Inovação & estratégia
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

Vibe Coding chegou. E o CEO adorou a demo. O problema vem depois

Este artigo desmonta o entusiasmo em torno do Vibe Coding ao revelar o verdadeiro desafio da IA: não é criar software com velocidade, mas operar, integrar e governar o que foi criado - em um ambiente cada vez mais complexo e crítico.
CIO da Tempo, com experiência em transformação digital, arquitetura de sistemas e governança de TI.

Compartilhar:

Em algum momento dos últimos meses, quase todo CIO viveu uma versão da mesma cena: alguém da diretoria chegou com o laptop aberto, animado, mostrando um produto funcional construído em horas por uma IA. Sem reunião de requisitos. Sem sprint. Sem arquiteto. Só um prompt bem escrito e uma ferramenta que não hesita.

Por aqui também estamos testando uma estratégia de Vibe Coding que acredito ter real potencial  e em alguns meses teremos dois projetos em produção, com usuários reais. Então não estou escrevendo isso como cético. Estou escrevendo como alguém que usa a ferramenta e, por isso mesmo, sente a obrigação de ser honesto sobre o que ela não resolve.

O que as pessoas romantizam

Vibe Coding – o uso de IAs generativas para criar software a partir de linguagem natural, com mínima intervenção técnica com certeza capturou a imaginação do mercado por razões legítimas. A velocidade é real. A acessibilidade é real. A capacidade de transformar uma ideia em um protótipo funcional em horas, sem depender de um time de desenvolvimento, é uma mudança genuína na forma como produtos digitais podem ser concebidos.

O que se romantiza, porém, é o que acontece depois da demo.

Um protótipo que funciona numa tarde não é o mesmo que um sistema que opera com confiabilidade em produção. E a distância entre esses dois pontos é exatamente onde vive a maior parte do trabalho de TI.

A pergunta que o board está fazendo

O CIO pressionado hoje não enfrenta apenas um desafio técnico. Ele enfrenta um desafio de narrativa.

O board viu o protótipo funcionar. O CEO quer saber por que o time de TI leva meses para entregar o que uma IA fez em horas. É uma pergunta justa e merece uma resposta honesta, não defensiva.

A resposta honesta é: Vibe Coding resolve o problema da geração de código. Não resolve o problema de operar o que foi gerado.

Um sistema com 200 integrações legadas não se conecta via prompt. Auditoria de decisões automatizadas não se faz com entusiasmo. Conformidade com a LGPD não é opcional porque o desenvolvimento foi rápido. Disponibilidade em pico numa Black Friday, um lançamento, uma crise exigem arquitetura, não velocidade de geração. E quando algo dá errado, o regulador não aceita “a IA decidiu” como explicação.

Ninguém faz Vibe Compliance. Ninguém faz Vibe Resiliência.

O paradoxo da facilidade

Há uma tensão estrutural que o mercado ainda não processou completamente: quanto mais fácil fica criar software, mais complexo fica o ambiente que precisa sustentá-lo.

Cada aplicação gerada via Vibe Coding é mais um sistema no portfólio. Mais uma superfície de ataque. Mais uma dependência. Mais um ponto de falha potencial. A proliferação de software sem governança de ciclo de vida cria, a médio prazo, um passivo técnico que pode ser maior do que o benefício gerado pela velocidade inicial.

É o paradoxo do CIO moderno: a pressão para criar rápido aumenta ao mesmo tempo em que a tolerância para falhar diminui. O negócio quer as duas coisas simultaneamente e é papel do CIO ser honesto quando isso não é possível sem estrutura.

Um dos indicadores que pretendo acompanhar é justamente o “tempo médio entre falhas”: comparando aplicações desenvolvidas pelo método convencional com aplicações geradas via Vibe Coding. A hipótese não é que Vibe Coding falha mais – é que falha de formas diferentes, menos previsíveis, e que exige um novo modelo de monitoramento e resposta.

O que a velocidade exige de quem governa

A resposta a tudo isso não é frear a inovação. Organizações que ignorarem Vibe Coding vão perder velocidade competitiva real. A tecnologia está madura o suficiente para entregar valor, especialmente em contextos de baixa criticidade, MVPs, ferramentas internas e automação de processos com baixo risco regulatório.

A resposta é reconhecer que velocidade de geração e maturidade operacional são dimensões distintas – e que as confundir é o erro mais caro que uma organização pode cometer neste momento.

O CIO que entende isso não é o freio da inovação. É o arquiteto da velocidade sustentável: aquele que define com clareza onde a IA pode ir rápido sem criar risco disfarçado de progresso, e onde a velocidade precisa ser modulada por governança, segurança e resiliência.

Isso não é conservadorismo técnico. É estratégia.

O que muda no papel do CIO

Vibe Coding não elimina a necessidade de liderança técnica sênior, ela a transforma. O trabalho deixa de ser só construir e passa a ser avaliar, integrar, governar e sustentar o que foi construído com velocidade.

O CIO que souber fazer essa transição – que conseguir capturar a agilidade do Vibe Coding sem renunciar à resiliência operacional  vai ter uma vantagem competitiva real. Não por resistir à IA, mas por saber usá-la dentro de um modelo de operação que o negócio pode confiar.

O CEO adorou a demo. O trabalho do CIO começa depois dela.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Direito, Regulação & Compliance
22 de setembro de 2026 14H00
Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Alexandro Ferreira de Souza - Superintendente de Planejamento Econômico e Financeiro da Termomecanica

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução