 2026 15H00
Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira, apoiando-se em conceitos como “capital profissional” (composto de cinco capitais) e “professional equity”

Nathália Brandão - Head de Educação Corporativa no TikTok LATAM, Escritora e Forbes Under 30

5 minutos min de leitura
Liderança
27 de junho de 2026 08H00
Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.

Andrea Gasques - Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo